Fonte: Jornal do Commercio

Poesias


CLASSE M�DIA
Geraldino Brasil

Um m�dico.
�timo na fam�lia.

Um executivo.
�timo.

Um engenheiro
Um arquiteto
Um magistrado.
�timo.

Um poeta.
Melhor na fam�lia dos outros.

 

 

LUGAR DE POETA � AQUI

onde o mar � uma montanha
que na l�ngua dos b�rbaros escura
Paranambuco de todos � chamado.

Bento Teixeira.

A hist�ria da poesia em terras pernambucanas come�a, fins do s�culo XVI, com a Prosopop�ia, de Bento Teixeira, poema �pico para exaltar o governador de Pernambuco Jorge de Albuquerque Coelho. Pol�micas � parte sobre o seu valor liter�rio, a obra, publicada em Lisboa, no ano de 1601, ap�s a morte do autor, consta como sendo o primeiro texto po�tico escrito no Brasil, entre 1585 e 1594. Foi a �poca em que o poeta residiu em Olinda.

�PICOS, SAT�RICOS, L�RICOS
Todos cantam sua terra.... e seus her�is

S�CULO XVII 
Tempos de Nassau

 Maur�cio de Nassau, o Conde, governa Pernambuco holand�s entre 1637 e 1644. Ergue pal�cios, constr�i pontes, traz para o Recife artistas e cientistas que perpetuam os tempos flamengos. Nassau permanece no imagin�rio dos poetas da cidade maur�cia:

Na Corte do Rei Nassau/tudo se faz com
decoro,/aIi se vive com arte,/n�o h� falta de
tesouro,/para embelezar a cidade/h� artista,
amor e ouro.

Marcos Cordeiro, in Roman�al Paranambuco 1995

S�CULO XVIII 
Religiosos, mas nem tanto

 Na pr�spera capitania do a��car, as atividades liter�rias n�o progrediam na mesma propor��o das atividades econ�rmcas. Os conventos eram o celeiro cultural e aos frades e padres cabia a primazia das letras. O Barroco ainda predominava, atingindo alto grau de maneirismo. Aqui em Pernambuco, temos o Frei Jaboat�o (Recife, 1695-1763/1765) com uma poesia sacra:

Esse que v�s, pequenino,/nessas palhas
reclinado/do Padre � verbo divino, /por
nosso amor humanado.

E a poesia sat�rica e bem humorada do Pe. Ant�nio Gomes Pacheco (Itamarac� 1741/ Recife 1797): 

Pergunta certa Senhora/Sem presumir
mal algum,/Se um beija, na sexta -feira ,/Far�
quebrar o jejum.

S�CULO XIX
Revolu��es libert�rias,
outros her�is,
novos pretextos po�ticos

Quem passa a vida que eu passo
N�o deve a morte temer
Com a morte n�o se assusta
Quem est� sempre a morrer

Sopraram em Pernambuco os ideais da Revolu��o Francesa de 1789, deflagrados na Revolu��o de 1817. Sufocada, deixa as sementes da rebeldia que prosperam, de novo, em 1824, com a Confedera��o do Equador. o nacionalismo revolucion�rio, anti-monarquista, sobressai nas campanhas jornal�sticas do Typhis Pernambucano(1823-1824), dirigido por Frei Caneca, sob a �gide do Iluminismo. Frei  do Amor Divino Caneca (Recife 1779) � fuzilado em 1825, no Forte das Cinco Pontas, ap�s a derrota da conjura��o. Deixa o sentimento libert�rio como heran�a po�tica.

Na literatura, ainda domina o estilo neocl�ssico. A poesia de Jos� da Natividade Saldanha (Jaboat�o 1795 - Bogot� 1830), poeta revolucion�rio dessa �poca, revela o lado patri�tico e dilui o est�tico.

A p�tria � livre,
a escola � rom�ntica

A transi��o, em Pernambuco, entre o Neoclassicismo e a nova est�tica do Romantismo, surge na poesia de Maciel Monteiro, o bar�o de Itamarac�. O poeta dos sal�es nasce no Recife em 1804. Pol�tico e diplomata, atua em Lisboa onde morre no ano de 1868. Seus poemas, ent�o esparsos, foram reunidos e publicados em edi��o p�s-tuma (Recife 1905�) por Regueira Costa e �lvares de Carvalho.  O soneto Formosa cont�m elementos rom�nticos como a diviniza��o da mulher:

Formosa, qual pincel em tela fina
Debuxar jamais p�de ou nunca ousara;
Formosa, qual jamais desabrochara
Na primavera rosa purpurina;

Formosa, qual se a pr�pria m�o divina
Lhe alinhara o contorno e a forma rara;
Formosa, qual no c�u jamais brilhara
Astro gentil, estrela peregrina;

Formosa, qual se a natureza e a arte,
Dando as m�os em seus dons, em seus
lavores
Jamais soube imitar no todo ou parte;

Mulher celeste, oh! anjo de primores!
Quem pode ver-te, sem querer amar-te?
Quem pode amar-te, sem morrer de
amores?!

Maciel Monteiro

>>>Pr�xima

 
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