Fonte:
Pernambuco - caminhos de liberdade
(Coleção - Brasil redescoberto),
Editora Tempo real

Plantando uma nação



A igreja dos Santos Cosme e Damião entre duas outras, em Igarassu, de onde foram expulsos índios que fugiram para o interior, subindo o São Francisco até acima da cachoeira de Paulo Afonso.

Talvez em busca de um local menos vulnerável aos ataques dos índios e ao mesmo tempo, embora à beira-mar, o suficientemente protegido contra o assalto dos piratas, o donatário seguiu mais para o Sul, estabelecendo a vila de Olinda, em 1536, numa elevação de terreno de onde se avistava a confluência dos rios Beberibe e Capibaribe. Mesmo assim, a vila que seria a Capital de Pernambuco por três séculos, só foi implantada depois de aniquilada a resistência dos índios caetés.

Ambientalismo - Contrário à exploração extrativista indiscriminada dos recursos naturais, como a derrubada das matas de pau-brasil, chegou a solicitar ao Rei, em1546, a suspensão do corte daquela madeira numa faixa de 40 léguas do litoral. Uma atitude que prenunciava cuidados com o meio-ambiente.

 

Seus grandes interesses estavam próximos ao litoral, afinal de contas, era um navegante, profissão com a qual se destacou e alcançou à nobreza. Próximo ao mar sentia-se em seu ambiente, orgulhava-se de seus dominios. Ele sempre resistiu às tentações da conquista do Oeste, embora tenhafinanciado algumas incursões no interior de sua capitania, como a de Paulo Afonso que, subindo o rio São Francisco, descobriu "a formosa e célebre cachoeira que traz o seu nome"

Fiel a seu desejo de estabelecer em seus domínios uma nação e certo de que seguia o caminho correto para isto, reagiu a todos os que queriam lhe desviar de sua rota, para lançá-lo em aventuras na pro cura de metais e pedras preciosas. Assim, em carta ao Rei, datada desta Vila de Olinda, a 27 de abril de 1542, defendeu-se da pressão de Lisboa, sequiosa por ouro e prata que eram extraídos em abundância do Peru e do México:

Quando, Senhor, às cousas do ouro, nunca deixo
 de inquirir e procurar sobre elas, e cada se
esquentam mais as novas; mas, como sejam longe
daqui pelo meu sertão adentro, e se há de passar
por três nações de muito perversa e bestial gente e
todas contrárias umas das outras, há-de realizar-se
esta jornada com muito perigo e trabalho para
a qual me parece, e assim a toda minha gente,
que se não pode fazer senão indo eu; e ir como se
deve ir e empreender tal empresa, para sair com
 ela avante, e não para ir fazer aventuras, como os
 do rio da Prata, onde se perderam mais de mil
homens castelhanos, ou como os do Maranhão,
que perderam setecentos, e o pior é ficar a cousa
prejudicada. E por isso, Senhor, espero a hora
do Senhor Deus, na qual praza a ele que me
confie esta empresa, para Seu santo serviço e de
Vossa Alteza, que este será o maior
contestamento e ganho que eu disso queria ter.

Melhor pau-brasil - O donatário diz em carta ao Rei, datada de 1549, ser o pau-brasil de Pernambuco "o melhor de todo o Brasil". A preferência pelo pau-brasil de Pernambuco era notada até mesmo na definição usada para o produto: bois de Fernambouc, para os franceses; Pernambucwood, para os ingleses; e Pernambucohout, para os holandeses. Querendo ou não, o produto assegurou uma marca e por isso era importante sua preservação, acreditava, cheio de razão, Duarte Coelho. 

No dizer do historiador José Antônio Gonsalves de Mello, ele era "um criador de riqueza baseada na agricultura e não um explorador dos bens da natureza; um fundador de colônia de plantação e não de colônia de exploração". Preferiu em vez de aventuras e sobressaltos, fixar o homem à terra, construindo engenhos de açú- car, como informa em carta a seu Rei, em 1546. o domínio das terras contribuiu para formar em Pernambuco um sentimento de nação, levando seus proprietários a defendê-la de invasores e a cultivar o ideal da independência e da liberdade.

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Fonte:
Pernambuco - caminhos de liberdade
(Coleção - Brasil redescoberto),
Editora Tempo real

 
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