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Fonte: Plantando uma nação Paisagem açucareira - A cana-de-açúcar tomou conta da paisagem pernambucana desde os primórdios da colonização, ainda ao tempo da feitoria de Cristóvão Jaques. Cerca de dez anos depois de instalada a feitoria, isto é, em 1526, se registram na Alfândega de Lisboa pagamentos de taxas sobre o açúcar de Pernambuco. No ponto de vista tecnológico, a indústria açucareira atraiu artífices qualificados do exterior. Trabalhavam na capitania carpinteiros, ferreiros, oleiros, metalúrgicos, a maioria dos quais era necessária à construção e manutenção dos engenhos, assim como da casa-grande e capelas que mais tarde seriam erguidas em louvor de Deus mas, sobretudo, como reflexo de riqueza. Esses profissionais, até mesmo porque precisavam de ajudantes, passaram segredos de seus ofícios para os naturais da terra, formando um contingente de mão-de-obra semi-qualificada. Para motivar os recém-chegados a fincar raízes na colônia, Duarte Coelho foi generoso na distribuição de sesmarias (lotes de terra), conservando um livro de registros para evitar conflitos de limites. E foi devido ao cuidado e vigilância dele que Pernambuco teve o mais ordenado método de distribuição de terras no Brasil do século XVI.
Prerrogativas - No Governo Geral, em 1549, Pernambuco e seu donatário já se mostravam politica e economicamente fortalecidos a ponto de protestar contra a redução do poder dos donatários, conforme prescrevia a legislação criada a partir de 1548. Estribado nos poderes concedidos na carta de doação, de 1534, Duarte Coelho protestou em 24 de novembro de 1550 ao Rei que, em função disto, suspendeu, temporariamente, a execução em Pernambuco do Regimento Tomé de Souza. Com D. João III mantendo as prerrogativas dos "Albuquerque de Pernambuco", o donatário continuou investido de plenos poderes tais como: distribuir terras em sesmarias, reservar terras para si, fundar vilas, explorar as passagens dos riosnavegáveis, nomear tabeliães e julgar crimes cometidos por pessoas de menor categoria social até a última instância, e fidalgos acusados de crime com a possibilidade de recurso ao Rei, no caso de pena de morte. Os crimes mais graves eram traição à Coroa, heresia, sodomia e falsificação de moeda. O governador geral não fez por menos. Em carta de 18 de junho de 1551 expressa ao Rei seu descontentamento: "...Torno
a dizer a Vossa Alteza que os Diante do Rei - Certo de que a capitania estava calma, o donatário viajou a Portugal para defender, pessoalmente, perante o Rei seus interesses. Segundo narrativa de frei Vicente do Salvador, foi Duarte Coelho recebido friamente por D. João III: "... quando lhe foi beijar a mão lhe remocou (censurou) e o recebeu com tão pouca graça que, indo-se para casa, enfermou de nojo (tristeza), e morreu daí a poucos dias". Em suas cartas de 14 de abril de 1549 e de 24 de novembro de 1550, repetia o preceito bíblico, como que sintetizando o objetivo de sua missão na terra de "pastor e não de mercenário". Desiluido, Duarte Coelho Pereira morreu em Lisboa, provavelmente em agosto de 1553, sendo sepultado no túmulo de Manuel Moura, marido de sua cunhada, na igreja de São Pedro da Praça, na Alfama. De seu túmulo, nada mais resta. E provável que tenha desaparecido com o terremoto que destruiu a capital portuguesa em 1 de novembro de 1775. Fonte: |
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