neonazismo
A Influência da Propaganda Neonazista
Para quem não acredita na capacidade de
manipulação do marketing neonazista, seria interessante ler a entrevista (em
inglês) com
Ingo
Hasselbach, um ex-Fuhrer de um movimento neonazista, autor do livro "Fuhrer-Ex: Memoirs of
a Former Neo-Nazi." (Ex-Fuhrer: Memórias de um antigo Neonazista).
Nessa
entrevista ele conta como foi absorvido, durante sua adolescência
problemática, pelo movimento e como se aprofundou nele chegando até a Fuhrer.
Ele destaca a capacidade do movimento neonazista de alienar os seus integrantes,
conta como demorou para perceber as contradições da ideologia neonazista e
como a Internet é fundamental para propagar o ódio e penetrar em países que
têm leis rígidas contra o racismo.
Quem acessa a homepage do
‘Nationalen Aktions
Front’,
por exemplo, é recebido com o texto: ‘Viva o nosso movimento! Viva o povo
alemão’ gritado por ninguém menos que o próprio Adolf Hitler, no original.
Transmissões de rádio com
conteúdo nazista, video-clips e áreas para chat, tudo na mais perfeita
qualidade digital está ao dispor. Livros (digitais ou no papel mesmo) e objetos
podem ser encomendados sem burocracia. O Comércio virtual fascista é quase
impossível de ser controlado.
Radicais de países onde a atuação virtual é
dificultada encontram abrigo onde as dificuldades são menores. Segundo um
estudo feito pela
ABKnet, o
site anti-sionista
Radio Islam,
localizado nos EUA, é mundialmente talvez o maior acolhedor de revisionistas,
nazistas, neonazistas e extremistas de todas as tendências do mundo. Lá
encontra-se, de acordo com a ABKnet, a maior lista de links radicais do
planeta. Intitulada ‘The most important addresses’, a lista contém, entre
outros, links para páginas revisionistas de brasileiros. Apesar do Radio Islam
se dizer totalmente contra o anti-semitismo, esse site pode ser, conforme as
informações da ABKnet, a maior fonte de ódio racista da rede. Se isso
realmente for verídico, o Radio Islam estaria protegendo, sob a tolerância
legal americana, inúmeros endereços neonazistas do mundo inteiro.
Que
mal esses sites neonazistas podem instigar? No atentado a escola de Columbia,
Ed Harris e seu colega escolheram o dia do aniversário de Hitler para desfechar
seu golpe, que teve como principais alvos negros e estudantes de educação
física, que eles consideravam inferiores. Um mês depois, Benjamin Smith, da World Church of the Creator
disparou contra seis judeus, este ocorrido na cidade de Skookie, que já foi
palco nos anos 70 de um enorme debate sobre a liberdade de expressão dos
nazistas que queriam desfilar lá no aniversário de Hitler. Nesta época a cidade
abrigava muitos sobreviventes do Holocausto. Além disso, matou um negro e um
asiático. Isto no aniversário de lançamento da primeira edição do Mein Kampf
(Minha Luta) de Hitler. O assassino suicidou-se quando foi cercado pela
polícia.
Outro ataque foi a uma
creche judaica, onde Buford O'Neal Furrow, de 37 anos, atirou 70 vezes contra
crianças e adultos com uma submetralhadora UZI. O atirador era membro da Aryan Nations.
É verdade que a Europa e os Estados Unidos são os
campos principais da proliferação do pensamento neonazista. Mas não pensem que
esse pensamento esteja longe de nós, brasileiros. Em “As bases da nova
direita”, uma pesquisa realizada na
cidade de São Paulo pelo professor e sociólogo da USP, Flavio Pierucci,
constatou-se que boa parcela da população atribuía os problemas da cidade à
imigração nordestina. Defendia-se até a
criação de “bantustões”, tal como ocorria na África do Sul.
A proliferação desse raciocínio segregacionista,
como vimos, deve-se muito a Internet.
Talvez ainda seja cedo para considerá-la como um “campo” de batalha, segundo a
definição de Pierre Bourdieu, onde forças concorrentes estão em permanente
disputa pela preponderância e hegemonia. Mas não podemos negar que esta é uma
possibilidade futura. A Internet tem um potencial tão grande que seus futuros
possíveis variam de um novo tipo de guerra
até o caminho da evolução da comunicação mundial.
O Outro Lado:
A ação contra a proliferação do neonazismo na internet pela própria
internet