James Dead

 

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Apaziguamento

A Todos os Nautas

Baton Rouge

Caderno Preto

Cobardia

Como as ideias se contorcem

Daquilo que os poetas falam

Inspiro, expiro, suspiro e concluo

Masmorra

Na estação onírica da vitória (onde nunca parei)

Os olhos de uma mulher

 

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Poetas do Canal

 

James Dead! Os poemas...

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APAZIGUAMENTO

 

 

Porquê?

 

Porque é que ao ouvir este piano me lembro…

Dos gritos que não dei, das lágrimas que contei e dos sonhos que nunca o foram…

 

Será?

Se ao menos conseguisse exprimir em palavras…

Tudo o que me faz estremecer, talvez apenas um olhar!

Ou talvez esse sorriso que me dilacera o pensamento e me corta o ser pela raiz.

O que é o ser? Será respirar? Não o é de certeza.

Este mecanismo mesquinho do dia a dia insiste em fazê-lo!

 

Mais?

Mais um café, virtuoso liquido de tolos e poetas…

Apaziguo o espírito num engano do momento.

Viva a abstracção e o vício em mais uma noite chuvosa de Inverno!

 

Noite?

Deambulações nocturnas pelo labirinto codificado da mente.

Como desvendar uma mente timidamente convencida?

Como saber o que pensar quando o próprio ser não sabe o que pensa nem sabe o que rodeia a sua existência?

A noite avança, a alma descansa, o coração bate como no sono leve de uma criança.

 

T. Alexandre Belejo C.

 

16/11/99

 

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A TODOS OS NAUTAS

 

Nautas, nossos nautas, todos os nautas -

- Uni-vos!

Naveguem ofegantes em si próprios,

Mais do que em terra, mar ou céus.

Reconheçam-se no âmago,

Mais do que nas marés,

Pois quando a tempestade vier,

Do bochorno sul,

Ou se o hialino vento norte acordar,

O remo frágil do pensamento,

Irá com certeza bastar,

Para romper o breu

da condição de vida, do breve momento.

E quando um dia – passados anos –

Vier a eterna só nossa saudade,

Esse nauta que jaz morto serei eu,

E o ardil do éden a única verdade,

De quem sem pudor se escreveu,

Navegando só os seus mares,

Sem bússola, trilho ou rumo,

Atalho de viagens sem acordar,

Onde as marés são o fumo...

...Do fogo que hoje me corrói!

(também no papel em branco)

 

T. Alexandre Belejo C.

21/3/2000

 

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COBARDIA

 

Se querer morrer é ser cobarde,

Então deixem-me respirar cobardia!

Porque esta cobardia resultou,

Da coragem de querer sonhar um dia...

 

T. Alexandre Belejo C.

5/3/2000

 

 

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COMO AS IDEIAS SE CONTORCEM

 

Que sibilo me atravessou a mente?

Que munição esta em forma de ideia?

Que chorrilho de mortificações me enleia?

Será que o pensar também (se) sente?

As virtudes da originalidade são tão breves,

Como a minha alegria efémera ... de segundos,

Mas capaz até de recriar seres e mundos,

Com um sorriso mudo leve ... mas profundo.

Olhem! Olhem!

Vejam como as ideias se contorcem,

Numa folha de papel em branco,

Salpicadas a vermelho desencanto.

Olhem! Olhem!

Vejam como quantas horas repetidas,

E tantas noites por alguém perdidas,

Em vida e morte se reconstruem.

Olhem! Olhem!

Vejam que grande suspirar obtuso,

Esta descarga de sentir absurdo,

Que nos invade no momento...

...De exprimir este tépido pensamento.

 

T. Alexandre Belejo C.

9/3/2000

 

 

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DAQUILO QUE OS POETAS FALAM

 

 

Vocês não sabem o que é acordar,

Com angústia por fazê-lo.

Nem sabem o que é o bater do coração,

Estrangulado em entranhas queimadas,

Por uma mente ainda mais escura,

Que afinal é a minha lura...

Onde viajo pelos confins deste vazio...

...Pena ele ser tão limitado,

À vida que me passa ao lado!

E aqueles momentos em que não sinto o respirar,

Como uma condição que prende e humilha,

São tão breves como os raios de Sol,

Que os teus olhos um dia irradiaram,

E para minha desgraça...se eternizaram!

Ai! Como é bom este viver cruel!

Como é bom conhecer a essência,

Daquilo que os poetas falam,

Mesmo que isso custe a vida.

Porque afinal...

O amor é o alimento da nossa existência,

E mais vale um verdadeiro,

Do que muitos sem ter sentido o primeiro!!!

 

T. Alexandre Belejo C.

3/3/2000

 

 

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FORAM ANOS DE VIVER...

 

 

O suor dos corpos nus une-se languidamente,

Trazendo à luz a conspícua relação de duas almas,

Numa metamorfose selada com sangue,

À sombra de esperanças saudosas...

Um toque que te fez estremecer,

Um gemido que gritou de prazer,

Um silvo que condensa desejos antigos,

Do tempo em que éramos apenas amigos.

Uma máscara de dor que não fere,

No leito celestial dos sentidos,

Choram-se tesouros entretanto já perdidos,

E o coração é o arauto da desgraça.

Os lençóis que eram de uma brancura alva,

Já não desmentem a inocência perdida,

Em minutos de uma ausência sincope,

Que foram anos de viver...

Acendo mais um cigarro num gesto vulgar,

Contemplo o sol radioso lá fora,

Que me ilumina como o teu sorriso na cama,

E o amor que foi a nossa chama...

 

T. Alexandre Belejo C.

8/2/2000

 

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INSPIRO, EXPIRO, SUSPIRO E CONCLUO

 

 

Uma voz que chora...

Um grito que esconde sonhos calados...

Eu disserto sobre a razão de não haver razão,

No que sinto, findo ou minto.

E minto! Para criar em torno de mim um mito,

Que envolva toda a minha insignificância ,

E a mascare com um sentido fértil,

Para que talvez o próximo amanhecer não seja apenas mais um.

E a imagem que o espelho reflecte,

Tenha algo dentro de si...e não apenas eu,

Uma alma que já morreu.

Esqueci-me de viver quando o mito nasceu,

Já eclipsado por um fado repetido,

Nascido num tempo ido,

Que traz memórias feridas de não terem existido,

Para além da mente que as sonhou,

Talvez na pressa de sentir o que sempre desejou...

A dor...

Porque ao menos esta faz-me sentir vivo,

Mesmo que morto interiormente,

O coração ainda sente...

O meu amor por ti, gravado como numa lápide,

No pulsar diário do mimetismo social.

Et si tu n´existais pas! Oiço na rádio...

E se tu não existisses! Nunca teria sentido,

Este sentimento nobre,

Que me reduz a uma dependência pobre,

De ter nascido.

Inspiro Respiro-te permaneço passo findo esconjuro-me

Nego-me questiono-me expiro suspiro e concluo:

...Amo-te!

 

T. Alexandre Belejo C.

21/2/2000

 

 

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MASMORRA

 

 

Respiro. Sim respiro!

Inspiro ar dormente.

Expiro nada.

Ficou preso,

Cá dentro,

Masmorra de viver,

Onde não entro.

Preso. Preso.

Preso dentro de mim,

Lugar comum,

De quem não é,

De fingir seguir,

Para lado nenhum.

Isto locus! Locus! Eu!

Locus horrendus.

Procuro essa natureza,

Confinada,

No lugar cá dentro,

Onde existe nada,

Onde não entro.

O que entrou não sai,

Não dá vida,

Ao que por lá vai,

Ao que conteve,

Ao que não teve.

Bebo deste vazio seco,

E júbilo.

Descrevo uma noite,

De uma vida,

Que expira,

Que não expira,

Vive só sentindo,

Sente só sofrendo,

Eu até me rendo!

Rendi. Gostei.

E aqueles mochos,

Mochos piadores,

Fantasmas vagos,

Por Bocage cantados,

São breve luz,

Na escuridão deste fado.

Até respiram.

São candeias que iluminam,

Os passos na escuridão,

Do guardião da chave,

Que abre o coração.

...A masmorra...

Vive sem expirar,

Vê-se no direito,

De frio suspirar,

O que lhe vai no peito.

Oh! morte!

Oh! sorte!

Grilhão...sustenido dorido de vida...

Veia poética, vaso sanguíneo tombado, nervo irascível:

Fiéis depositários de mágoa,

Em forma de sangue já expungido de mim,

Abat-Jours de enfeite interior,

Desta feita... requintada masmorra de dor...

 

T. Alexandre Belejo C.

20/3/2000

 

 

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NA ESTAÇÃO ONÍRICA DA VITÓRIA 

(ONDE NUNCA PAREI)

 

 

Sair de casa com uma vontade intensa de me perder,

Talvez assim por minutos te consiga esquecer,

Nas avenidas de sombras multicolores desta cidade,

A solidão não tem classe, credo, nem idade...

Tanta gente tão junta e tão só!!!

Vultos com olhos que transparecem o vazio da alma,

Controlando a revolta com uma aparente calma.

Por isso quero perder-me aqui!!!

Onde o tempo sempre esteve parado,

E se ocultam as vozes vindas do passado,

Que anunciam a crua verdade da nossa existência...

Que angustiante caminhada!!!

Quero perder-me num beco escuro e lúgubre,

A minha lura onde solto a irracionalidade,

Que triste sou eu nesta cidade...

Quero sentir o coração a parar como o tempo!

Entregar as minhas cinzas na noite ao vento

À beira rio, nas vagas tristes de pensamento...

Que estranhas formas de vida!!!

Nas manhãs de denso nevoeiro despertas,

Colhem a dor sempre a horas certas,

A todas as horas...

Edificam-se etéreas juras de amor,

Criam-se laços de uma esperança néscia,

Procura-se a cura,

Toda a gente a procura!!!

Quem a encontra pode regozijar eternamente,

Feliz! Não será nunca mais um demente,

Afinal sempre sente! E não desmente...

Que o destino marcou mais uma hora,

E o tempo realmente parou,

Na estação onírica da vitória...

Porque é que não pode ser assim comigo?

 

T. Alexandre Belejo C.

7/2/2000

 

 

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OS DEUSES MORREM AO AMANHECER

 

 

Há noites naquela praia deserta onde passeio,

Em que a brisa me faz sentir frio.

Antes não havia frio ou quente,

Pois o meu coração tinha sempre latente....

...a esperança da tua presença...

Sento-me na areia e olho o mar,

A luz do farol incide sobre as ondas cíclicas,

Como um flash....como o teu olhar.

Passam horas, para mim são segundos;

Pois aqui nesta praia eu viajo:

Em sonhos profundos...noutros mundos, além mar.

Tudo tão escuro, tão deserto à volta;

Mas vejo cores, sabores, e sinto odores que nunca cheirei.

São estas viagens que me fazem viver;

São estas noites que me dão prazer,

Os deuses morrem ao amanhecer...

Por vezes concentro-me no céu;

Numa estrela, a mais brilhante.

E como que por alquimia visual,

Olho a tua presença aqui ao lado.

Sei que não posso alcançar-te; é isso que o sorriso indiferente me diz...

Talvez um dia me alcances a mim...

Há noites de verdadeira contemplação,

Aquelas da estrela cadente,

Fazem sonhar ainda mais o homem de uma memória ausente...

Momentos tão rápidos, tão brilhantes;

Depois...são apenas insignificantes...

Tão insignificantes como a dor física,

Esta fina linha de sangue nos braços:

Tão insignificante!!!

Estou viciado nesta angustia do papel em branco,

Estou viciado na minha dor,

Estou viciado nos pingos que humedecem esta folha...

Os Deuses morrem ao amanhecer...

Gaivotas, pescadores e o barulho dos barcos.

Acordo e a luz fere os meus olhos;

O cheiro do sal lava a minha dor e levanta-me.

Tantas vidas começam ao amanhecer,

Eu morro ao amanhecer...

Sou o Deus da minha dor!!!

 

T. Alexandre Belejo C.

16/01/2000

 

 

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PEGUEI NAS MÃOS À NOITE

 

 

Um dia sonhei que queria,

Com gestos languidos mas firmes,

Eternizar o que já é eterno,

Transformar em cor e folia,

A vivência dos tons de Inverno...

Peguei nas minhas mãos á noite,

Elas pegaram no meu busto rígido,

Que por si queria segurar no dom,

E através do pincel e paleta,

Criar na tela um novo tom...

Tumulto! Éden surreal! Erupção!

Ideias contorcem-se como bola em roleta,

Será a isto que chamam inspiração?

Não...

Estive só a sonhar,

Desta vez sem estar acordado,

Mas com o despertar,

Constatei que o que tinha sonhado,

Já tinha sido criado...

...Estavas serena, a dormir a meu lado...

A Vénus de Botticelli sem ser Deusa,

A Musa da minha arte enlouquecida,

Ninfa de todos os mares serenos,

Perdição de nós...tão pequenos.

(Somos só homens)

...Estava ali misturada com os lençóis,

e acordou naquele dia a meu lado...

 

T. Alexandre Belejo C.

25/3/2000

 

 

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SONETO AO JAZIGO DA ALMA

 

 

Perdido no labirinto da existência,

Trilhos sinuosos insistem em deixar passar.

Para quê sustentar tão vil sobrevivência?!

No negro rumo me deixarei levar…

 

Oh Morte…..tão distante e tão presente,

Acompanhas-me, pastor do meu rebanho.

Em teu nome toda a vida farei ausente,

Darei cor á desolação do meu desenho…

 

E quando o epitáfio no solo de cinzas jazir,

O nome cravado a sangue orgulhosamente na pedra palpitará,

No cosmos uma alma permanece a carpir….

 

Carpir!... será gesto conspícuo nessa imensidão,

Mas não se compara a um suspirar,

Que emana sempre das reentrâncias de toda a solidão...

 

T. Alexandre Belejo C.

 

1999(algures na noite sem hora e sem luz)

 

 

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TEATRO MUNDANO

 

 

E no latido opaco e cálido do saxofone,

Eu vi os episódios de muitos folhetins,

Vidas partidas em porções acres,

Despojadas nos becos desta cidade sem fim.

Eu vi um bar lúgubre,

Onde os maridos são solteiros,

E as mulheres objectos,

Da lei que é o desejo.

Muito álcool como seiva nas veias...

Por muitos copos e cálices,

Onde se dava de beber à dor,

Que pretendia abafar,

Uma mágoa de angústia interior.

Grandes cenários de uma só cor,

Breve negro por vezes cinzento,

Em noites de vivo fulgor,

Onde a máscara é intento.

Um velho de aspecto castiço,

E o jovem tenro roliço,

Todos eles atrás do pano,

Nesta peça de teatro mundano.

Mulheres da noite e da vida,

Penetradas em vidas que não a sua,

Calam a dor repetidamente sentida,

No suor de uma alma sempre nua.

Também os putos vadios da noite,

Com as manhas fáceis do costume,

Enganam o menos calejado e afoito,

Semeiam azedume e queixume.

Até o raiar do sol...

Caem as máscaras e o pano,

Respiram-se novas cores,

Provam-se outros sabores,

Finda o teatro mundano.

Novas máscaras renascem...

...Como fénix renasceu das cinzas...

...Da minha noite.

 

T. Alexandre Belejo C.

7/3/2000

 

 

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OS OLHOS DE UMA MULHER

Não é no brilho doirado dos astros
que rendilham o lago a prateado
à noite.
Nem é escondido na vil incerteza
de uma concha despojada de ostra
que finge nobreza.
Ausente é nos meus rígidos flancos
ignorantes de si, da destreza
cândida dos faróis humanos.
Muito menos repousa inerte
Na incontornável circunferência dos girassóis,
Que como sóis- ouro transbordam - vida se reflecte.
Talvez gostassem de descansar
(Quem sabe?)
No veludo circular de um anel,
Na esmeralda que de verde pueril o faz brilhar.
Não! Definitivamente não!
Só quando tento alcançar o abismo -
- observando-o,
e ele inevitavelmente
me retribui a ousadia,
é que reconheço onde se escondem
 e me acolhem -
com uma qualquer alquimia magnetizadora -
os olhos de uma mulher.



___Tiago Alexandre Belejo Correia
___22/04/2000

 

 

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CADERNO PRETO


Eu tenho um caderno preto
De capa grossa,
Onde escrevo parvoíces a vermelho,
Como próceres verdades universais do meu quarto,
Ou opróbrios rabugentos em troça.

Não sei porque escrevo
Tantas frases soltas,
Que só por mim são lidas,
Permanecendo mortas...

O coração dos adjectivos palpita, insurge-se,
O pronómio pessoal renega-se 
- Rejeito a 3ª pessoa! -
como se as pessoas tivessem vontade própria,
e a noite não existisse,
e o único verbo com visão fosse
sinónimo de sonolência onírica.

Eu tenho um caderno preto
De capa grossa...

Começa assim -
"Eu sou um zero á esquerda do teu coração",
e continua -
"A geometria do amor é um ângulo morto",
Fica bem claro que sou perseguido,
Pela negatividade de um zero pouco matemático...

Depois deriva -
" a minha realidade mora no quarto ao lado da tua,
o papel de parede é diferente,
e os universos que nos separam são imensos, feitos de pó
cor de tijolo"
e foi assim -
"caiu e enganou-se, quis sonhar e quebrou-se...
...nesse muro de indiferença"

Mas nada de bodes expiatórios -
" o meu problema é estar vivo,
na ressaca de ter nascido...",
" espalho alegria, porque ao expressar dor,
os outros percebem a sua felicidade"
- alguém devia ler isto!
Preciso de um fundo, um concílio de mecenas,
Que me levem para fora do meu caderno preto,
Que me curem -
"porque vivo, porque sinto com o olhar..."

Doença terminal...

" o antídoto da misantropia
é o ópio da poesia"
em que fim me vicio,
antes de pintar todas as folhas
do caderno?!

Preciso de uma transfusão de realidade...

O caderno está quadrado de esperar,
Rectangular de míope,
Porta voz mudo sem papiro!

Até que chega a última página...

" o amor é uma ilusão,
só existe quando não é correspondido,
por isso é egoísta -
é um sonho só meu,
que se confunde com cada existência individual.
Sonho viver-te...
Só porque és impossível."

Fim do caderno preto...

Eu bem te disse que eram só parvoíces!
Vou emendá-lo
Com a saliva do teu beijo,
E depois queimá-lo
Com o calor do teu abraço...

Estou curado.


___Tiago Alexandre Belejo Correia
___9/6/2000

 

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BATON ROUGE

Quando gravarem numa qualquer pedra póstume
Que eu morri,
Solta uma gargalhada e insurge-te!
Só tu sabes que eu ainda sorri,
Brinquei,
Rebentei
com o teu olhar e beijei-te.

Mas a febre do teu amor parece ser efémera...

O baton vermelho que tu pintas-te na minha boca
Diluí-se hoje com lágrimas,
Disfarça o sangue e recria a indiferença

(talvez sádica só por ser humanamente(?)
preenchida do objectivo guloso de estrangular
sentimentos com requintes de louca)

do assassino, que não me soube morto,
no masoquismo consciente
e na vida...

(talvez equilibrista no rendilhado de ar
que é uma gota de esperança correndo num 
coração ébrio de bater)

...Pois sempre estive inerte, escarlate,
vulnerável a teus pés,
Amor...


___Tiago Alexandre Belejo Correia
___1/05/2000-4/05/2000

 

 

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