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Desejo natural Na praça central, Oferecendo-se aos olhos do mundo, Vive um homem só Sobre um pedestal: Figura proeminente, Estátua de catedral, De olhar profundo, Em silêncio sepulcral. Não é santo nem profeta, Não o move a inspiração divina Ou outro desígnio especial. É um homem só Em pose natural Que, com um olho apenas, Deseja abarcar o mundo inteiro Do alto do seu pedestal. César |
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Na escuridão Na escuridão pressinto Os lábios cegos que se aproximam. Antecipo o beijo Que não desejo, e por instinto minto: Amor! Consome-me esta dor, Que se dilui no teu calor, A solidão que sinto na escuridão, imaginando Amor. Amanhece, Já é dia. Submeto-me à tortura de enfrentar o espelho me mira: a imagem vaga de uma vida vazia, e as marcas dos corpos que se encontraram por um dia, numa cama fria, Fingindo Amor. César |
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O sonho Nestes jardins suspensos As almas repousam; Inertes, numa indefinição indefinida. Os corpos fenecem na expectativa De um momento que jamais se concretiza, Desejando apenas que o sonho Não seja menos do que a vida. César |
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Relembrar-te Ainda sonho contigo! Talvez ainda te ame, Ou apenas te queira amar. Amo a ilusão de te amar. "(...)saudade das saudades que não tenho(...)" O teu cheiro, O teu sorriso, Tu. Relembrar-te, Imaginar-te, Repensar-te, Questionar-te, Lamentar-te. Morrer, (Re)Viver, Acordar César |
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Ria Sonho lúbrico, Fluído tépido e fecundo, Volúpia líquida que me seduz espraiando-se sobre as estrelas, em silêncio profundo, junto ao mar César |