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| Olhar | |
| Noites e dias | |
| Branca, pouca, louca | |
| Brinde | Eu, o silêncio e solidão |
| Teia | |
| Tempestade | |
| Fazer amor | |
| Vento | |
| Leviandades | |
| Loucos |
A INSUSTENTÁVEL LEVEZA DO MEU SER
A insustentável leveza do meu ser anseia uma outra dimensão que não aquela em que me vejo. Não é de poemas que me alimento nem de incertezas que sobrevivo os dias têm muitas vezes a cor cinzenta do nevoeiro Mas, a pouco e pouco, há uma alegria que rasga o tecto dessa prisão e me faz sonhar acordada. Então, aquilo que sou é leve, mas de uma outra natureza com outra beleza, que não exactamente a anterior.
Fevereiro 3, 1995 Cristina
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a
noite desenhou lágrimas Cristina
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Libertei o medo Que se perdeu por aí Ganhei coragem E entreguei-me a ti. Nessa noite Vi sóis, vi luas, E em tuas mãos nuas Vivi o prazer, Sem história, Sem razão, Sem memória, Sem travão! Fui flor aberta Desfolhada Fui ave libertada Fui falcão Mulher alada Por tua mão. Voei Corri Gritei Tremi E então Voltando a mim Chorei Por tudo o que conheci E amei.
Abril 2 2000 Cristina.
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Meu olhar pairou Sobre as águas deste rio E nelas abandonou Esse amor vazio. Olhar de luto, Olhar bruma Memória que se esfuma Que sofre e grita E não acredita Em coisa nenhuma. Liberta a dor Em vão respira Em vão procura Razão que o inspira Vazão para a loucura. Ai, esse olhar Que embala o mundo Se o mundo lhe cantar Essa canção de embalar Que faz sonhar… os poetas..
Março 27 2000 Cristina
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Não sei se foi a chuva Ou o vento quente Mas hoje Acordei diferente. O mesmo nome A mesma pele Mas o sorriso Trazia uma pergunta urgente. Quis esquecê-la Ignorá-la Mas a cada vez que sorria Com um sorriso indiferente As mesmas palavras dizia " Cristina, o que queres realmente?" pasmei, bati o pé ignorei para no fim depois da guerra encontrar a paz em mim. Cristina, cristina, Mulher-menina Não deites por terra A flor-sonho de pequenina. Hoje acordei diferente Não com outro nome Nem outra pele. Não sei se foi a chuva Ou o vento quente Mas hoje acordei diferente.
Abril 4 2000 Cristina
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CANTEI PARA TI O CANTO DA SEREIA
Cantei para ti o canto da sereia Suave melopeia Encantatória Cantei para ti Um canto suave, ameno Para embalar-te Sereno, Cantei para ti o canto da sereia Para adormecer-te Na areia, Qual naufrago em meus braços.
Cristina
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Sigo-te ao teu fim de estrada É alvorada E na boca trago O perfume da noite passada. entre chão e céu aventura não calada delírio meu e teu. Sigo-te ao teu fim de estrada E muda, Ensonada Aceno-te Um longo e triste adeus. Sigo-te ao teu fim de estrada É alvorada Damos as mãos Enlaçamos os dedos E num abraço Terno e infinito Com perfume da noite passada Então dizemos… adeus.
Cristina
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| Os Poetas do Canal |
ALMA DE FOGO O que sei É o que sinto Não o que vejo Mas pressinto Há vozes na minha alma Que são fogo e são destino A minha alma não é a minha alma É a alma de tudo e todos que fui Não tem tempo Não tem lugar Não conhece bem Nem mal A minha alma voa E em mim é falcão. Março 20 2000 Cristina
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AMANHECER Vivi o silêncio em sofrimento E esperei pelo amanhecer De certeza diferente De certeza menos ausente E distante. Tremi de medo Irracional Mas, no entanto, Total, Que me paralisou E me congelou Emoções Sensações E tudo o que existiu Então. Maio 1999 Cristina
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CRIAÇÃO Moldo neste barro Com cheiro a terra molhada Os meus sonhos Da noite passada. Às vezes nascem rostos De identidade não revelada Faces não descobertas Em sombras fechadas Outras, Na superfície lisa Bem talhada Palavras, enigmas Verdade não decifrada Às vezes crio gigantes Filhos de um deus qualquer Talvez mulher Serpentes tatuadas Monstros Aves bizarras De identidade não revelada Cada traço, cada vinco Que moldo neste barro Com cheiro a terra molhada Trazem-me os sonhos da noite passada Sonhos irreais, Matriz recriada, Neste barro Com cheiro A terra molhada. Cristina Abril 2000
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GALLIN Tudo acabou Sem alguma vez Ter começado Tudo deixou de existir Como um simples soprar De vento Como uma brisa solta, Louca, arrebatadora Tudo conheceu um fim Sem cor Talvez alguma dor A vida voltará ao seu lugar Ao seu rumo Sem ti. Abril 5 1999 Cristina
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MADRIGAL Foi na alvorada Sabor a maçã E a macio Que o teu corpo Ao meu se uniu. Beijo a beijo Suspiro em suspiro Teu mar de águas duras Me inundou E eu fui rainha Fui mulher Deusa em teu querer E então Tudo o que vivi Foi magia Alegria Breve mas eterna Porque o Amor É eterno Em mim Aventura. Março 22 2000 Cristina
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MAR Quisera ter do mar Essa foça infinita Que tudo lava E tudo apaga. Para no silêncio e nos vazios Das formas Me encontrar em paz Voltar a mim sem dor Sem mágoa E no nada Voltar a sentir Tudo Como no início Como no tempo da inocência. Cristina Junho 24 1998
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PRIMEIRA VEZ Há sempre um primeira vez E tal como as outras Inesquecível. Em Março Fiz-me mulher Com a frescura Dos teus beijos O aroma da terra Inebriou os meus sentidos E tudo o que quis Tudo o que fiz Foi o ritual De um amor sem tempo sem lugar numa tela de luz lunar. Paixão desmedida Permitida Há sempre uma primeira vez E tal como as outras Inesquecível. Março 21 2000 Cristina
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SENHOR DO LAGO A tua voz Transporta-me Para a dimensão da magia Sem tempo Sem lugar Sem razão Que não aquela De tudo esquecer E embarcar Nesse lago De emoção. Cristina Março 20 2000
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VELEIRO Lancei neste mar Um veleiro E num dia soalheiro Parti.... Sem saber o que encontrar. Sem limites Permiti-me sonhar Sem norte Pedindo à sorte Para não regressar. Rasguei vagas Ventos e marés Fui gigante Fui menina Sereia, libertina, Mulher, O sangue ardente nas veias Conheci mundos E depois de tantos cais Tantas gentes A teus pés Vim amarar. Neste porto Que me abriga Morro de emoção Sentida Abraço a vida Sem medo e sem travão. Lancei ao mar Um veleiro E não sendo sábio marinheiro Num dia soalheiro Parti.. sem saber o que encontrar. Cheguei E neste porto Que me abriga Fiquei cativa Do teu olhar. Cristina Abril 15 2000
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VOZ Há uma voz que em mim Habita E que acredita Em teus olhos Eternos peregrinos Numa estrada de luz. Há uma voz que por mim Grita Por mim não se limita A escolher sem razão Sem emoção O que a verdade induz. Há uma voz em mim Verdade inteira E não há maneira Não há caminho Para fugir a este destino. Cristina Abril 2000
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A viagem Mais tarde, muito mais tarde Depois do adeus, durante a tristeza Procurei trazer nas palavras sentidas O desabafo do desejo A languidez do olhar A ausência do quotidiano Da monotonia O retorno da paz. E chorei Pelo vazio Pela imensidão de vozes De rostos Que invadiram esse silêncio... Chorei de raiva Chorei de abandono Com a dúvida de quem parte em viagem Sem bilhete, sem bagagem Voltei a mim, devolvida pelo cansaço Já não sei ser amiga Já não sei ser mãe Já não sei ser amante! O tempo desvirtualiza as emoções E as palavras perderam a força De antigas batalhas Perderam a voz E abraçam-me no silêncio. Mais tarde, muito mais tarde Durante a viagem O olhar ficou mais atento Grande na sua fome de carinho O tempo fez esquecer as certezas E os olhares tornaram-se pontos de interrogação. Da janela do meu imaginário Já avisto a próxima paragem Valerá a pena descer? cristina 30 novembro 1993 |
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Branca, pouca, louca I Branca Louca Pouca É a palavra Memória Que trago de ti Cantada a viva voz Rainha dos madrigais E toca-me a alma O sorriso A tristeza. II Branca Louca Pouca É a visão Que glória! Que trago de ti Pintada em fortes traços E toca-me a alma, O sorriso A beleza. III De ti toca-me tudo A palavra A memória A visão Que glória! A alma A tristeza O sorriso A beleza. Branca Louca Pouca É a certeza De voltar A ti..... Cristina Abril 20 2000
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Brinde Falámos de tudo o que acontece À volta de ti e de mim Com a urgência das cumplicidades E das palavras partilhadas Com sabor a nosso E dos dois. E no meio, brindámos Aos momentos de encontro, Ao que fica entre a Amizade E a Sedução. E o que vai ficando É a ternura Que se escapa entre as mãos. cristina 19 Fevereiro 1998
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Fazer-amor O pensamento prolonga A lembrança da voz E a música, os silêncios Obrigados, consentidos, ignorados E não há razão, Não há outra vontade Que interrompa o desejo O fazer-amor inconsciente Tantas vezes desejado Tantas vezes adiado. cristina 4 Dezembro 1993
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Leviandades.... Eu bem sei que tenho um jeito Quase leviano de viver... Mas... repara que o brilho Dos meus gestos Esconde a tristeza do meu não ser Tal qual desejo Como o sonho, devaneio Que os meus dias alumia. No silêncio do meu olhar, Encontras a quase serenidade De lutas longamente travadas Entre o que quis E o que fiz. Virá o tempo em que as palavras Não terão mais O sabor amargo De sonhos feitos ou interrompidos A paz virá por si... Como uma enchente de maré Numa madrugada singular. Cristina Fevereiro 3 1995
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Loucos No mundo dos loucos Loucos são aqueles que sorriem Que esperam o silêncio Das vozes E a calma dos passos. As tardes vêem as noites Chegar com promessas de paz E serenidade Sem os loucos Que nos chamariam loucos Se adivinhassem a beleza Dos encontros a sós Sem a multidão de rostos Que devoram intimidades Que não são as suas. cristina 20 Fevereiro 1998
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Noites e dias Há luz no teu olhar Quando as noites têm tempo para nós dois. Agora também os dias Têm sorriso e esplanadas E um sol que liberta As fantasias e dá perfume Aos suspiros que traem os silêncios E a música tem notas Quentes e melodiosas Que dão corpo a imagens Que nem eu Nem tu Temos coragem de nomear. Cristina 18 Fevereiro 1998
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Olhar O encanto Desceu em mim E floriu no sorriso Que me ofereceste. Doce, Suave, O aroma que nos perfumou Em dias sem sol brilhou Em noites sem lua guiou Os meus passos até ti... Senti-te quando não vi O sorriso ou o aroma Que me chegaram de ti O olhar não tem realidade Mas não tendo a possibilidade De estar É, por si só, a maternidade De um desejo Que nos dois Alcança a eternidade. Num momento sem luz... Maio 9 2000 Cristina
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EU, O SILÊNCIO E A SOLIDÃO Eu, o silêncio e a solidão Eramos quem estava aí Tudo a meus pés era silêncio Das palavras não ditas, Do amor esquecido.. Tudo a meus pés era solidão De desejos ausentes, de saudades adormecidas. A luz iluminava o corpo nu Faminto de beijos Tão só na imensidão do espaço O vento transporta suspiros Que não os meus Não os teus Mas de outros amantes. Tudo a meus pés era passado Sem alento Sem fortuna. Eu, O silêncio E a solidão Éramos quem estava aí. . . cristina . . Janeiro 8 1993
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Teia Um braço Um fio Um dedo Uniu A teia Que nos protegeu Do frio. Assim, Enlaçados, Abraçados Dedo em dedo, Mão na mão, Peito no peito, Tecemos A emoção. Entrelaçamos Aromas, Sabores, Desejos, E na cumplicidade Desse enlace Tecemos a teia Da felicidade. Tudo é partilhado, Mimado, Um braço, Um fio, Um dedo, Uniu A teia Que nos protegeu Do frio. Cristina Abril 14 2000
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Tempestade Às noites a vida tem outro sabor Outra luz Que a emoção liberta Solta, Muda, desperta, Seduz. Num céu riscado a fogo "Subimos no infinito da emoção Descemos lentamente par a par" E na entrega sem razão Incendiamos as almas Os corpos Iluminados pelo ardor lunar. Às noites a vida tem outra cor Tingida de contrastes e vertigens Espirais Esquecemo-nos de tudo E a beleza da entrega Tinge essa tela De palavras, beijos, E voo ao infinito do amor. Cristina Cabo da Roca, Maio 2000
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Vento O vento passou aqui Revolto e inquieto Procurando objecto Para acalmar a sua fúria O vento passou violento Aqui e ali Desceu vales, montanhas, Caminhos Despenteou meninos Brindou à loucura Depois cansado Aliviado Acalmou o passo Beijou os amantes E em segredos Escutou os votos Que se desprenderam Dos dedos Que acariciou Por instantes.... Cristina Maio 9 2000
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