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O custo emocional da invisibilidade

Embora casais homossexuais tenham sempre existido, sua visibilidade é relativamente recente.

Mesmo após a rebelião de Stonewall, em 1969, quando os gays americanos passaram a reivindicar abertamente seus direitos civis, o foco continuou a ser o da liberdade individual, com grande ênfase na liberação sexual.

Na década seguinte, boa parte da cultura gay emergente centrou-se na atividade sexual, tornando o padrão de múltiplos parceiros quase que uma norma nos grandes centros urbanos. Foi nessa época que estabelecimentos como bares, clubes e saunas tiveram o seu primeiro boom.

Como conseqüência dessa situação, muitos homossexuais em relações estáveis e de longa duração tiveram que enfrentar, além das dificuldades decorrentes de sua orientação sexual minoritária, também uma certa invisibilidade, dentro da própria comunidade homossexual.

Na maior parte das vezes, sem o apoio da família nuclear e sem o suporte social, tanto o da sociedade em geral, como o dos outros gays, casais homossexuais tendem a ter dificuldade em estabelecer uma identidade como casal. Mesmo quando reconhecidos como tal costumam ser tratados como "casal de segunda categoria", já que não existem oficialmente e, portanto, não merecem o mesmo tratamento que os "casais de verdade". E essa é uma das razões pelas quais muitos casais escolhem manter sua orientação sexual e seu relacionamento invisíveis.

Os autores americanos David Greenan e Gil Tunnell, em seu mais recente livro, Couple Therapy with Gay Men, afirmam que essa invisibilidade é extremamente danosa psicologicamente, pois propicia um terreno fértil para o sentimento de vergonha, que acaba por contaminar de forma negativa a auto-imagem dessas pessoas.

Ainda hoje, com todo o desenvolvimento que a comunidade alcançou, continua sendo um grande desafio para os casais homossexuais sobreviver sem modelos sociais, sem os limites tradicionais do que é ser um casal, sem os benefícios legais e econômicos do casamento e sem a aceitação plena da sociedade.

É comum, na minha atividade clínica, encontrar casais, que, embora se amem e desejem verdadeiramente manter o relacionamento, se deparam com as enormes dificuldades que tal compromisso requer.

Questões relacionadas ao estabelecimento de intimidade com outro homem, a escolha do modelo sexual (monogamia versus não-monogamia, monogamia emocional, etc), às expectativas so
bre papéis sexuais e tantas outras se tornam mais complicadas à luz do quadro de invisibilidade social descrito.

Klecius Borges é psicólogo, especializado em aconselhamento e psicoterapia afirmativa para gays.
CRP 06283-0

E-mail: [email protected]; www.kleciusborges.com.br

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