Descobertas científicas tentam explicar o comportamento lésbico - por Vange Leonel
As páginas científicas de jornais e revistas, dos mais sérios aos mais sensacionalistas, sempre trazem uma ou outra informação curiosa a respeito de fatores que podem determinar ou não o comportamento de uma pessoa. Algumas vezes surgem dados curiosos extraídos de pesquisas cujas metodologias ninguém tem acesso, mas que são estampados em manchetes chamativas, simplificando noções complexas e por isso mesmo dando margem a generalizações perigosas.
Entre os comportamentos que pretendem ser explicados, a homossexualidade parece ser o preferido, pois se trata de uma conduta "desviante" da norma e que desperta enorme interesse do leitor, provavelmente por ser muito excitante. Pense quantas vezes você leu manchetes como: "cientistas tentam descobrir um gene para a homossexualidade" ou "o hipotálamo dos gays é menor que o dos heterossexuais".
Por mais que seja próprio da ciência especular e formular hipóteses que serão descartadas depois, o jornalismo dito científico muitas vezes noticia descobertas precipitadamente, preferindo o caminho fácil do sensacionalismo e da simplificação exagerada.
Tendo tudo isso em mente, relato aqui nove descobertas a respeito da sexualidade feminina e/ou lésbica que apareceram na imprensa nas duas últimas décadas. Nunca se esqueça, cara leitora, que a estatística é uma média burra e a ciência jamais explicará a enorme complexidade do comportamento humano. Esclareço ainda que meus comentários jocosos não pretendem ridicularizar estes achados, mas apenas coloca-los em perspectiva, pois acredito que possam ser cômicos, ainda que trágicos.
1. Lésbicas gostam mais de beijar.
Para 95% das lésbicas o beijo é fundamental durante uma relação sexual, enquanto 71% dos gays acham o beijo importante. No caso dos heterossexuais, 25% não faz a menor questão de beijos durante o sexo. Não consegui achar a fonte desta informação, apesar de estar difundida amplamente na rede. Vox Populi, Vox Dei?
2. Mulheres são mais criativas que homens.
Segundo o relatório Kinsey, as mulheres são muito mais criativas que os homens quando se masturbam e, quanto mais estável é o relacionamento, mais freqüentemente elas praticam a arte da siririca (que em tupi-guarani quer dizer "o leve tremular das águas"). Será que é por isso que os casamentos lésbicos duram tanto? A conferir...
3. Lésbicas têm dedo comprido.
Cientistas da Universidade da Califórnia, em Berkeley, descobriram que a maioria das lésbicas tem o dedo médio mais comprido se comparados aos dedos das mulheres heterossexuais. Nas lésbicas, a diferença de tamanho entre o dedo médio e o anular é muito mais acentuada. Mesmo que tamanho não seja documento, é um alívio saber que pelo menos as lésbicas podem fazer bom uso desta vantagem anatômica.
4. Androgênio contamina ambiente uterino.
Os mesmos cientistas californianos especulam que tanto o tamanho do dedo como a orientação homossexual nas mulheres se dá, provavelmente, por causa da alta exposição do embrião aos androgênios (hormônio masculino) presentes no útero da mãe. Pode até ser. Mas será que até o fim dos tempos irão pensar que tudo quanto é mulher-macho é lésbica e tudo quanto é lésbica é machona? Desconfio que haja mais mistérios entre o céu e a Terra do que a vã filosofia naturalista ouse especular.
5. Algo sobre fantasias sexuais e androgênios.
Segundo os cientistas Napoleon Chagnon e William Irons altos níveis de androgênios no corpo estimulam o imaginário erótico, aumentando a capacidade de uma mulher fantasiar e se estimular sexualmente. Ok, eu me rendo: desejo, teu nome é Testosterona!
6. O tamanho do seu clitóris é o mesmo do seu discernimento.
Conforme especulou o psicólogo evolutivo Geoffrey F. Miller, o clitóris feminino evoluiu para um tamanho menor que o das macacas para aumentar o discernimento da fêmea humana. Se fosse mais protuberante, podendo ser estimulado mais facilmente, as mulheres iriam para a cama com qualquer pessoa que encontrassem pela frente, como acontece com os machos de nossa espécie. Como a escolha feminina é fundamental para garantir o bem estar da prole, as fêmeas humanas têm clitóris menores, mas por outro lado são muito mais exigentes. E você, cara leitora, se acha exigente? Ou às vezes sente que pegou a garota errada? Vai ver tudo depende do tamanho do seu clitóris...
7. Orgasmo múltiplo = ausência de ejaculação.
Kinsey e seus colegas descobriram que garotos púberes, que ainda não ejaculam, são capazes de ter orgasmos múltiplos. Assim, concluíram que a capacidade da mulher de alcançar orgasmos múltiplos se deve justamente ao fato de não poder ejacular. Permanece em aberto a polêmica em torno da ejaculação feminina: é um fenômeno psicossomático, uma histeria coletiva de lésbicas-feministas ou um X-File (a verdade que está lá fora)?
8. Lésbicas são mais canhotas ou canhotas são mais lésbicas?
Psicólogos em Toronto "descobriram" que há mais canhotas entre as lésbicas. O estudo foi publicado no jornal da American Psychological Association e também especula que o fenômeno se deve à alta exposição do embrião a androgênios no ambiente uterino. Fica a esperança de que pelo menos 50% das lésbicas sejam canhotas para que possamos fazer sexo "de ladinho" sem que uma de nós permaneça com o braço amassado debaixo do próprio corpo - se é que vocês me entendem.
9. Lésbicas têm ouvidos insensíveis.
Assim como a audição dos homens é mais tosca, pesquisadores da Universidade do Texas descobriram que as lésbicas têm menor sensibilidade auditiva que as mulheres heterossexuais. Resta explicar o paradoxo: se elas são mais surdinhas e têm o ouvido tão ruim por que existem tantas cantoras lésbicas?