E dá-lhe mimiógrafo!
Jornalismo nas Margens – uma reflexão sobre comunicação
em comunidades empobrecidas, da jornalista Elaine Tavares.

É tempo de megafone, cartaz de poste, rádio comunitária, construção popular da notícia e muita vida inteligente, rapaziada, é tempo de intervenção inteligente, concentrada. Articulada. É tempo de comunicação espontânea, concentrada e articulada. Segundo o jornalista José Arbex Júnior, vive-se hoje o auge do periodismo pautado pelo modo pilantra de ser. Vejam o que diz a contracapa de um de seus mais comentados livros, O Jornalismo Canalha (da editora Casa Amarela, de São Paulo): “Não raro, os próprios jornalistas aceitam fazer o papel de escribas do poder, reproduzindo o comportamento dos correspondentes enviados a Canudos, que não mencionaram – ou apenas registraram, muito de passagem – a degola de homens, mulheres e crianças. Muito poderia ser escrito sobre as razões que determinaram tal comportamento – do triunfo momentâneo do pensamento neoliberal, para o qual o mercado é o princípio inexorável da existência, ao puro e simples oportunismo de carreiristas que sabem o que devem escrever e falar para “se darem bem” na profissão. A título de exemplo, reproduzimos, em seguida, um trecho de artigo publicado na revista Caros Amigos, um dos raros veículos de expressão nacional que denunciam a conivência entre a mídia, a repressão oficial e os jagunços:
“Episódio 1: O jornalista Luis Costa Pinto, da revista Época, afirma, em Porto Alegre, em novembro [de 2002], que o MST é dirigido por um “núcleo duro” que, na verdade, não quer a reforma agrária, mas sim instrumentaliza o movimento para atingir seus próprios fins (...).”
E nos tempos da má loucura universal, no contexto das tormentas imperialistas “contra o terror”, “contra as drogas”, “contra o totalitarismo”, do pobre Afeganistão ao Iraque e ao Irã dos crentes de Alá, das sagradas montanhas da Colômbia e do Peru ao horror que se abate sobre os batalhões das gentes pobres de São Paulo e Rio (sejam moradores de comunidades sem renda, sejam policiais usados como bestas homicidas), esse jornalismo canalha apontado pelo querido José Arbex se serve do mais fundo prato cheio, a garantir a produção de ignorância pela chamada grande mídia. O subcomandante Marcos disse, certa vez: “A guerra do novo milênio é uma guerra semiótica.” Muita gente de pensamento e ação respondeu: “É uma verdade, a começar pelo termo Globalização”. E contra o jornalismo canalha dos bonitões e fanfarristas do palavrório de alta extração, ao fim das contas tão miserável e tão lastimavelmente acabado, a companheira Elaine Tavares ergue, pela vida diária dos movimentos do povo, o jornalismo libertador. O Jornalismo nas Margens – uma reflexão sobre comunicação em comunidades empobrecidas, discute diversos aspectos do trabalho dos comunicadores do povo trabalhador, ali onde vivem, ali onde riem ou choram a ampla luta humana. E é também algo que se pode considerar como um manual, um guia para a luta, por criar referências ao pensamento mais crítico e mais sofisticado a partir da experiência pura, inclusive a partir das relações de classe pura, e dos suportes à disposição de quem necessite promover o jornalismo popular. Quanto à escrita, este breve livro será também um alento e um apoio aos que almejam a alma ou os delírios postos em linhas, por uma questão de beleza do discurso sim, mas especialmente por encontrarmos aqui uma vasta reivindicação do que deve ser uma ética da escrita. Como sempre, alinham-se a irmã Ética e a camarada Estética. É o que se verifica, por exemplo, lá pelas tantas do capítulo 3, O Jornalista como ser poético e amoroso:
“O jornalista de que precisa o mundo dito pós-moderno – vazio de sentido e individualista – é um ser poético, que vá para além do humano, que consiga enxergar o que há de singular nos fatos, que ultrapasse a barreira da normose (a normalidade dos fatos), do igual. O ser poético é aquele que tem como pressuposto uma posição ética sempre a serviço da vida, da beleza, da festa, não apenas para alguns, mas para todos. Se isso é utópico ou até mesmo irreal, não importa.”
Para os comunicadores do povo e seus colaboradores, uma leitura saborosa e uma ferramenta.
Tamanho: 21x15 cm.
Número de páginas: 50.
Preço: R$ 5,00, mais as despesas postais.
É só pedir, que a gente envia.