E o corvo disse: Nunca Mais...

Uma Cidade na Memória, de James Dadam.

 

 

A casa publicadora Cia. dos Loucos tem a satisfação de convidá-los ao passeio agridoce ou mareado por Uma cidade na memória, com James Dadam, esse homem do Camboriú, Balneário das terras catarinenses, de olhos voltados à Estrela Polar, ao ano de 1930, à passagem dos integralistas e seu palavreado estranho, ao telhado caído de uma igrejinha, à velha de amores locais e acento alemão, à revolução sem mortos, aos filhos que partem ou voltam, à mulher de capa preta e aos barcos em direção à praia, ao pão assado em forno de barro e às meninas a vendê-lo, ao dia de domingo, ao Hotel Miramar. Sim, por supuesto, são memórias de um homem, são testemunhos e relatos de intimidade, é só isso, é tudo isso.

E a propósito das memórias-quadros-canções escreveu a jornalista Raquel Moysés:

“Ler James Dadam deixa o ser pleno de uma doçura um pouco amarga, a mente cheia de indagações sobre para onde o caminhar dos homens está levando a humanidade. O jovem jornalista se debruça sobre a história de sua gente com um olhar feito de nostalgia determinada. Não é um olhar saudosista, patético, que chora sobre o passado que se fecha de modo implacável e inexorável. O olhar que ele lança para esse passado é de desafio, denúncia e apelo para a vida (...)

“As histórias contam o que acontece com gente que se deixa “enterrar” pelas máquinas de guerra do progresso, que jogam sob os escombros os sonhos, as raízes, as memórias que fazem um povo se saber povo, se sentir filho de uma terra, parte de uma nação, cidadão de um mundo interligado pelo mesmo destino comum... James Dadam é absolutamente feliz no seu texto sobre a morte da igrejinha, que soterrou, com a sua queda, a parte talvez mais fecunda da identidade de uma cidade, de uma comunidade. James é feliz quando fala da história enterrada, pois só o que vive pode morrer. E a história é a vida, é a vida acumulada, preservada, transmitida, transformada, refeita com aquilo que se aprendeu, se reaprendeu e se reconstruiu... Finas essências de existências passadas que subsistem nas gerações.”

E nós, os de então, que podemos até nos considerar, quem sabe, herdeiros de alma ou irmãos menores de Monteiro Lobato, desde seu balanço de pés calçados e compassos de denúncia por entre as cidades mortas, vívidas pelo tempo sem-tempo da rua desaparecida ou de novíssimo arranha-céu, com que boca deglutimos as partes moles desse calendário (quiçá) de meridianos e nomes familiares? Jorge Luis Borges disse haver uma palavra original, a primeira – muito outros o disseram, de maneira que o evento poético chamado Religião se servisse do verbo a fazer-se carne, e mesmo dos sonhos propriamente ditos e seu pormenor obrador de significados, como um primeiro gênero de toda a Literatura.

Quanto a ti, James Dadam, acomoda-te e fala, lança aqui teu peão:

 

“É madrugada e o festival de bicicletas toma todas as ruas. Rápido e rápido, pedalam e pedalam. Roda a roda e roda o peão. São os trabalhadores da construção civil. Na mochila tem o peão, o café e a marmita. Chegam na obra e sobem degraus, sobem andaimes, descem degraus. Então alguém grita: “Manda a massa.” Põe o tijolo, pinta a parede, dobra o ferro, a cidade cresce. Tocam o sino, batem as marretas, funcionam as máquinas. Hora de ir embora. Lá vão as bicicletas tomando conta da rua de novo. Lá vão as mochilas sem peão, sem café e com a marmita vazia.” (Roda Peão, texto de Uma cidade na memória).

 

Tamanho: 21x16 cm.

Número de páginas: 92.

Preço: R$ 7,00, mais as despesas postais.

 

É só pedir, que a gente envia.

 

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