EU VI O PALESTINO MORRER

 

 

 

Ombros, luzes

 

ó homens do mundo

 

Hombres, cruces

 

e outro rastro

 

de sangue pela Terra

 

de teu sangue na areia

 

meu camarada em Gaza

 

em Bagdá ou Beirute

 

por uma sombra como a casa

 

de colunas partidas

 

e filhos em pedaços.

 

Ombros, armas

 

ó meu amor de gritos telegráficos

 

ó meu irmão desesperado e sozinho

 

ó também outra situação

 

deste homem distante, noutro

 

lado do mundo.

 

Vejo que me olha

 

minha filha pequena

 

com seus olhos

 

um pouco portugueses

 

um pouco africanos

 

um pouco árabes

 

e judaicos e bizantinos

 

entre a oliva e açafrão.

 

Darei à menina um cedro

 

quando crescer

 

que será para ela o Líbano.

 

Ombros, olhos.

 

Eu vi o palestino morrer.

 

A menina dorme um sonho

 

de manhã serena e pais moços

 

de mãos dadas pelo mundo.

 

O palestino morto se aproxima

 

e diz: “Bolivariano, este dia

 

sobre a América e a Arábia

 

será outro dia de minha vitória.”

 

Até amanhã, palestino.

 

 

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