Em novembro de 2008; desembarcando no aeroporto internacional de Caracas; Venezuela. Com clima quente e c�u encoberto, estava sendo recebido por Francisco Salvador e seu aluno de jiujitsu, Gerardo, no sagu�o de desembarque. At� ent�o, apenas contactado uma vez atrav�s de telefone e alguns e-mails, sob a poss�vel estada e treinamento de wing chun. Meu conhecimento sobre a cidade e o pa�s era praticamente zero e sobre a pessoa de Francisco apenas tinha referencias sobre ser a pessoa que introduziu o jiujitsu brasileiro na Venezuela. Indicado a Francisco pelo amigo em comum, Demian Maia (mestre de jiujitsu e expoente lutador do UFC). A adpta��o ao clima, temperatura, idioma e alimenta��o foram bem tranquilas e quanto a recep��o de Francisco, que mais parecia um brasileiro, brincalh�o mas ao mesmo tempo uma pessoa s�ria e determinada. Conhecendo-o melhor, pude saber que era um mestre de jiujitsu brasileiro, de alto n�vel, com mais de 18 anos de jiujitsu brasileiro (faixa preta formado pelo mestre F�bio Gurgel), faixa preta de karate shotokan, praticou boxe, foi lutador de vale tudo com cartel de 11 lutas invicto, criador e apresentador de um programa de artes marciais na Venezuela por sete anos, cursou treinamento de seguran�a de Krav Mag� em Israel. Atualmente empres�rio muito bem sucedido na �rea de seguran�a.

A pergunta que eu mesmo me fazia era qual sua inten��o de aprender e qual seria sua possibilidade em pegar as t�cnicas e como seria sua determina��o para o wing chun kuen, pois n�o � comum algu�m com alto n�vel em outra arte marcial se interessar por outro est�lo de combate, sem falar na humildade de querer aprender algo novo. Francisco Salvador me contara que devido as suas lutas de vale tudo, mesmo ganhando de seus oponentes havia tido les�es que o prejudicara fisicamente, e tamb�m estava muito chateado com o lado burocr�tico marcial na Venezuela (algo muito parecido com o que enfrentamos tamb�m no Brasil). Seu jiujitsu � de alto n�vel t�cnico e pr�tico, o qual confia plenamente, por�m sempre havia lido sobre wing chun e estava curioso sobre o estilo chin�s, interessado muito por pregar aplica��o direta, objetiva e funcional, e que estivesse poss�vel para pr�tica sem maiores problemas na quest�o f�sica, e que t�cnicamente poderia tamb�m aliar a seu jiujitsu. Chamou muita a aten��o tamb�m o fato de n�o necessitar de �rea espec�fica de treino, nem vestimentas espec�ficas.

Francamente meu interesse estava muito al�m de ensinar apenas pelo lado financeiro, seria ensinar algu�m que est� interessado em aprender, e em se tratando de um experte marcial e de outro pa�s se tornou mais interessante, um �timo desafio. Por casualidade ou por ter sido um momento certo; estava l�. Em trinta e dois dias de estada, foram trinta dias de treinos, divididos em dois turnos de uma hora e meia cada, baseados no primeiro n�vel, siu lim tao. For�ando t�cnicas e exerc�cios b�sicos, aliados a deslocamentos, giros, aplica��es e exerc�cios de sensibilidade, foco, velocidade, pot�ncia, explos�o. Inicialmente o treino iniciou com Francisco Salvador, mas ao final da temporada estavam mais tr�s pessoas (todos com experi�ncia marcial, fosse jiujitsu, boxe, karat�, aikido ou taekwondo) e o grupo inicial de wing chun em Caracas formou-se. Pela assiduidade, volume de treino e assimila��o das t�cnicas, Francisco Salvador assumiu o papel de aluno mais avan�ado no grupo. Suas inten��es em rela��o a treino e pr�tica se encontraram perfeitamente com minhas id�ias.

A id�ia inicial � de m�dio a longo prazo, com a forma��o de um grupo s�rio de pr�tica de wing chun kuen, com foco na defesa pessoal e a arte em si contida. Sem a necessidade de se montar uma academia em moldes comerciais. Ensino destinado a adultos, respeitando o ensino tradicional da academia Pinheiros em S�o Paulo. Al�m do treino formal de wing chun, tamb�m tive o prazer de dar aulas para um grupo de seguran�as entre os quais incluia um russo, que havia feito lutas no Brasil, participado no jungle fight em Manaus, um excelente lutador. Uma experiencia muito gratificante, pois o chefe da seguran�a, que tamb�m j� treinara full contact, e participar� de treinamentos de t�ticas de combate(tiro) na Am�rica Central, tamb�m gostou muito ao ver as t�cnicas de wing chun aplicadas em situa��es reais. Para 2009, aumentar� o interc�mbio, com novas idas a Venezuela e tamb�m vindas de alunos para o Brasil. O resultado foi o melhor poss�vel, tanto no aspecto t�cnico, como pela amizade estabelecida. Mais do que cerimoniais, pap�is, certificados ou trocas de favores, � fundamental car�ter, confian�a, educa��o e respeito entre praticantes s�rios de arte marcial. S�o pilares que se conquistam, n�o s�o comprados, ou t�o poucos obtidos com programas de marketing.
WING CHUN KUEN
PINHEIROS NA VENEZUELA
por Thomas Pinheiro
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