Essa época foi o início de nossas aventuras fora de casa, em São Paulo. Me dei conta rápido de que nosso namoro não iria muito longe se não fosse possível sairmos um mínimo de vezes também. O Nô era mais velho e a família muito rica, sempre havia na casa dele um carro sobrando que ele pegava mesmo sem ter carteira ainda. Ele guiava muito bem e nunca tivemos problemas, por outro lado acabávamos levando e trazendo todo mundo e isso era um fator importante de aceitação do nosso casal. Isso tudo graças às festinhas que a Patrícia nos convidava. Quando eram festas grandes onde passávamos anônimos não havia problema, quando era festa “família” preferíamos dar uma volta de carro pela cidade. Algumas vezes íamos a algum barzinho mais íntimo onde podíamos ficar numa mesa de canto qualquer sem chamar muito a atenção. Com o inverno chegando em São Paulo ficava mais fácil de sair na rua montada, chamando menos atenção.
Nessa época me realizei como puta com cara de anjo. Eu fazia de tudo para não chamar a atenção e principalmente eu falava o mínimo necessário, por razões óbvias. No início eu acabei passando uma imagem de uma menina muito tímida e discreta, eu quase não falava com ninguém. Por outro lado o Nô tinha direito a tudo entre quatro paredes, sexualmente ele era muito mais realizado do que todos os rapazes. O problema é que, descobri tarde demais, o Nô tinha o hábito de se vangloriar para os amigos das nossas peripécias na cama, nessas a fama correu. É claro que eu achava ruim o Nô contar para todo mundo o que fazíamos, mas ao mesmo tempo isso dava ao Nô um sentimento de superioridade que segurava o nosso relacionamento. Enquanto ele pensasse assim o risco seria menor dele se colocar em questão, de porque ele namorava uma menina “diferente”.
Como resultado eu despertava a curiosidade dos meninos e o ódio das respectivas namoradas. Eu notei que nessas festas eu sempre acabava chamando a atenção de uns dois ou três rapazes que se intrigavam comigo e colavam no meu pé. Um deles, Paulo, irmão mais velho da namorada do Gil, era bastante determinado. Um dia ele chegou numa festa, eu estava sozinha na cozinha pegando uma bebida. Ele foi entrando cumprimentando todo mundo, quando me viu só na cozinha veio direto e me falou baixinho, Olá, Paula, como vai essa bundinha? E ficou sorrindo para ver a minha reação. Gelei. Pela lógica eu deveria lhe dar um tapa, mas fiquei completamente sem ação. O jeito direto com o qual ele falou e ficou sorrindo perto do meu rosto deixou claro de que era sério mesmo, que ele queria me comer de verdade. Fiquei sem palavras, a única coisa que consegui foi sair dali sem falar nada.
Descobri nesse dia como é difícil para uma fêmea ser fiel, por melhor boa vontade que tenha. Se não fosse o local e o Nô ali ao lado acho que eu tinha dado para ele ali mesmo, na cozinha. Face a um homem de verdade e decidido a te comer só dá no máximo para adiar um pouco. Faz parte da nossa natureza, o nosso desejo passa pelo desejo do macho, se ele te deseja você passa a desejá-lo também, pouco importa a situação. Felizmente para mim o Paulo não atacou muito, mas quando nos víamos ele sempre me lembrava com um sorriso maroto de que ele continuava querendo.
Por outro lado a única menina que realmente nunca deixou de ser minha amiga foi a Patrícia. Nenhuma das amigas dela que conheci foram simpáticas comigo, chegavam mesmo a me hostilizar algumas vezes. Principalmente as namoradas do Gil e do Zeca, creio que era uma mistura de preconceito com medo de que eu tirasse os respectivos namorados do bom caminho. Certamente o Gil e o Zeca deviam me citar como exemplo na insistência em que elas fossem mais livres na cama.
Uma coisa que eu adorava era dançar. Comecei nas festinhas e depois me aprimorei junto com a Patrícia nas discotecas. Nessa época as discotecas tinham virado moda principalmente depois do filme “Embalos de sábado à noite”, em particular dançar em grupo. Muitas vezes dançávamos só eu e a Patrícia fazendo coreografias as mais sexy possíveis. Tivemos tanto sucesso que outras meninas começaram a fazer parte desse grupinho apesar de me hostilizarem em outras coisas. Os nossos namorados adoravam aquilo, mesmo porque eles não arredavam pé de perto e nós também não dávamos corda para mais ninguém. Me lembro de que ficávamos muito suadas de tanto dançar, mas isso parecia exitá-los mais ainda. Nos colocávamos em linha dançando juntas, de vez enquanto girávamos nossas cabeças juntas e no mesmo ritmo fazendo nossos cabelos voarem pelo ar ao som da música, era muito gostoso e divertido.
Nessa época comecei a comprar algumas roupinhas junta com a Patrícia, que tinha se habituado também com a minha versão sapo. Quando eu gostava de alguma roupa fingíamos que era para ela, ela experimentava e eu comprava ou não para mim. Ela vibrava tanto quanto eu nas lojas, depois chegando na casa do Nô logo ela queria me ver vestida com as novas peças. Muitas vezes ela descia comigo para me ajudar, dar palpites, me ajudar a me maquiar e me pentear. Foi numa dessas saídas com a Patrícia que comprei um vestidinho prateado acetinado bem curtinho que era lindo, fechado com uma gola roulé, o qual passei a usar para ir nas discotecas. Para contrastar vestia por baixo meias pretas bem escuras até as coxas e um tênis branquinho, com meias soquetes brancas também. Eu ficava literalmente um tesão com a luz negra, fazia o maior sucesso quando nos colocávamos a dançar juntas, tinha vezes em que a discoteca parava para ver, para orgulho dos nossos homens.
Algumas vezes alguns homens tentaram se aproximar de mim nessas ocasiões, mas sempre eu corria para os braços deliciosamente protetores do Nô e ele adorava aquilo.