História de Paula

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A infância de Paula, as primeiras descobertas


Hoje sou casado e pai de família, mas Paula nunca deixou de existir dentro de mim. Moro no exterior a mais de 20 anos, voltei poucas vezes ao Brasil. Recentemente tive de voltar à São Paulo para cuidar de problemas de sucessão e tive a oportunidade de voltar aos locais por onde passei a minha adolescência. A emoção era muito grande. Como estava sozinho aluguei um carro e desci a serra para visitar locais por onde Paula também passou. A visão daqueles casais de adolescentes me reacendeu a velha chama escondida com tanto custo, não resisti, liguei o meu laptop e deixei Paula explodir de volta à vida.

Vivíamos os anos 70, eram os anos finais da ditadura militar no Brasil. Nessa época os garotos de classe média em São Paulo como nós eram muito puritanos, platônicos, sexo ainda era assunto tabou. As meninas da classe média dificilmente perdiam a virgindade antes dos 20 anos. Éramos muito curiosos mas tínhamos de descobrir tudo sozinhos. Ao mesmo tempo tínhamos ouvido os ecos de 68, havia ficado o mito do amor livre, do “proibido proibir”... e ainda não existia AIDS.

A História que Paula é verídica, apenas os nomes das pessoas foram mudados. Nunca tive a coragem de contá-la a quem fosse, nem mesmo ao meu terapeuta. Penso que deixando Paula narrar o acontecido darei-lhe uma nova vida que ela merece, o que poderá talvez acalmar-lhe a ânsia de viver que nunca a deixou em paz desde então. E nem a mim.

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Desde pequena, sabe-se lá porque, me ví com vontade de usar roupas femininas. Talvez porque a minha irmã mais velha de vários anos lavava e deixava secando suas calcinhas no boxe do chuveiro. Quando eu tinha uns 14 anos comecei a vestí-las enquanto tomava banho. Eu enfiava “tudo” entre as pernas e vestia a calcinha até bem alto na cintura, de maneira a assegurar que as coisas ficassem no lugar e a calcinha entrasse bem na minha bundinha. Isso me deixava louca de tesão, em geral acabava gozando na calcinha, depois a lavava de novo no chuveiro. Algumas vezes eu ficava um tempão vestida assim brincando com a mangueirinha do chuveiro elétrico. Tirava a torneirinha e tentava enfiá-la no meu cuzinho puxando a calcinha de lado, ou brincava com os bicos dos meus seios que ficavam inchados. Algumas vezes colocava grampos de cabelo nos meus bicos dos seios, isso me deixava louca e eu acabava me masturbando deitada no chão do banheiro, de calcinhas e barriguinha para baixo, com uma mão entre as pernas como uma cadelinha.

Aos poucos fui pondo mais tempo nisso. Eu ligava o chuveiro, mas antes de tomar banho eu aproveitava do estojo de maquilagem que minha irmã deixava encima da pia para experimentar batom, base, rimel, etc. Quando dava eu ficava jogando conversa fora com a minha irmã no banheiro enquanto ela se maquiava, observando bem como ela fazia. Aprendi muito, em particular como usar o lápis sob os cilhos ou esticando e corrigindo as sobrancelhas. Outra coisa que percebi e testei comigo mesma foi tornar a boca parecer mais carnuda, mais feminina graças ao batom. Como eu tomava banho depois não havia problema colocar em prática o que aprendia observando a minha irmã, bastava lavar bem o rosto durante o banho.

No início eu não pensava em homens, não me sentia atirada por eles. Creio que o que me excitava era a própria visão do meu corpo vestido daquele jeito. Mas uma coisa leva à outra e comecei a fantasiar com rapazes, quase que por uma razão de coerência. Se eu gostava de me vestir daquele jeito e fazer aquelas coisas só podia ser porque eu deveria gostar de rapazes, não de meninas. E esse sentimento foi se desenvolvendo com o tempo. Percebi que quando uma mulher me chamava a atenção na rua o que me interessava era como ela estava vestida, como ficar tão gostosa, se aquela roupa cairia bem em mim, mas não em tê-la como mulher. Já dos rapazes eu tinha medo, ficava imaginando como seria um rapaz de pau duro empinado para mim, não saberia o que fazer numa hora dessas. Às vezes eu tentava comigo no espelho mas não era a mesma coisa, sempre era eu mesma e não outra pessoa, no tocar eu me sentia e isso atrapalhava tudo. Por essa razão eu nunca me masturbava “normalmente”, só sob forma de “cadelinha no cio”.

Nessa época eu tinha no bairro quatro bons amigos de infância que evidentemente haviam percebido que eu era meio bichinha. Embora eu me defendesse disso e reclamasse muito eles me enchiam o saco, me passavam a mão, me tratavam de “café com leite”. Evidentemente eu comecei a colocá-los nos meus sonhos. Hora com um, hora com outro, eles passaram a fazer parte das minhas fantasias enquanto eu me masturbava no chão do banheiro.

Tínhamos também algumas raras amigas no bairro. Um dia eu estava só com elas, num dado momento a blusa de uma delas caiu. Num pequeno lapso de tempo a menina ficou com os bustos de fora. Curiosamente ela disse para as outras, Ah, mas não faz mal, com ele não tem problema. Fiquei perturbada de ver seios pela primeira vez, mas ao mesmo tempo por eu ter sido assimilada às meninas por elas mesmas. O curioso é que eu fazia tudo para não dar bandeira, mas dava.

Morávamos em São Paulo, na Vila Madalena, minha família era grande: eu, minha irmã e dois irmãos, mas eu tinha o meu próprio quarto. Durante a madrugada, enquanto todos dormiam em casa, comecei a passar a chave bem devagarinho na porta sem fazer barulho e iniciei mais experimentações. Tive muita sorte, visto a hora nunca ninguém tentou entrar no meu quarto nesses momentos de maneira a que nunca tive de dar uma desculpa esfarrapada. Roubei umas calcinhas velhas da minha irmã e com o tempo cheguei quase à perfeição num arranjo muito confortável ao vesti-las fazendo desaparecer aquelas coisas à mais, fazendo-as voltarem de onde tinham vindo. Usava uns pedacinhos de fita crepe para manter tudo no lugar, descrevo com mais detalhes no final dessa História como fazia para quem estiver interessada. Mas o grande problema era esse, vestida daquele jeito eu me sentia no meu estado natural como se fosse a coisa a mais óbvia. Tinha imediatamente vontade de sair do quarto para fazer outra coisa qualquer, me sentia enormemente bem. Me dava um prazer enorme não sentir nada entre as pernas, eu tinha cada vez mais vontade de viver o tempo todo daquele jeito.

Eu tinha sido muito gorda quando criança. A partir dos 12 anos tive um estirão que me deixou magra na cintura, mas só na cintura, além de ter os cabelos bem longos porque era moda nos anos 70. Eu tinha tanto seio e cabelos que uma vez a mãe de um amigo, vendo-me numa foto de longe numa piscina, perguntou-lhe se ele tinha viajado com alguma menina. Eu passava facilmente por uma falsa magra. Quando eu vestia a calcinha e me olhava no espelho do quarto me descobria muito gostosa, com uma tanguinha fio-dental enfiada na bunda, com apenas um montinho que corresponde normalmente à vulva entre as pernas. De frente via o final da bundinha, não tinha mais nada ali. No final desse período me montava dessa forma e passava horas vestida assim dentro do quarto, honestamente me comendo com os olhos. Graças às fitas era possível inclusive de se ficar nua e abrir as pernas.

Uma vez cheguei a passar toda uma noite assim. Destranquei silenciosamente a porta do quarto e corri para baixo do lençol vestidinha só de calcinha, me dizendo que de qualquer forma minha mãe não iria perceber quando ela viesse me acordar de manhã. O problema é que passei a noite em claro porque estava muito ansiosa, excitada com o que sonharia vestida daquela maneira. Não dormí nem sonhei nada, acabei desistindo antes do Sol raiar.

Com o tempo passei a experimentar enfiar algumas coisas no meu rabinho, enquanto vestida de calcinhas trancada no quarto. Da mesma forma uma coisa levou à outra, por uma questão de coerência. Se eu gostava de me vestir daquele jeito só podia ser porque eu devia gostar de levar no rabo. Comecei com canetas tipo bic, entravam fácil mas eram muito finas, não sentia muita coisa. Passei a enfiar velas, não eram muito grossas mas já o bastante. O problema é que velas são feitas de parafina, escorregam mal. Passei a levar escondido para o quarto um pouquinho de manteiga, o qual punha um pouquinho na portinha do meu cu antes de enfiar a vela. Escorregava bem melhor, ia até o fundo, dava para vestir a calcinha por cima prendendo a vela bem enterrada no meu corpo. Ficava horas assim, rebolava, sentava encima, experimentava mil coisas e gozava à beça depois.

A vela em si não me dava um grande prazer, comecei a achar que faltava uma outra pessoa para fazê-la ir e vir no meu corpo. Mas me sentir de calcinha e espetada me excitava enormemente, quando gozava era ainda mais gostoso, sentia o meu cu chupando a vela, uma delícia. Tentei com objetos mais grossos, com uma cenoura por exemplo, mas aí já doía muito.

Enfim eu estava pronta para tentar um relacionamento, mas e a coragem? Desejava muito, mas via como eram maltratadas as “meninas” como eu. Pelo menos na fala das pessoas, além da vergonha de que meus pais soubessem. Por isso guardava isso tudo só para mim, sonhando com um príncipe encantado nas minhas noites solitárias fechada no meu quarto.

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