Recordo-me
Cleide Canton Garcia
Meu
olhar adolescente
fitava-te
com
idolatria!
Percebi
o acelerar do meu coração
e
o gélido tremor das minhas mãos
quando
teus lábios
cobriram
ao meus.
Sim,
amei-te!
Amei-te
com
todo o meu ardor,
com
minh’alma cheia de pudor.
Amei
teus braços que embalaram
meus
sonhos de amor.
Amei
tuas mãos macias,
teus
olhos ternos,
teu
vulto todo...
Amei
cada palavra tua,
cada
gesto de carinho,
cada
riso,
cada
lágrima,
cada
aceno...
Amei-te
até não mais poder!
Hoje
me envolves com os mesmos braços,
me
enlaças e tenho teus beijos,
talvez
não tão sequiosos,
talvez
não tão desejosos...
O
que houve?
O
que mudou?
Apenas
o tempo passou.
Nos
meus olhos já não há o mesmo brilho,
os
cabelos já perderam aquele viço
e
não brilha tanto ao sol.
Minha
pele já não tem a maciez de outrora
e
talvez o meu abraço
já
não tenha mais vigor.
Mas
o amor,
meu
amor,
Este
sim, mudou.
E
se não percebeste
ele
apenas amadureceu,
jamais
se perdeu
em
outros olhares
que
não fossem os teus.
Tu
te tornaste
mais
amigo que amante,
mais
sol e menos lua,
mais
homem, menos deus...
Por
isso te abraço forte
e
minhas lágrimas rolam.
Não
quero perder-te
mas
não consigo ser para ti
aquilo
que um dia fui.
Perdoa-me!
SP, 22/04/2003
16:55
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