MEUS POEMAS

 

                            A boneca  

                          Ser paulista

  Credo

Eu quero paz

Minh´alma está fria

Entardecer

Sonetos I

Sonetos II

Motivo

 

 

 

 

 

 

 

 

 


A boneca

Olavo Bilac

Deixando a bola e a peteca

com que ainda antes brincavam,

por causa de uma boneca

duas meninas brigavam!

Dizia a primeira - É minha!

É minha! - a outra gritava.

E nenhuma se continha e nem a boneca largava!

 

Quem mais sofria, coitada!

Era a boneca. Já tinha

toda roupa estraçalhada

e amarrotada a carinha.

 

Tanto puxaram por ela

que a pobre rasgou-se ao meio

perdendo a estopa amarela

que lhe formava o recheio.

 

E, ao final de tanta fadiga,

voltando á bola e a peteca.

Ambas, por causa da briga,

ficaram sem a boneca

Topo


Ser paulista

Martins Fontes

Ser paulista é ser grande no passado!

E ainda maior nas glorias do presente

É ser a imagem do Brasil sonhado,

E, ao mesmo tempo, do Brasil nascente!

 

Ser paulista é morrer sacrificado

Por nossa Terra e pela nossa Gente!

É ter dó da fraqueza do soldado

tendo horror à filaucia do tenente.

 

Ser Paulista é rezar pelo Evangelho

de Rui Barbosa, o Sacrossanto Velho,

Civilista imortal da nossa fé

 

Ser Paulista - em brasão e em pergaminho,

É ser traído e pelejar sozinho

é ser vencido mas cair de pé

Topo


    Credo

Guilherme de Almeida

 

Creio em São Paulo todo-poderoso

Criador para mim, de um céu na terra:

e num ideal paulista, um só glorioso,

nosso senhor na paz como na guerra,

o qual foi concebido nas "bandeiras",

nasceu da virgem alma das trincheiras,

padeceu sob o jugo de invasores;

crucificado, morto, sepultado,

desceu ao vil inferno dos traidores

mas, para um dia, ressurgir dos mortos

subir ao nosso céu e estar sentado

á direita do Apostolo Soldado,

julgando a todos nós, vivos ou mortos,

 

Creio no pavilhão das Treze Listas,

na santa união de todos os Paulistas,

na comunhão da terra adolescente,

na remissão de nossa pobre gente,

numa ressurreição do nosso bem,

na vida eterna de São Paulo

Amém!

Topo


    Eu quero paz

autor desconhecido

Quero meu filho brincando na praça

quero sorrir p´ro moço que passa

quero sentar ao lado... 

                                sem cuidado

                                da mulher... 

                               do menino...

                              do desempregado.

Sem medo do revolver guardado...

 

            Quero...

           sair na tarde frias...

            Caminhar na noite vazia

            olhar o mundo com alegria

                                Sem temor...

                               sem agonia...

                               sem vigília...

 

            Quero

                A criança dormindo...

                seu caminho seguindo...

                o velho se despedindo...

                                velhinho...

                                 partindo...

                                e a gente morrendo...

                                de morte morrida.

 

           Quero!...

          Um Brasil de vergonha na cara...

           De gente que AMA

           de gente que VIVE

           De gente que FAZ

           Basta

EU QUERO PAZ

Topo


        Minh´alma está fria

Roberto Coimbra

 

Minh´alma está fria, desabitada.

Sinto um enorme vazio em tudo.

Esta angustia é um grito mudo,

É a ausência de minha amada

 

Meus dias são recheios do nada,

Tristonhos, sem rumo e sem escudos,

Cinzentos, monótonos e sisudos.

P ´ra onde me levará esta estrada?

 

O tempo é um ribeiro que passa

a caminho do mar e do infinito...

Bebo de sua água em minha taça,

 

A sede diminuiu, é esquisito...

Meus sonhos agora são fumaças,

Enquanto no que já passou medito

Topo


Entardecer

Roberto Coimbra

 

O sol se cansou de um dia tão pesado,

vem caindo, rumo ao horizonte.

Mergulhará no oceano agitado,

P´ra que amanhã surja revigorante,

cobrindo tudo com um pano dourado

 

É um gostoso entardecer de verão.

A brisa sopra, é muito confortável;

os ruídos vão e vem com lentidão;

as flores exalam aroma agradável[

o canto dos pássaros chama a atenção.

 

É um momento de paz e harmonia,

sinto um prazer imenso de aqui estar,

sentindo esta beleza e magia;

Erguer ao alto um pensamento e rezar:

Senhor! a Tua obra me extasia!

Topo


            SONETO I

Luiz Vaz de Camões

 

Tanto de meu estado me acho incerto

que em vivo, tremendo estou de frio.

sem causa, justamente choro e rio

o mundo todo abarco e nada aperto

 

É tudo quanto sinto um desconcerto

da alma um fogo me sai, da vista um rio.

Agora espero, agora desconfio

Agora desvario, agora acerto

 

Estando em terra, chego ao céu voando

numa hora acho mil anos, e é de jeito

que cem mil anos não posso achar uma hora

 

Se me pergunta alguém porque assim ando

Respondo, não  sei; porém suspeito

que só porque vos vi, minha Senhora

Topo


SONETOS II

Luiz Vaz de Camões

 

Amar é fogo que arde sem se ver

é ferida que dói e não se sente

É um contentamento descontente

é dor que desatina sem doer

 

É um não querer mais que bem querer

é um solitário andar por entre a gente

é nunca contentar-se de contente

é um cuidar que se ganha em perder.

 

É querer estar preso por vontade

é servir a quem vence o vencedor

é ter com quem nos mata lealdade

 

Mas como causar pode seu favor

nosa corações humanos amizade

Se tão contrario a sí é o mesmo Amor?

Topo


Motivo (A viagem)

Cecília Meirelles

 

Eu canto porque o instante existe

e a minha vida está completa.

Não sou alegre, nem sou triste;;;

            sou poeta!

 

Irmão das coisas fugidías

Não sinto gozo e nem tormento

Atravesso noites e dias

                no vento!

 

Se desmorono ou se edifico

Se permaneço ou se me desfaço

- não sei, não sei. Não sei se fico

                ou passo!

 

Sei que canto. E a canção é tudo.

Tem sangue eterno, a asa ritimada

E um dia sei que estarei mudo.

            - mais nada!

Topo


 

 

 

 

 

 

 

 

 

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