Como seria o mundo sem religião?
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fonte: revista Época
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| TERROR O documentário de Dawkins para a TV inglesa exibe Nova York e o Word Trade Center com apergunta:"Como seria o mundo sem religiões?" |
Segundo os religiosos, Dawkins ignora a presença dos moderados. Outros afirmam que a argumentação de Dawkins é inadequada. Sem a religião também não haveria missionários para tratar de doentes de aids na África, defender lavradores na Amazônia, visitar os presos ou criar algumas das mais belas manifestações artísticas. Continuando o raciocínio de Dawkins, não haveria Taleban, mas nenhum budista teria erguido as estátuas gigantes. Tentar julgar as religiões pelo mal que em alguns momentos causaram é tão falacioso quanto fazer o mesmo com a ciência. Seria o mesmo que afirmar que, sem a ciência, não teríamos a bomba atômica, o efeito estufa, os acidentes de avião ou o assédio sexual pela internet.
A questão central levantada pelos novos ateus é até que ponto a religião é a única portadora de bons valores humanistas, como ética, moral e solidariedade. "Você realmente imagina que a única razão pela qual as pessoas tentam ser boas é para ganhar a aprovação de Deus?", diz Dawkins. Mas quem freqüenta qualquer culto pentecostal vê dezenas de depoimentos de pessoas que afirmam ter sido resgatadas de uma vida devassa exatamente pelo temor a Deus.
"Segundo essa lógica, sem a cenoura e o chicote divinos, as pessoas se entregariam aos desejos mais básicos, quebrariam promessas, trairiam os cônjuges, abandonariam seus deveres", diz Dennett. "Não encontrei nenhuma evidência que apoiasse a tese de que pessoas, religiosas ou não, tivessem maior propensão a matar, roubar, estuprar ou trair." Para confirmar isso, ele diz que entre os 2 milhões de presidiários americanos a proporção de religiosos - inclusive de não-religiosos - é a mesma que entre a população livre.
Dawkins tenta mostrar como os melhores impulsos humanos podem ter evoluído naturalmente, pelo mesmo mecanismo de seleção natural que produziu a linguagem. O instituto da generosidade teria se desenvolvido quando os humanos ainda viviam em bandos pequenos e a sobrevivência de todos dependia de cooperação. Há quem vá mais longe. Segundo Franz de Waal, um dos maiores especialistas em primatas, estudos com chimpanzés e macacos bonobos revelam que valores humanistas, como cooperação, solidariedade e amizade, já teriam emergido em espécies ancestrais dos humanos.
Um mundo sem fé poderia até ser moral. Mas teria tanta graça? Alguns ateus dizem que a espiritualidade não está necessariamente ligada à religião. "Poderíamos invocar o poder da poesia e da contemplação silenciosa", diz Sam Harris. No lugar da devoção a Deus, eles adotam a admiração pelo mundo natural, pelas belezas que o cosmo revela à luz da razão. É o naturalismo. "Ele ensina uma das coisas mais importantes do mundo", diz Greg Graffin, zoólogo da Universidade Cornell, nos Estados Unidos, e fundador da banda punk Bad Religion. "Existe apenas esta vida. Então, dê beleza e sentido a ela."
Essa sensação foi mais bem descrita pelo físico Albert Einstein, quando pressionado a explicar sua opção: "Sou um profundo religioso não-crente. Nunca imputei à natureza um sentido ou um objetivo, nem nada que pudesse ser entendido como antropomórfico. O que vejo na natureza é uma estrutura magnífica que podemos compreender apenas imperfeitamente. E isso deve encher a pessoa com uma sensação de humildade. Essa é uma emoção verdadeiramente religiosa, que nada tem a ver com misticismo".
Para pensar...
Como explicar, então, a fé que mobiliza bilhões de pessoas?
