Discurssão sobre crucifixos em Portugal |
fonte: indicado por um leitor
Podendo desagradar a muita gente - especialmente católica,
naturalmente -, retirar os crucifixos das escolas está em consonância com o
Estado laico que é Portugal.
Pessoalmente, pouco me afeta. Desconfio que também em nada irá alterar a vida
dos alunos das escolas. Desconfio ainda de que os próprios professores, os
funcionários e outros que ganham a vida a trabalhar nas escolas sofram revés ou
ganhem ânimo com tal medida.
Não: de fato, a única coisa que isto pode prevenir é que algum aluno mais incauto acabe por apanhar com um crucifixo na cabeça em caso de sismo. De forma análoga, a presença dos mesmos não traz nada de mais e é perfeitamente inócua: não influencia ninguém nem deixa de influenciar. Não está em causa o impacto da religião na vida das pessoas: está em causa a falta de impacto que um mero símbolo da mesma (não) tem numa sala de aula.
Gera-se assim, de uma forma insólita e sob um pretexto ridículo, mais uma guerrinha entre a organização República e Laicidade (da qual faz parte o insuspeito Fernando Rosas), que encarna o jacobinismo e tem como razão de vida a redução da Igreja à sua expressão mais ínfima e insignificante e a própria Igreja Católica - as reações têm sido exageradas e um pouco mais de contenção não faria mal (ainda hoje um conhecido dizia-me que durante a missa o padre fizera protesto contra a retirada dos crucifixos ironizando e dizendo que um dia destes os professores não podem ser catequistas); a veemência dos protestos acaba por empolar uma questão.É admissível que alguém pense que as escolas não deveriam ter crucifixos; é admissível que alguém pense que as escolas deviam ter os crucifixos. Não sei se será saudável que pessoas empenhem o seu tempo em lutar pela permanência ou retirada dos mesmos.
Resumindo e concluindo: será que uma medida tão anódina deveria, entre pessoas sérias, suscitar tantos problemas?
Para pensar...
Tirar ou não tirar a cruz? Eis a questão...