Em Portugal... |
fonte: Portal Ateu
autor: Ricardo Silvestre
data: 26 de maio 08
O fenómeno do cristianismo, leia-se protestantismo, em Portugal teve uma “domesticação” que foi muito positiva, principalmente depois dos escândalos que envolveram nomeadamente a Igreja Universal do Reino de Deus e os seus “pastores” milionários, que exploravam os seus crentes de formas que deixariam envergonhados os reis da idade média.
Apesar de menos declarada, continua no entanto a haver a suspeição que esta organização continua a manipular a constringir os seus crentes a contribuir monetariamente para os cofres da igreja.
Os defensores da igreja afirmam que não há uma obrigatoriedade de pagar, ou se houver contribuições, que tenham de atingir valores como os já muito discutidos 10% (ou o dizimo).
No entanto, é encorajada a ajuda, sendo que a base para este estilo de “política religiosa” está em passagens na bíblia, nomeadamente como sendo um acto de culto (Mateus 23.23 e Provérbios 3.9,10)
Não deixa de ser curioso, que a uma visita ao sítio da IURD em Portugal, no frontpage se encontre em grande destaque o banner da UniPro…que é a “loja on-line” da IURD.
Aí pode-se encontrar de tudo um pouco, desde CD’s, roupa, livros, bijutaria (quem diria que deus era um apreciador de fios com azuis brilhantes) e inclusive “óleo da unção Perfumado com essência de Nardo de Maria”.
E tudo isto a “preços para fieis” e com o serviço Visa para pagamentos seguros.
Afinal, pode ser que seja através do dinheiro que se chega a deus.
data: 09 de outubro 08
Da leitura de mais uma “mensagem” do “bispo” Edir Macedo do ramo protestante do cristianismo (mais um “líder espiritual” a dar só “bons conselhos”, neste caso ao rebanho que é os aderentes à IURD), e que pode ser visitado aqui, ficamos a saber que (as frases do “bispo vêm entre aspas):
“Há dois tipos de pessoas no mundo: as que crêem e as que não crêem em Deus (…) A fé e a dúvida sempre estiveram, e estarão, em conflito. Por conta disso, não há a mínima chance de paz na Terra. A fé é o poder de Deus para a salvação dos que crêem, enquanto a dúvida é o poder do mal para a destruição dos que não crêem.”
A ver se entendemos a mensagem do Sr. Macedo. É por causa dos que têm dúvidas que não existe “as mínima chance de paz na Terra”. Que interessante. E eu a pensar que os conflitos que existem no nosso planeta são exactamente por causa de pessoas que tem tanta a certeza que o seu deus é verdadeiro como o Sr. Macedo faz passar que tem a certeza que é o seu deus que é o verdadeiro. Mas os da “equipa” do deus certo são aqueles que tem a salvação, todos os outros estão condenados à destruição. Mais guerras santas no horizonte, aparentemente.
“Enquanto as pessoas de fé vivem na luz e são luz, as que vivem na dúvida permanecem nas trevas e são trevas. Como estabilizar esta convivência? Como pode haver paz entre seres humanos que, radicalmente, são opostos entre si? Impossível!”
Fantástico. É impossível. Isto é muito revelador do diálogo que pode haver entre religiões, e até mesmo entre diferentes denominações da mesma religião. E se é impossível, o que fazermos então? A resposta não demora.
“Essa é a razão por que o Senhor disse não ter vindo trazer paz à Terra: “Não penseis que vim trazer paz à terra; não vim trazer paz, mas espada. Pois vim causar divisão entre o homem e seu pai; entre a filha e sua mãe e entre a nora e sua sogra. Assim, os inimigos do homem serão os da sua própria casa.”(Mateus 10.34-36).”
Ora ai está mais um “ensinamento” que continua a soar bem dizer (ou neste caso escrever) por parte de “condescendentes” como este senhor: é a espada que eu trago, e cairás na espada, e haverá divisões, entre pais e filhos, entre noras e sogras (ai, há quase sempre divisões). Mais uma mostra de como a bíblia continua a servir para disseminar a intolerância e o extremismo.
“Os que são da fé compreendem os que são da dúvida. Afinal, quem é da fé também já esteve do outro lado. Porém, jamais concordarão entre si. Os da descrença vêem os da fé como fanáticos porque esses acreditam no invisível. Portanto, enquanto houver humanidade, haverá conflitos.“
Neste caso vejo-o a si, “bispo” Macedo como um fanático, sim. Um intolerante, um extremista, um fundamentalista, um oportunista, um factor de recuo para uma sociedade moderna e progressista.
Não é porque você acredita no seu “amigo invisível”, mas sim porque você acredita que é o seu “amigo invisível” é melhor que todos os outros “amigos invisíveis”, e que quem não acreditar no mesmo que você acredita é necessariamente um “inimigo na própria casa”.
Você, Sr. Macedo, é que o inimigo na nossa casa.
Para pensar...
Já parou para pensar na riqueza que a Universal possui? Daqui a pouco ela vai comprar um país só para ela, ao estilo Vaticano...