19/02/08, dia em que assumi o meu ateísmo |

Dia 19 de fevereiro de 2008, foi o dia em que eu definitivamente me tornei um ateu. E não foi à toa, virei um ateu graças a Deus, o mesmo Deus da bíblia. Vou lhes contar a minha historia:
Hoje eu tenho 23 anos, sou casado, amo muito a minha esposa, tenho uma filha linda de 7 meses que é muito saudável e inteligente, o nosso orgulho, mas muito antes de ter minha filha e de conhecer a minha esposa, eu era um crente perfeito da igreja Assembléia de Deus. Tudo começou quando estava para fazer os meus 16 anos, após uma conversa interessante com um presbítero da Assembléia, fui até a igreja dele e me converti. Apenas 5 dias depois, já estava pedindo uma oportunidade para pregar na igreja, e não é que eu fiz bonito? Só não fui aplaudido porque a doutrina não permitia hehe! Bom, conforme ia conhecendo essa maldita doutrina, fui mudando: tirei o cavanhaque, passei a usar roupas claras (para não lembrar nenhuma espécie de roqueiro ou bruxo), a andar só de calça, deixei de falar palavrão, mentir e etc e tal. Depois disso, como achava que era realmente importante justificar a doutrina da igreja com base na bíblia (afinal, teoricamente a igreja deveria seguir apenas esse livro), parti para as minhas pesquisas, no esforço de achar todas as justificativas bíblicas para essas doutrinas, a fim de mostrá-las aos incrédulos para que se convertessem e deixassem de pecar, mas aí...
Conforme seguia em minhas pesquisas, como bom leitor que sempre fui, via que as doutrinas da igreja eram em sua maior parte baseadas em versículos isolados, sem o seu contexto, mas como não podia deixar de acreditar na igreja, fazia um esforço tamanho para justificar para mim mesmo o uso dessas doutrinas, porém minha mente sempre me lembrava dessas coisas, que obviamente estavam erradas.
Após uma série de problemas que tive na igreja com alguns membros, não por minha culpa, mas por causa de fofocas e intrigas (acredite, que vieram da própria liderança), me vi em completo isolamento, sem amigos ou colegas, era apenas eu e Deus. Depois passei por uma série de privações, muitas vezes passava fome simplesmente porque não tinha dinheiro para comprar nem um pastel, e olha que a fome batia sempre nos dias em que passava o dia inteiro na igreja, quando supostamente Deus deveria prover o meu alimento, uma coisa básica. Essas coisas estou dizendo resumidamente, mas a verdade é que sofri bem mais, bem mais mesmo, até que, chorando, resolvi orar, disse para Deus que não agüentava mais naquilo, era uma oração que, entre soluços, sabia que seria a minha ultima. Final de 2002, quando o ano novo chegava, estava decidido que no passar do dia 31 de dezembro para 1º de janeiro, não mais serviria a Deus, iria por conta própria dar a volta por cima de todos os meus problemas, abandonar de vez toda doutrina religiosa, e reclamar aquilo que a igreja tinha me roubado: a minha vida.
Ano maravilhoso que foi 2003. Arranjei uma namorada, um emprego, perdi a virgindade, conheci e tive grandes amigos. 2004 foi meio difícil, deixei o emprego para me dedicar aos estudos, mas continuava vivendo, e muito feliz. Em 2005, lembrei de Deus, e num dia como se estivesse conversando com Jesus, voltei para a igreja, porém mais maduro do que antes, mais sábio do que nunca. Passei alguns meses lá, conheci a minha esposa, me casei, fugia das tolices que eram as armadilhas que haviam me pegado no passado (as profecias de uma irmã, visões de pastor fulano, e blá blá blá), e então voltei a refletir, pensar e filosofar. Mesmo na igreja, fiquei convencido que aquela conversa com Jesus que tive, não passava da manifestação fértil da minha mente. Passei a deixar de freqüentar os cultos, passei um ano assim, sendo evangélico mas evitando a igreja (evitando principalmente a hipocrisia, pois tomando a bíblia como principio, igreja nenhuma está correta), e assim foi até que, quando me lembrei e me deparei com as contradições da bíblia. Rapaz, havia fugido dessas coisas desde que me converti, na verdade em 2002, as contradições de Paulo nas epístolas dele me ajudaram a “desviar” do caminho de Deus, mas já agora, nesse ano, com todo o conhecimento que havia adquirido até então, com a minha razão e lógica, ficou impossível ignorar esse fato, de tal forma que não tenho nem como explicar. Era aquela historia do Caim ter construído uma cidade sozinho (como, com quem, se até então de gente só existia Adão, Eva, Abel que tava morto e ele mesmo? Com quem raios ele se casou ou fez sexo para ter gerado uma cidade? Ou pior, de que buraco apareceu gente para povoar a tal cidade?), do Deus que não peca ter dado dicas e ajudado o “senhor gente boa” Jacó a surrupiar um monte de gente, e a roubar a tal promessa, as desculpas e o esforço descomunal de Mateus em justiçar Jesus como o messias, distorcendo o antigo testamento para isso, e uma porrada de outras coisas, que se fosse listar daria para escrever outra bíblia...
Então, não teve mais como seguir esse Deus, ficou claro que ele não existe, que a bíblia é o que sempre: um conjunto de livros todos escritos por homens, nada mais. Logo, fica aqui o meu recado, a minha confissão: sou ateu, e o pretendo ser até o fim dessa minha vida, que a propósito, não entregarei nunca mais a deus algum, seja ele Jesus ou o diabo que for.
De resto é isso, agora eu vou seguir esse novo caminho, e como estou satisfeito, pois é um caminho que poderei trilhar com toda liberdade e certo de que terei sempre resultados bons e sem decepções. Obrigado pela atenção, e até mais!Para pensar...
O mundo só será perfeito quando o último papa for enforcado com as entranhas do último padre!!!
Revolucionários franceses no séc. XVIII