| Programas de Doze� Passos. (excerto do capitulo) Francisco Henriques |
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| CONCEITO DE AUTO-AJUDA | ||||||
| Os AA - Alco�licos An�nimos(1976) �definem-se como uma comunidade de homens e mulheres que partilham entre si a sua experi�ncia, for�a e esperan�a para resolverem o seu problema comum e ajudarem outros a recuperarem-se do alcoolismo. O �nico requisito para se ser membro � o desejo de parar de beber. Para se ser membro de AA n�o � necess�rio pagar taxas de admiss�o nem quotas. O AA n�o est� ligado a nenhuma seita, religi�o, institui��o pol�tica ou organiza��o; n�o se envolve em qualquer controv�rsia, n�o subscreve nem combate quaisquer causas. | ||||||
| Os NA - Narc�ticos An�nimos(1991)e os outros grupos de auto-ajuda incluindo os Al-Anon e FA definem-se de modo semelhante e aplicam os mesmos princ�pios e procedimentos que os AA. Criaram a sua literatura e tem individualidade e personalidade organizacional pr�pria. | ||||||
| Segundo a Organiza��o Mundial de Sa�de (1994)os grupos de auto-ajuda s�o definidos como grupos em que os participantes se apoiam uns aos outros no processo de recupera��o da depend�ncia do �lcool, outras drogas, de problemas associados ao consumo, ou dos efeitos de outras depend�ncias, sem hierarquia ou orienta��o profissional. | ||||||
| S�o exemplo de grupos de auto-ajuda de 12 passos: AA - Alco�licos An�nimos,� NA- Narc�ticos An�nimos, Al-Anon - Familiares e amigos de alco�licos e FA - Familiares e amigos de toxicodependentes | ||||||
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| Os grupos de auto ajuda como instrumentos de recupera��o | ||||||
| Dois autores chave para estudo e compreens�o da problem�tica do �lcool, Jellineck (1960) em The Disease Concept of Alcoolism� e Vaillant[1] (1999) em A Hist�ria Natural do Alcoolismo Revisitada, consideram decisivo o contributo dos Alco�licos An�nimos para compreens�o da doen�a, bem como a sua utilidade na recupera��o das pessoas com problemas com o �lcool. | ||||||
| A bibliografia na �rea da adic��o de l�ngua inglesa, na generalidade, considera ser �til ou muito �til a frequ�ncia das reuni�es dos grupos de auto-ajuda de AA/NA pelas pessoas em recupera��o. A literatura cient�fica em l�ngua francesa, com excep��o do Qu�bec, pouco fala dos grupos de auto-ajuda. Em Portugal as refer�ncias bibliogr�ficas tamb�m s�o escassas ou mesmo marginais pois s� agora come�a a existir uma cultura cient�fica do movimento de auto-ajuda. | ||||||
| Tamb�m as recomenda��es da OMS (1995) consideram n�o se poder discutir os problemas do �lcool sem incluir os AA. | ||||||
| Nos tratados de medicina interna (Harrison, 1991e Cecil, 1988) e de psiquiatria geral (Kaplan & Sadocks) recomenda-se o envio das pessoas com problemas de �lcool ou outras drogas aos grupos de auto-ajuda. Mais especificamente na �rea do tratamento do alcoolismo ou da medicina de adic��o (Gitlow1991, Galanter 1994, Lowinson 1997,Schuckit1998, e a ASAM[2] 1994) ou da psiquiatria de adic��o (Miller1994) � fortemente recomendada a inclus�o da frequ�ncia dos grupos de auto-ajuda no programa de tratamento. | ||||||
| Por exemplo, Edwards (1987) em "O Tratamento do Alcoolismo" dedica o cap�tulo 15 aos Alco�licos An�nimos, e refere: "Pode haver exagero nas alega��es de sucesso e universalidade dos AA e seu conceito de doen�a pode estar em desacordo com o modelo empregado por alguns terapeutas. Mas n�o h� d�vida de que, al�m do benef�cio directo que os AA proporcionam a muitos bebedores, tamb�m t�m muito a ensinar ao terapeuta a respeito dos processos que ajudam e influenciam a recupera��o. H� toda uma sabedoria que pode ser obtida junto aos AA". | ||||||
| Marlatt & Gordon (1985), que com a Preven��o da Reca�da revolucionaram a componente profissional do tratamento do alcoolismo na d�cada de 80, embora cr�ticos do modelo de doen�a, n�o excluem a utilidade da frequ�ncia das reuni�es de AA. | ||||||
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| Entre as vozes discordantes da utilidade dos grupos de auto ajuda destaca-se Peele (1992, 1995), que se op�e� ao modelo de doen�a e considera que os 12 passos n�o s�o �teis no tratamento . | ||||||
| Tamb�m discordante, e em alternativa aos grupos de auto-ajuda, Trimpey (1996) prop�e a Recupera��o Racional - RR um m�todo para atingir a sobriedade sem ajuda de um poder superior. Alguns dos conceitos da RR s�o baseados no modelo racional-emotivo de Ellis. As reuni�es de membros s�o facilitadas por profissionais treinados no modelo. | ||||||
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| Modelo Minnesota | ||||||
| A outra forma de considerarmos os grupos de auto-ajuda � integr�-los formalmente[3] no programa de recupera��o. O modelo Minnesota integra os AA/NA no tratamento. Alguns autores consideram que o� tratamento com mais sucesso para a depend�ncia qu�mica � o que combina os princ�pios e programa de 12 passos de Alco�licos An�nimos com aconselhamento e terapia profissional (Gorski 1986, Carrillho 1987). Para alguns pacientes, a frequ�ncia dos grupos de auto-ajuda e a interven��o profissional funcionam sin�rgicamente. Os AA/NA ajudam a atingir a abstin�ncia, e a psicoterapia e aconselhamento ajudam a lidar com problemas psicol�gicos e interpessoais que causam desconforto e stress (Kaplan e Sadock) | ||||||
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| [1] Vaillant esteve em Portugal em 2000 e proferiu um palestra sobre o papel dos grupos de auto-ajuda na recupera��o. | ||||||
| [2]American Society of Addiction Medicine - Principles of Addiction Medicine, 1994, Chevy Chase Maryland, 1994 | ||||||
| [3] Despacho n.� 13 043/2000 do Gabinete do Secret�rio de Estado da Defesa Nacional, de 6 de Junho de 2000, Di�rio da Rep�blica, II S�rie n.� 146 ? 27 de Junho de 2000.� Diz. "Em 1987, provisoriamente no Hospital da Marinha, planifica-se uma unidade de reabilita��o biopsicossocial que introduz pioneiramente em Portugal o modelo Minnesota e inicia o seu funcionamento, em Janeiro de 1993 a Unidade de Tratamento Intensivo de Toxicodepend�ncias e Alcoolismo, Servi�o de Utiliza��o Comum das For�as Armadas (UTITA)". | ||||||
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