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PROJETO DE EMENDA À CONSTITUIÇÃO –
O TREM DA ALEGRIA
VERGONHA NO SERVIÇO PÚBLICO!
Cargo Público vai
virar cabide de emprego dos Políticos
Por meio da PEC
02/2003 em tramitação no Congresso Nacional, pretende-se o ingresso de
servidores requisitados nos órgãos de destino, onde exercem suas
atividades, sem o concurso público específico para os respectivos
cargos.
É vergonhoso
imaginarmos que um funcionário público municipal que recebe em torno
de R$ 600,00 (seiscentos reais) mensais, passe a receber em média R$
2.500,00 (dois mil e quinhentos reais) sem ter feito nenhum esforço
para isso. Sem ter sequer comprado uma apostila para concurso, sem ter
lido uma linha das legislações diversas sobre as quais se debruçam
desesperadamente quem busca um emprego público durante anos.
Se isto não é uma
vergonha, perdemos a capacidade de diagnosticá-la.
O intento não pode
passar despercebido aos olhos da sociedade e dos poderes competentes,
visto que ofende determinação constitucional da obrigatoriedade do
concurso público específico para cada cargo além de outros princípios
constitucionais basilares como o da moralidade e da impessoalidade.
Se aos poderes
executivo, legislativo e judiciário não cabe ficarem inertes diante de
tal agressão a nossa Carta Maior, também a sociedade não pode
esquivar-se da responsabilidade de defendê-la, haja vista que o que se
almeja com a PEC 02/03 ofende não só às normas jurídicas de nosso
ordenamento pátrio como também afronta a decência na administração
pública, já que o que se pretende é burlar a exigência do concurso
específico, uma conquista obtida com a Constituição de 1988, que
moralizou a administração pública no que concerne ao ingresso nos
cargos públicos.
A PEC/2003
representa um retrocesso no preenchimento de vagas no serviço público,
eis que democratizado com a vigência da CF/88, permite tal acesso de
forma igualitária, por todos aqueles que se empenham, que se desdobram
diuturnamente em estudos preparatórios para concursos.
É do conhecimento
geral que hoje, no Brasil, milhares de pessoas aspiram por um cargo
público, pelas vantagens que este oferece em especial, levando-se em
consideração a precária situação econômica do país, refletiva na
instabilidade e no desemprego.
Estas pessoas
investem muito, não raro durante anos e anos, em tempo, recursos
financeiros dos quais nem sequer dispõem, viagens para freqüentar
cursos preparatórios em outras cidades, especialmente as que residem
nas cidades do interior, submetendo-se aos perigos das estradas do
país. Basta uma rápida análise dos diversos cursinhos preparatórios
que crescem cada vez mais fomentados pelo sonho destas pessoas, de
tornarem-se mais um servidor público. Estas pessoas abstêm-se do
convívio familiar para se prepararem para os concursos, já que, em
regra, são trabalhadores do comércio, da indústria, com cargas
horárias pesadíssimas, que somente dispõem de tempo para estudar nos
fins de semana. E é o que fazem. Desdobram-se sobre livros, apostilas
para concurso, durante a noite, madrugada e nas raras horas vagas.
Somente quem passou por isso sabe o que é.
Cabe uma
apreciação mais atenta quanto aos servidores que pretendem se
beneficiar da PEC 2003. São pessoas que, requisitadas de seus órgãos
de origem, prestam serviços em órgãos distintos da administração
pública. Ora, é claro que tal requisição não lhes causou nenhum
prejuízo, do contrário não estariam interessados em continuar no órgão
de destino. As requisições, quando intentadas pelo servidor, têm por
especial objetivo a proximidade da residência da família, ou seja,
elas possibilitam ao funcionário a aproximação com a família,
portanto, um grande benefício.
As requisições
também oportunizam ao já servidor alcançar novos objetivos,
progredindo na carreira, já que muitas das vezes realiza cargas
horárias bem razoáveis compatibilizando-se horários de trabalho com os
de estudo. Com este benefício, só não estuda quem não quer!!!
Um dos fundamentos
da PEC é a que os servidores já estariam familiarizados com o serviço
nos órgãos de origem, pois lá já prestam serviços a longos anos. A
esta afirmação cabe uma boa observação: Primeiramente, cumpre destacar
que, obviamente se o servidor está a anos prestando serviços num
departamento, tem mais a obrigação de fazê-lo com perfeição. Não se
trata de nenhuma vantagem. Por outro lado, se estão a tanto tempo numa
função, detêm conhecimento suficiente para lograrem êxito em relação
aos concorrentes nos concursos públicos. Esta sim é uma enorme
vantagem. Então porque não os enfrentam? Se estas pessoas estão a anos
cumprindo funções públicas por meio de requisições, é porque falhou a
administração pública na determinação de novos concursos para agraciar
aquelas pessoas realmente merecedoras desta chance. Negar-lhes isto, é
que é uma justiça.
É fato não
ignorado pela administração pública que a devolução destas pessoas aos
seus órgãos de origem abrirá muitas vagas no serviço público, que, com
os devidos concursos, serão abastecidas por pessoas que estão
aspirando por esta oportunidade não de braços cruzados, aguardando por
uma decisão indecente que os abarcarão a melhores salários, para os
quais não se mexeram durante anos a fio, mas sim por aquelas que vêm
lutando contra o tempo, o cansado, a falta de dinheiro, as ausências
aos eventos familiares, para alcançarem um meio mais digno de
sobrevivência.
O concurso público
específico para cada cargo é, sem dúvida, a forma mais justa,
democrática, honrosa e decente de ingresso no serviço público, e
representa hoje uma conquista da sociedade brasileira. Quem pretender
nele ingressar, que o faça pelas portas do mérito. Por isso, devemos
todos, poderes executivo, legislativo e judiciário, e demais membros
da sociedade lutarmos contra esta IMORALIDADE.
Se a PEC 2003 for
aprovada, teremos esdrúxulas situações tais quais a de servidores
municipais, ou seja, que fizeram concursos públicos para a Prefeitura
de suas cidades, ou de outras cidades diversas, e, portanto,
absurdamente alheios aos concursos próprios dos órgãos de destino,
ingressando em cargos públicos federais. É o caso de centenas de
funcionários públicos municipais que prestam serviços em Zonas
Eleitorais de todo o país. É vergonhoso imaginarmos que um funcionário
público municipal que recebe em torno de R$ 600,00 (seiscentos reais)
mensais, passe a receber em média R$ 2.500,00 (dois mil e quinhentos
reais) sem ter feito nenhum esforço para isso. Sem ter sequer comprado
uma apostila para concurso, sem ter lido uma linha das legislações
diversas sobre as quais se debruçam desesperadamente aqueles que
buscam um emprego público durante anos.
Se isto não é uma
vergonha, perdemos a capacidade de diagnosticá-la.
A situação
pretendida, para beneficiar os servidores requisitados do Congresso
nacional, pode acarretar e ser exemplificada da seguinte forma:
João é funcionário
da Prefeitura de Santo André. Uma zona eleitoral de Sto André
requisita um servidor da Prefeitura da cidade para compor a falta de
funcionários do quadro do TRE, TRF, TRT. Este servidor foi escolhido
“a dedo” pelo administrador municipal (prefeitos, secretários...) e
será João. João fez concurso apenas para ser funcionário municipal e
pertencer ao quadro da Prefeitura de Santo André. Não desmerecendo o
concurso público municipal, é só pensar que João concorreu apenas na
cidade de Santo André, universo bem menor de concorrentes e grau de
dificuldade muito inferior ao que se observa num concurso com os dos
TRE’s, para o que se necessita de anos de preparação, a se pensar que
as pessoas que batalham – as que batalham!!! – dignamente, dividem o
tempo com trabalho e estudo.
Será que é tão
difícil perceber o que acontecerá se aprovada a PEC 2003? É bom
lembrar de um termo muito comum antes do advento da CF/88: “trenzinho
da alegria”. É certo que tenhamos nos esquecido, já que desde então o
preenchimento dos cargos públicos são democráticos e dignificantes.
Espera-se que não tenhamos que nos reportarmos a este termo novamente,
se assim o fizermos, estaremos retrocedendo ao invés de avançarmos na
moralização deste país.
Rogo aos
Excelentíssimos Senhores Deputados que reflitam com total consciência
e acuidade sobre o assunto.
Gostaria de fazer
um apelo especial aos senhores: como os senhores se sentiriam ao ver
um filho passar dois anos trabalhando oito horas diárias numa
indústria e, ao retornar do trabalho às 20 horas, ainda encontrar
fôlego para estudar até às três horas da madrugada; encontrar
disposição para voltar ao trabalho às oito da manhã do dia seguinte;
conseguir reunir forças para nos fins de semana viajar de cidades do
interior para capitais de todo o Brasil para freqüentar cursos. Tudo
isto visando a uma ascensão profissional com conseqüente acréscimo de
salário e melhoria nas condições de vida. Pois bem, como os senhores
se sentiriam ao ver um filho passar por este sacrifício durante anos e
ser agora preterido em função de alguns que se privilegiarão, com a
absurda providência que pretende a PEC 02/2003.
Suplico-lhes que
se coloquem nesta situação, ao menos para imaginar como se sentiriam
ao ver um filho perder uma chance, pela qual lutou com tamanha
dignidade, para aqueles que nada fizeram, ao contrário, CURTIRAM A
VIDA enquanto outros se esforçavam.
Se estes
requisitados finalmente forem devolvidos, o número de vagas a serem
preenchidas por quem as merece será enorme. Quem está estudando,
batalhando, esforçando-se espera ansioso por este acontecimento.
O problema do
serviço público que se utiliza de requisições é bem fácil de se
resolver, basta serem realizados concursos. O argumento de que a
justiça eleitoral precisa de servidores requisitados não cola, e mais,
é imoral.
As únicas pessoas
capazes de não se sensibilizarem a esta situação são aquelas que não
estão acostumadas a lutarem com dignidade para lograrem êxito
financeiro e profissional. Aquelas que são agraciadas por amizades e
favores políticos. Quem é digno, quem é honesto, quem é decente, quem
pretende crescer pelos próprios esforços, não fica inerte diante desta
vergonha.
Com apelo de mãe,
venho rogar-lhes atenção especialíssima nesta situação, a fim de que
esta proposta não seja levada à votação, ao contrário, que contribua
os poderes legislativo e judiciário para sua solução definitiva, e
conseqüente moralização de que tanto precisa o serviço público no
Brasil.
Espero que este
apelo encontre ressonância de tal sorte a permitir que se renovem as
esperanças no LEGISLATIVO e JUDICIÁRIO brasileiros.
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