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fabuletas
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| Era uma vez um tucano muito rico e poderoso. Apesar disso tudo, porém, o tucano se sentia muito, muito solitário — porque à sua volta só encontrava ratazanas e raposas. Por conta dessa fatalidade o tucano se queixava: — Ninguém me ama, ninguém me quer, ninguém me chama de Baudelaire...
Uma noite, depois de ter passado a tarde despachando com uma comissão de ratos estaduais, o tucano solitário se recolheu aos seus aposentos. Foi surpreendido ao encontrar uma imponente águia americana ocupando sua cama. — Quem é você? — perguntou o tucano. Abrindo as grandes asas, a águia respondeu: — Eu sou você amanhã! O tucano ficou interessado imediatamente. E a águia, que não é besta desde a invenção do dólar, foi logo jogando a sua conversa: — Seguinte, bróder: cê faz assim, assado, vende aqui e ali, arrocha lá e acolá e depois manda a grana pra mim. O tucano, que além de solitário tinha fama de intelectual, questionou a águia sociologicamente: — E quanto é que eu levo nisso? — Cê vai virar uma águia que nem eu, bróder! Solidão nunca mais — e ainda terá o mundo a seus pés!!! O tucano, que além de solitário e intelectual era vaidoso, topou no ato. E vendeu. E arrochou. E mandou toda a grana possível pra Wall Street, que era onde a águia tinha conta. Centenas de vendas e arrochos depois, o tucano resolveu cobrar o prometido: — E aí, quando é que eu viro águia? A águia balançou a cabeça, apalpou os bolsos repletos de dinheiro e respondeu: — Se liga, bróder: cê só vai se tornar uma águia de verdade quando deixar de ser BURRO!!!
E partiu, tranqüila, num tranqüilo vôo rumo ao Texas.
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