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algumas coisas sobre a internet


Eu não surfo na internet, nem navego. Por causa da minha conexão à lenha, o máximo que eu consigo de aventura é um naufrágio. E olhe lá.

Volta e meia encontro nas estatísticas do meu site o registro da visita de um finlandês, de um árabe, de um siberiano ou de um esloveno. Isso prova que estou ficando cada vez mais conhecido em lugares que desconheço completamente.

Uma sofisticada agência de turismo vive me ofertando, por e-mail, passagens aéreas para Londres, Paris, Miami, para o raiquiusparta. Se me conhecessem de fato, só me ofereceriam passes de ônibus. Com desconto.

Por causa da internet, hoje conheço melhor os chineses, os russos, a cultura de diversos países do mundo. Já o meu vizinho — que não tem computador —, esse eu ainda nem conheço.

Nos chats, todo mundo é rico, bonito e educado. Eu digo que sou feio, pobre e grosso, mas não adianta: todos (todas, principalmente), só me querem rico, bonito e educado. Acho que essa é a regra: não basta falar a minha verdade na internet; é preciso falar a mentira que os outros querem ouvir.

Diariamente recebo uma tonelada de bobagens pela rede — mas nem tudo, felizmente, está perdido. Às vezes aparecem coisas assim: "Se correr o bicho Serra; se ficar o Ciro Gomes".

Ninguém nunca pensou nisso, mas as baratas têm uma imensa vantagem sobre os vírus de computador: é que as baratas, pelo menos, podem ser mortas a chineladas...

Frase de Pai Parreira de Oxalá, sobre a invasão tecnológica nos terreiros:
"Em tempos de internet, santo não baixa mais — faz download!".

Sexo virtual é muito bom: não traz riscos, não traz filhos. E é justamente isso que me intriga: se não traz filhos, como é que os internautas se reproduzem tão rapidamente?




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