The Beatles
Fotos do mês

Pablo Aluísio



Revolver!
Data: Abril de 1966 / Local: Abbey Road EMI Studios, Londres / Foto: Robert Freeman / Fonte: Revista Beatles Documento - Ed. Três / Nota: Oito meses depois de Rubber Soul, os Beatles lançam um outro LP, mais revolucionário ainda que anterior. Na época, ele foi considerado o mais renovador de todos os discos já lançados no mercado e se transformou numa espécie de marca, que muitos consideraram difícil de ser superada, inclusive pelos próprios Beatles. O nome do novo disco é estranho e sua capa mais estranha ainda: Revolver. O mundo vivia o tempo do flower power, dos hippies , do som da Califórnia e de São Francisco, aquele som simples que só falava de paz e amor num mundo sempre atingido por guerras (esse mundo será abordado mais tarde). Revolver abre com uma música de George Harrison chamada "Taxman", que tem seu solo de guitarra feito por Paul. O som das guitarras foi se tornando cada vez mais forte nas gravações dos Beatles, que levaram a distorção também para a base, além do solo. O baixo aparece tocados em tempos cortados e com uma batida ainda mais nova. "Eleanor Rigby" é cantada apenas por Paul com um acompanhamento de quatro violinos, duas violas e dois celos. A segunda voz e o contracanto também são dele. Os Beatles mostram todo o seu conhecimento musical em "I'm Olnly Slepping". George registrou um solo simples e, na hora de gravar, tocou a fita ao contrário, isto é, de trás para diante. Com este efeito, ele conseguiu um som parecido com o da cítara. Na música "Love You Too", composta por George, ele é acompanhado por Anil Bhagwat na tabla, um instrumento hindu. Embora possa parecer incrível, a verdade é que todos os vocais de "Here, There and Everywhere", foram realizados por Paul, que dobrou sua voz, cantou no coro junto com John e George, e ainda fez uma segunda voz para acompanhar na segunda parte da música. A gravação de "Yellow Submarine" também não foi simples. Depois de registra o violão de base, o baixo e a bateria, John gravou um som soprano bolas de sabão por um canudinho e George gravou outro som fazendo vento num copo d'água. Do coro participaram: Pat Harrison, Mal Evans, Neil Aspinal, George Martin, Geoffrey Emerick, os engenheiros de som, e várias outras pessoas que estavam trabalhando no estúdio naquele dia. Isso sem contar com a bandinha que fez o solo do meio e as vozes de Ringo , Paul, George e John. Em "She Said, She Said", o solo de guitarra de George começa de novo com distorção. E George Martin volta ao piano com "Good Day Sunshine". Ao contrário do que muitos pensam, George não usou uma guitarra de doze cordas para fazer o solo de "And Your Bird Can Sing". Ele simplesmente dobrou seu solo, isto é, primeiro gravou uma vez e, depois, tornou a tocar para gravar outra vez (imaginem só, pois se tocar aquele solo uma vez já é difícil...). O piano de "For No One" foi tocado por Paul, tendo Alan Civil no horn (espécie de trumpete). Na terceira composição de George incluída neste disco, "I Want to Tell You", Paul toca piano. A seção de metais de "Got to Get You Into My Life", música cantada por Paul, foi formada por Ian Hammer, Les Condon e Eddie Thornton nos trumpetes e Alan Branscombe e Peter Coe no tenor. Os efeitos sonoros que dão um ar de misticismo à música "Tomorrow Never Knows" foram gravados por Paul. Este disco foi realmente considerado um dos mais ousados para a época. A EMI, porém, percebendo que o Natal se aproximava, decidiu lançar naquela que seria a primeira coletânea dos Beatles. E produziu um LP reunindo apenas as canções que haviam saído em compactos. Só que a elas foi acrescentada uma gravação inédita, que ainda não havia sido lançada em disco algum: "Bad Boy", um rock bem ao gosto de John, onde George sola todo o tempo no lugar onde aparecia um provável contracanto. Nesse ínterim, Paul compôs a trilha sonora para o filme Family Way, que se tornou conhecido no Brasil como Lua-de Mel ao Meio-Dia. Foi George Martin quem gravou esta trilha com sua orquestra. No começo de 1967, os Beatles surgem com sua imagem mudada. Deixaram crescer seu bigodes e passaram a pentear o cabelo de forma diferente. Lançam um compacto que indicaria que toda a revolução de Revolver seria apenas o começo. O compacto trazia "Pane Lane"/ "Strawberry Fields Forever". Só para dar uma idéia, em "Penny Lane", além dos instrumentos normais, Paul e George Martin tocam piano, John está com os congas, Frank Clark fica com o contrabaixo acústico de arco (igual a um violino), David Manson toca trumpete Speed-Up Piccolo B Flat e Philip Jones toca outro trumpete. Em "Strawberry Fields Forever", Paul e George tocam tímpanos e bongos. Mal Evans fica com o pandeiro e alguns músicos de estúdio tocam trumpete alto, flautas, celos, harpas e outros metais. Detalhe: a bateria foi amplificada para participar desta gravação. No entanto, os boatos em torno da iminente separação dos Beatles se tronam cada vez mais fortes. John não se importava mais com sua imagem e adota óculos redondos que se tornariam sua marca registrada. E a resposta dos Beatles aos boatos não poderia Ter sido melhor: eles lançam novo LP.      

Mais Revolver...
Data: Abril de 1966 / Local: Abbey Road EMI Studios, Londres / Foto: Robert Freeman / Fonte: Revista Revolution / Melhor que Revolver, só Revolver remasterizado em CD? Quase: esqueceram do cowbell em "Taxman", por exemplo. Agora, melhor que simplesmente ouvir Revolver, só ouvir Revolver acompanhado dos visuais de The Revolver Sessions, belo livro de 91 (UFO Books, Inglaterra) que reúne fotos das sessões de gravação e da capa original do disco, por Robert Freeman, fotógrafo oficial dos BEATLES, acompanhadas de um texto de um dos melhores jornalistas ingleses de rock, Brian Hogg. Mesmo sendo o livro todo em preto e branco (ou até por isso mesmo, para quem defende preto e branco como o melhor para expressão artística, assim como os BEATLES preferiam o mono ao estéreo), ele nos dá a impressão de estarmos lá no estúdio Abbey Road assistindo os BEATLES gravando Revolver: John ao violão, Paul tocando contrabaixo (já um Rickenbacker) e guitarra, Ringo em ação no pandeiro, George e John colocando vocais, cercados pelos amplificadores Vox e recebendo visitantes ilustres como Mick Jagger. E confira as fotos previstas para a capa do disco (de autoria de Freeman, autor de quase todas as capas dos BEATLES de With The Beatles e Rubber Soul) no lugar da hoje tão familiar capa de Klaus Voorman. O texto de Hogg é uma delícia adicional, contando tudo sobre as sessões de gravação que, além das quatorze faixas de Revolver, incluíram o compacto 'Paperback Writer' / 'Rain'. Não faltam detalhes e revelações: Brian Jones e Marianne Faithful participaram do vocal de 'Yellow Submarine'; a última estrofe de 'Taxman' tem autoria não creditada de John; o LP quase se chamou Abracadabra, The Beatles On Safari, Freewheelin' Beatles ou after Geography (trocadilho de Ringo com o disco Aftermath dos Stones). Meu cochilômetro só detetou o solo de 'Taxman', tocado por Paul, não pelo compositor (George), como saiu no livro. E pensar que John chegou a declarar que nem conseguiria e lembrar das gravações deste disco... Pena mesmo é ele não estar entre nós para que este livro o ajudasse a se lembrar. Ah, sim: o livro vem numa caixa com um brinde, o CD Revolver.



Quer mais fotos? click aqui:
fotos de abril 2003
(fotos de John no álbum branco e das gravações de Revolver)
fotos de mar 2003
(Fotos dos Beatles em Hamburgo e da Beatlemania)
fotos de jan/fev 2003
(fotos dos Beatles na BBC e John Lennon)





Fotos do mês The Beatles (Pablo Aluísio) - contato: [email protected] - Maio de 2003

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