Hamburgo, Alemanha - Beatles Rockabillys
Tudo começou em 1956, quando John Lennon e alguns amigos de colégio montam a banda The Quarrymen. Em 1957, o Quarrymen fez um show no pátio da Igreja de Woolton. Na platéia estava Paul McCartney. Os dois se conheceram depois do show e logo Paul estaria na banda.
Em 1958, Paul apresenta à John um amigo de colégio que tocava guitarra muito bem e também adorava rock'n'roll. O Quarrymen ganharia assim um novo membro: George Harrison.
No começo de 1960, John consegue um baixista para a banda (que agora era formada apenas por ele, Paul e George e se chamava Johnny & the Moondogs). Seu amigo da escola de arte, Stuart Sutcliffe, conseguira um bom dinheiro com a venda de uma pintura, e foi convencido pelos outros a comprar um baixo. Apesar de não saber tocar nada. Nesse mesmo ano, chamam para a bateria Pete Best, filho da dona de um dos clubes onde a banda tocava.
Allan Willians, empresário deles na época, aconselha-os a mudarem o nome da banda (na minha opinião, Johnny & the Moondogs realmente era um nome horrível...). Inspirados pelo nome do grupo de Buddy Holly, The Crickets (Os Grilos), os cinco chegam em The Beetles (Os Besouros), e, finalmente, The Beatles. Nessa mesma época, Willians conhece o dono de um clube de Hamburgo, na Alemanha, que havia contratado uma banda de Liverpool e queria mais uma. Todas as bandas recusaram sua oferta. Os Beatles eram sua única opção.
Prostitutas, drogas, bebidas e mais de doze horas diretas de apresentações eram a realidade dos Beatles em Hamburgo. Na época, o objetivo era entreter a platéia, o que fez com que John se acostumasse a fazer palhaçadas durante os shows. Quando Pete faltava nos shows, os Beatles chamavam o baterista da Rory & the Hurricanes, outra banda de Liverpool. Seu nome era Richard Starkey, mas era mais conhecido pelo nome artístico: Ringo Starr. Depois de três meses e cerca de cem shows, a estadia em Hamburgo teve que ser interrompida quando descobriram que George ainda não tinha 18 anos, e não poderia se apresentar depois da meia-noite (haha). Stuart, que estava noivo da fotógrafa alemã Astrid Kirchherr, decide abandonar o grupo pra ficar com ela na Alemanha (com a sua saída, Paul assumiria o baixo, o que foi uma grande vantagem. Stuart nascera para a pintura, não para a música.) e, em 1962, viria a falecer por derrame cerebral. De volta a Liverpool, os outros quatro estavam sem dinheiro, mas com muita experiência de palco.
Beatlemania!
Em 1961, um jovem pergunta ao dono de uma loja de discos de Liverpool se ele tem o compacto "My Bonnie", dos Beatles. O dono da loja, Brian Epstein, nunca tinha ouvido falar na banda, mas descobriu que eles faziam shows no Cavern Club, na hora do almoço, e foi conferir. O rock e o entusiasmo dos rapazes contagiaram Brian, que se tornaria empresário do grupo. Os Beatles mudam o visual (adotam os terninhos e o famoso corte de cabelo) e o comportamento (pelo menos no palco: não beber, não fumar, enfim, fazer imagem de "bom moço"). Depois de serem rejeitados por várias gravadoras (como a Decca Records, que disse que "grupos de guitarras saíram de moda"), os Beatles finalmente são aceitos pela Parlophone(EMI), de George Martin. Mas havia um problema: Pete Best. Martin não gostou do introvertido baterista e decidiu que seria melhor substituí-lo. Como Pete já não estava se dando muito bem com os outros três, entrou em seu lugar Ringo Starr (lembram dele, em Hamburgo? Pois é), em agosto de 1962.
Em 11 de setembro de 1962, é gravada "Love me do", de Lennon e McCartney, que viria a ser o lado A do primeiro single dos Beatles. Em janeiro de 63, lançam "Please please me", mais uma composição da dupla Lennon/McCartney; o primeiro single do grupo a chegar ao nº 1 da parada de sucessos inglesa. Em agosto desse mesmo ano, passam dez horas seguidas em estúdio gravando o primeiro compacto do grupo, "Please Please Me" (na última faixa, "Twist and shout", John está quase sem voz). Em dezembro, sai "With The Beatles", batendo o recorde de vendas antecipadas: 500 mil cópias. Quando o grupo se apresentou no programa "Sunday Night At London Palladium" (com uma audiência de 15 milhões de pessoas),a Beatlemania mostrou que dimensões estava tomando: os ingressos para o show se esgotaram sete meses antes do dia. Era hora da América também se render aos Beatles.
Vários artistas famosos na Inglaterra, ao chegarem nos EUA, geralmente apareciam em posições bem mais baixas do que as alcançadas nas paradas inglesas, e acabavam descendo alguns degraus do sucesso. Sabendo disso, os Beatles decidem não ir aos Estados Unidos enquanto não tivessem um nº 1 nas paradas americanas.
E parece que as gravadoras americanas não estavam ajudando muito no começo. A prova disso é que os primeiros LPs dos Beatles a serem lançados nos States saíram de gravadoras quase desconhecidas, a Vee-Jay Records e a Swan Records. Enfim, no começo de 1964, a Capitol Records (também da EMI), depois que "I Wanna Hold Your Hand" chega ao primeiro lugar, concorda em lançar os quatro na América. E foram muito bem lançados: antes de sua chegada, foram espalhados cerca de 6 milhões de cartazes pelos EUA; todas as rádios receberam discos dos Beatles; os jornais dedicaram cadernos especiais à vinda do grupo.
Nada comparado à histeria dos milhares de fãs no aeroporto. A entrevista coletiva logo após a chegada acabou com a idéia que os jornalistas americanos tinham do grupo: quatro rostinhos bonitos emoldurando quatro cabeças-ocas. Atirando respostas inteligentes e impregnadas do típico humor inglês, os quatro deram um verdadeiro "show". Para completar o quadro, a apresentação do grupo no "Ed Sullivan Show" foi vista por 73 milhões de telespectadores, uma audiência recorde, e diz a lenda que não foram registrados roubos ou furtos durante os dez primeiros minutos de transmissão. Até os ladrões pararam para assistir os Beatles?
Era fevereiro de 1964. O mundo descobria - e se rendia a - a Beatlemania.