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Noções
Básicas de Cultivo
São
conhecidos mais de 1.800 gêneros subdivididos em
torno de 35.000 espécies, espalhadas pelo quatro
cantos do mundo. O gênero Isabelia,
por exemplo, possui uma única espécie. O gênero Cattleya,
possui cerca de 70 espécies. E o gênero Bulbophylum
tem mais de mil espécies. As orquídeas mais
populares são do gêneros ( C ) Cattleya,
( L ) Laelia, ( Onc ) Oncidium
( uma das espécies é conhecida como Chuva de ouro
), ( Milt ) Miltônia, ( Den ) Dendrobium,
( V ) Vanda, ( Phal ) Phalaenopsis,
( Paph ) Paphiopedilum, conhecido como
Sapatinho.
NOMES
Jamais
compre planta sem etiqueta com nome, data da compra
e procedência. Veja algumas pronuncias:
O
conjunto de vogais ae lê-se e. Ex.: Laelia
( Lélia); oe também tem som de e.
Ex.: Coeligyne ( Celogine ). Ph
tem som de f. Ex.: Phalaenopsis (
Falenopsis); x tem som de cs. Ex.: xanthina (
csantina ); ch tem som de k. Ex.: Chiloschista
( kiloskista), Ornothorhynchum (
ornitorrinkum). Ti seguido de vogal soa como ci,
exceto quando procedido de s, t ou x . Ex.: Constantia
( Constancia ), Neofinetia (Neofinecia), Comparettia
( Comparetia ), Pabstia ( pabstia ).
CLASSIFICAÇÃO
De
acordo com o lugar de origem, as orquídeas são
classificadas como Epífitas, Terrestre ou Rupículas.
EPÍFITAS
– São a maior parte das orquídeas. Vivem
grudadas em troncos de árvores, mas não são
parasitas, pois realizam a fotossíntese a partir de
nutrientes absorvidos pelo ar e pela chuva.
Portanto, ao contrário do que se pensa, não sugam
a seiva da árvore.
TERRESTRE
– Vivem como plantas comuns na terrra.
RUPÍCULAS
– São as que vivem sobre rochas. Ex. Laelia
Flava.
PLANTIO
A
maior parte das orquídeas pode ser plantada em
vasos de barro ou plástico, cujo tamanho deve ser o
menor possível. E, se a idéia é reservar espaço
para o crescimento da planta, não vai adiantar nada
porque, de qualquer modo, ela deverá ser replantada
a cada dois anos, pois o xaxim velho se decompõe e
perde sua capacidade de nutrição.
1 – Coloque uma camada de pedra
no fundo do vaso ( 2 a 3 dedos ) para permitir a rápida
drenagem do excesso de água.
2 – Complete com xaxim
desfibrado. Se houver pó, jogue o xaxim num balde
com água para dispersar o pó. Jamais use o “pó
de xaxim” vendido no comércio. As raízes
necessitam de arejamento.
3 – Certas orquídeas progridem
na horizontal, L. e C., por exemplo, e vão emitindo
brotos um na frente do outro. Para esse tipo de
planta, deixe a traseira encostada na beira do vaso
e espaço na frente para dar lugar a novos brotos.
Comprima bem o xaxim para firmar a planta, a fim de
que, com o vento ou um jato d’agua ela não
balance, pois a ponta verde da raiz era roçar o
substrato, secar e morrer.
4 – Há orquídeas que
dificilmente se adaptam dentro de vasos. Nesse caso,
o ideal é plantar em tronco de árvore ou casca de
peroba ou palito de xaxim, protegendo as raízes com
um plástico até a sua adaptação. Alguns exemplos
dessas espécies são: C. Walkeriana, C.
Shilleriana, C. Aclandiae, a maioria dos Oncidiuns,
Leptotes, Capanemias.
5 – Orquídeas monopodiais, como
Vandas, Rhynchostylis, Ascocentrum
devem ser colocadas em cesto ou vaso sem nenhum
substrato e exigem um cuidado especial todos os
dias. Deve-se molhar não só as raízes também as
folhas com água adubada bem diluída.
Por exemplo, se a bula de um adubo
líquido recomenda diluir um mililitro desse adubo
em um litro de água, ao invés de um litro, dilua
em 20 litros ou mais de água e borrife, a cada 2 ou
3 horas, principalmente em dias quentes e secos. Você
pode perder a paciência, mas não a planta. Como são
plantas que exigem alta umidade relativa, pode-se,
por exemplo, usar um recipiente bem largo, como uma
tina furada, encher de pedra britada e colocar a
planta com o vaso sobre as mesmas, de modo que as
pedras molhadas pela rega, assegurem a umidade
necessária.
As plantas citadas acima também
podem ser plantadas em vasos com xaxim, que tenham
uma rega controlada, isto é, devem estar protegidas
contra o tempo de chuvas prolongadas. Nesse caso,
molhe a planta por imersão por alguns minutos, mas
somente quando perceber que o substrato está seco.
TEMPERATURA
Todas as orquídeas se
adaptam bem a temperaturas entre 15 e 25 graus centígrados.
Entretanto, há orquídeas que suportam temperatura
mais baixas, como Cymbidim, Odontoglossum,
Miltônias colombianas, todas nativas de regiões
elevadas. Outras já não toleram o frio. É o caso
das orquídeas nativas dos pântanos da Amazônia,
como C. Áurea, C. Eldorado, C.
Violácea, Diacrium, Galeandra, Acacallis.
Assim, devemos cultivar orquídeas que se aclimatem
no lugar em que vão ser cultivadas. Caso contrário,
o cultivo estará sujeito a fracasso. Felizmente, no
Brasil, a variação de temperatura é adequada para
milhares de espécies, embora algumas se adaptem
melhor no planalto, outras no litoral.
ÁGUA
E UM
IDADE
A umidade relativa do ar
(quantidade de vapor d’água existente na
atmosfera) nunca deve estar abaixo de 30%, caso
contrário, as plantas se desidratarão rapidamente.
Em dias quentes, a umidade relativa do ar é menor,
por isso é necessário manter o ambiente úmido e
molhar não apenas a planta, mas também o próprio
ambiente.
Num jardim, com muitas plantas e
solo de terra a umidade relativa é bem maior do que
numa área sem plantas com piso de cimento. Nunca
molhe plantas quando as folhas estiveram quentes
pela incidência da luz solar. Molhe pela manhã ou
no fim da tarde, quando o sol estiver no horizonte.
Se precisar molhar durante o dia, espere uma nuvem
cobrir o sol por cerca de 10 minutos para que as
folhas esfriem. Somente, então, borrife as folhas,
pois umedece-las é extremamente benéfico.
Quando devo molhar? Ouvimos com
freqüência esta pergunta e a reposta é
infinitamente relativa. Se uma orquídea está
plantada em xaxim com pó, a rega pode ser semanal,
mas, se estiver plantada em piaçaba ou casca de
madeira, a rega deve ser diária. Quando se compra
um vaso de orquídea, é útil verificar qual o
substrato ( material ) em que está plantada, pois,
dependendo dele, a secagem pode ser rápida ou
lenta.
Os substratos mais comuns são:
1 – Xaxim desfibrado com pó:
secagem lenta.
2 – Xaxim desfibrado sem pó:
secagem moderada.
3 – Musgo ou cubos de coxim:
secagem lenta.
4 – Carvão ou piaçaba: secagem
rápida.
5 – Casca de pínus: Secagem
moderada, quando sem pó, e lenta, se tiver pó.
6 – Mistura de grãos de isopor,
casca de pínus
e carvão: secagem rápida.
A melhor maneira de regar um vaso
ressecado é imergir o vaso num recipiente com água
e deixar por alguns minutos. Se você regar um vaso
ressecado com um regador, pode ocorrer de a água
encontrar um canal por onde escorrer e o resto do
substrato continuar totalmente seco. Um meio de
verificar a umidade do vaso é aprender a sentir o
peso, segurando com as mãos ou através de um exame
visual. Não use a mesma água em que foi mergulhado
um vaso, para outro, pois, se no primeiro houver
fungos nocivos à planta, o outro vaso irá se
contaminar.
LUMINOSIDADE
Luz é essencial. Uma planta
não deve fazer sombra para a outra. O ideal é
manter as plantas sob uma tela SOMBRITE de 50 a 70%,
dependendo da intensidade da insolação local.
Assim elas receberão claridade em luz difusa
suficiente para realizarem a sua função vital que
é a fotossíntese. Se as folhas estiverem com cor
verde garrafa, é sinal de que está precisando de
mais luz. E se estiverem com uma cor amarelada, estão
com excesso de luz. Existem orquídeas que se exigem
mais sombra: é ocaso das microorquídeas, Paphiopedilum,
Miltônias Colombianas. Para estas plantas
pode ser usada uma tela de 80% ou uma tela dupla de
50% cada. Há outras que exigem sol direto, como a Vanda
teres e Renanthera Coccínea que, se
estiverem sob uma tela, poderão crescer
vigorosamente, mas dificilmente darão flor. Há
outras que também exigem sol direto como C.
Warscewiczii, C. Percivaliana, Cyrtopodium
pela simples razão de ser esse o modo como vivem
nativamente, embora, em geral, estejam protegidas da
insolação mais forte do dia, como as que vivem
circundando troncos de coqueiros.
ADUBAÇÃO
As orquídeas necessitam de
alimento como qualquer outra planta. Quando o adubo
for líquido, dilua um mililitro (é igual a um centímetro
cúbico) em um litro d’água. Uma seringa de injeção
é um medidor prático.
Quando for sólido, mas solúvel
em água, dilua uma colher de chá (1 g) em um litro
de água numa freqüência de uma vez por semana.
Essas soluções podem atuar como adubo foliar, mas
nunca aplique durante o dia, pois os estômatos (minúsculas
válvulas) estão fechados. Faça-o de manhã, antes
do sol nascer, ou no fim da tarde, molhando os dois
lados das folhas (o número de estômatos é maior
na parte de baixo das folhas).
Concentração de adubo menor do
que a indicada acima ou pelo fabricante nunca é
prejudicial. Se diluir o adubo citado acima (um
mililitro ou um grama) em 20 litros de água (ou
mais) e com ele borrifar diariamente as plantas, você
pode obter excelentes resultados.
Corresponde a um tratamento homeopático.
Dosagem maior que a indicada funciona como veneno e
pode até matar a planta.
Se o adubo for sólido, insolúvel
na água, como o adubo da AOSP, deve ser pulverizado
diretamente no vaso, numa média de uma a duas
colheres de chá, dependendo do tamanho do vaso, uma
vez por mês. É preciso cuidado para não jogar
diretamente sobre as raízes expostas.
DOENÇAS
E PRAGAS
Plantas bem cuidadas, isto
é, com bom arejamento, boa iluminação, num local
de alta umidade relativa e bem alimentadas,
dificilmente estão sujeitas a pragas e doenças.
Falta de arejamento e de iluminação podem
ocasionar o aparecimento de pulgões e cochonilhas
(parece pó branco) que podem ser eliminados por
catação manual ou com o uso de uma escova de
dentes molhada com caldo de fumo, se forem poucas
plantas.
Planta encharcada pelo excesso de
água ou submetida a chuvas prolongadas pode ser
atacada por fungos e/ ou bactérias, causando
manchas nas folhas e/ ou apodrecimento de brotos
novos. Na verdade, o encharcamento não é a causa
direta do apodrecimento das raízes. O que ocorre é
que os fungos ou nematóides que estavam em estado
latente, ao encontrar condições favoráveis, se
ativam e atacam a planta.
No comércio existem muitos tipos
de fungicidas e inseticidas, mas o manuseio requer
cuidados especiais, pois são tóxicos para o ser
humano e para outros seres vivos. Deixamos aqui a
velha receita caseira do caldo de fumo que não é
nocivo e fácil de preparar.
Ferva 100 g de fumo de rolo picado
em um litro e meio de água, acrescente uma colher
de chá de sabão de coco em pó e borrife as
plantas infectadas. É importante ferver o fumo,
pois pode ser portador de vírus do tabaco.
Pode-se também usar um spray doméstico,
tipo mata mosca, baratas, etc, feito à base de água
e não de querosene.
DIVISÃO
E REPLANTIO
A divisão e replantio devem
ser feitos quando a planta estiver emitindo raízes
novas, o que se percebe pelas pontinhas verdes nas
extremidades das raízes, não importando a época,
inverno ou verão. Quando for dividir a planta, cada
parte deverá ficar com, no mínimo, três bulbos,
tendo-se o cuidado de não machucar as raízes
vivas, o que se consegue molhando-as, pois ficam
mais maleáveis. Sempre flambeie com uma chama (de
um isqueiro, por exemplo) o instrumento que vai usar
para dividir a planta, para ter certeza de que a lâmina
não está contaminada por vírus.
No caso de orquídeas monopodiais,
como a Vanda, Renanthera, Rhynchostylis, que
soltam mudas novas pelas laterais, deve-se esperar
que emitam pelo menos duas raízes, para, então
separar da planta mãe.
As orquídeas do tipo vandáceas vão
crescendo indefinidamente, atingindo metros de
altura. Nesse caso, pode-se fazer uma divisão,
cortando o caule abaixo de 2 ou mais raízes e fazer
um novo replante. Se a base ficar com alguns pares
de folhas, emitirá novos brotos.
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