Em Nome da Rosa+Cruz

�tica e Transforma��o

Frater Vicente Velado, OSB

Fratres e sorores da RosaCruz, sauda��es em todas as pontas do Tri�ngulo.

� com grande alegria que me dirijo a voc�s, membros das v�rias organiza��es Rosacruzes em funcionamento no Brasil, pois tenho a certeza de que representam elos de for�a na luta contra a subvers�o da �tica. Alguns de voces sabem o que significa um C�rculo contendo um Tri�ngulo com um Quadrado em seu interior, o qual, por sua vez, cont�m outro C�rculo, com uma RosaCruz dentro. � especialmente a voc�s, meus irm�os, que esta mensagem � dirigida.

Vive o mundo uma �poca de brusca transi��o, e fronteiras que delimitam planos de compreens�o, at� ent�o consideradas tabu, est�o sendo rompidas. A sociedade de consumo foi assaltada pelo esoterismo tamb�m de consumo e assiste-se ao desmoronar de institui��es pol�ticas, religiosas e cient�ficas, porque a pr�pria �tica est� sendo questionada -ela, que � a base sobre a qual se assentam todos os valores morais (interpreta��es da �tica pelo bom senso aplicado a particularidades regionais, �tnicas e de �poca).

Afirma-se hoje, nesse limiar de novo mil�nio, que j� n�o � mais poss�vel amar-se o pr�ximo como a si mesmo, mas somente na medida do poss�vel; assegura-se que a Terra pode ser o Para�so, porque o Para�so est� dentro das pessoas e pode ser externado neste plano e vivenciado como tal; h� seitas apost�ticas, resultantes de cis�es no Cristianismo, oferecendo um neg�cio pr�tico e r�pido de toma-l�-d�-c� com Deus: o homem torna-se fiel aos d�zimos e Deus lhe d� sua ben��o em forma de um carro do ano, de um telefone celular, do sucesso no amor e nos neg�cios -e tamb�m a cura de v�rios males terr�veis. Essas seitas s�o usadas por governos corruptos, a servi�o do capital ap�trida, para a aliena��o das massas, a fim de que a espolia��o se torne cada vez mais f�cil. Esse tipo de manobra n�o � novidade e tem se repetido ciclicamente ao longo das eras, sempre com os pa�ses ricos se nutrindo da desgra�a dos pa�ses pobres. E sempre demonstrando a mais abjeta subservi�ncia �s for�as das trevas dirigentes pol�ticos e religiosos t�m esmagado sem piedade os humildes para acumular riquezas. Para isso subvertem a �tica e minam os bons valores latentes nos homens atrav�s da dissemina��o das drogas e da apologia ao ego�smo, destruindo as lideran�as ideal�sticas civis, militares e religiosas. � um quadro mundial, atual, no qual o Brasil 2000 est� inserido.

Institui��es mais tradicionais, como a Igreja Cat�lica, a Ordem Budista, e a bem menos antiga Ma�onaria, tamb�m est�o sendo duramente atingidas; o desvirtuamento traz para o notici�rio da m�dia cenas grotescas, lament�veis. As ordens inici�ticas experimentam reformula��es capitais, tornam-se de f�cil acesso, muitas deixam de ser secretas e passam a ser conduzidas como empresas, por for�a da expans�o em que se empenharam no esfor�o para difundir a Luz -e acabam sofrendo os males da� decorrentes. No mundo atual � simplesmente imposs�vel a uma organiza��o crescer fisicamente sem que seja conduzida em moldes empresariais, porque a expans�o implica custos alt�ssimos e tem de ser gerada receita. As institui��es dedicadas � Metaf�sica quando optam por permanecer sem crescimento tornam-se nichos destinados a desaparecer. Para se proteger de tais males religi�es e ordens inici�ticas mant�m um C�rculo Interno incorrupt�vel e um C�rculo Externo em expans�o, que funciona como filtro e apodrece, tendo de ser continuamente renovado pelo surgimento de bons exemplos.

O Misticismo hoje usa a moderna Tecnologia para alcan�ar adeptos em potencial -como se v� no fen�meno da Internet- e a globaliza��o a tudo abarca. A qualidade material passa a ser perseguida como meta suprema, como se fosse o selo do summum bonum, quando na realidade o que conta � o substrato justamente da �tica, materializado como Verdade.

� um momento delicado, pois tornou-se ainda mais t�nue a linha divis�ria que separa a Verdade da mentira; a pureza de inten��es da concupisc�ncia; a revela��o gradativa de princ�pios fundamentais para a evolu��o das consci�ncias da venda a peso de f�rmulas m�gicas de autoajuda. A harmoniza��o vem sendo apresentada como um produto: basta adquiri-la, e...pronto! Est� tudo resolvido. Quer dizer, por uns tempos...Todos os dias pessoas mudam de religi�o -ou simplesmente de igreja, dentro de uma mesma cren�a-, na esperan�a de afinal encontrarem a Verdade, e terminam andando em c�rculos que se fecham inexoravelmente sobre si mesmos. Tamb�m nas ordens inici�ticas ocorre este fen�meno e h� pessoas participando -ou julgando participar- de v�rias delas ao mesmo tempo e nada encontrando a n�o ser o vazio da desilus�o.

Justamente em um momento como este � que voc�s, a quem me dirigi logo no in�cio desta mensagem, s�o chamados a agir de forma efetiva, porque, como Rosacruzes, � de se esperar que nada aceitem sem questionamento e que ponham sempre � prova a autenticidade de todos os valores, conceitos, credos e m�todos que lhes sejam apresentados. Como agir de forma efetiva? Isto se faz de tr�s formas distintas e simult�neas:

1) Dando o exemplo.
2) Orando por todos os seres.
3) Praticando a Caridade.

Lembrem-se sempre de que a �tica � um atributo divino e � nela que repousa a chave da harmoniza��o em todos os planos. Os Avatares t�m ensinado a aplica��o pr�tica da �tica e todos fecham quest�o em um ponto comum: n�o � poss�vel tergiversar. N�o se pode ser honesto na medida do poss�vel, n�o se pode ser aut�ntico conforme as conveni�ncias; h� que se exercer a �tica na �ntegra. Buda e Jesus n�o legaram religi�es � humanidade: prescreveram, verbalmente, c�digos de �tica.

Em muitas discuss�es meramente intelectuais -v�os exerc�cios de ret�rica e racioc�nio dedutivo- h�o de dizer que as �pocas precisam ser destru�das para que haja a reconstru��o, e que, nesses momentos, a �tica deve ser el�stica, pois o que prevalece � o Caos. � como na Pol�tica: assenta-se uma linha de pensamento em um sofisma, calcado em algo verdadeiramente esquizofr�nico, e da� por diante toda uma filosofia � formada, externada e aceita pela maioria, pois que a maioria � como o gado, f�cil de ser conduzida. Como exemplo, eis a globaliza��o, �tima para o Primeiro Mundo e uma maldi��o para o Terceiro Mundo. � muito f�cil tamb�m uma pessoa se dedicar ao Misticismo de forma ego�stica, encerrando-se em uma torre de marfim, ao abrigo das mis�rias e horrores deste vale de l�grimas, para se entregar a uma suposta evolu��o da consci�ncia. No fundo, o que essas pessoas querem � ser reconhecidas como especiais, como membros de uma elite, e resulta da� que na pr�tica, para dar-lhes a realiza��o, basta conferir-lhe t�tulos, elogi�-las ou emprestar-lhes algum tipo de import�ncia.

Voc�s, a quem estas palavras s�o dirigidas, n�o podem deix�-las ser meras palavras ao vento. � preciso que lutem -e duramente- para resistir a todas as tenta��es, a fim de que os exemplos de voc�s se constituam em um c�rculo realmente forte de resist�ncia � tergiversa��o. N�o se deixem corromper. Lembrem-se sempre de que se a Terra � um plano de expia��o, pode ser tamb�m um plano de reden��o, mas que isso s� se torna poss�vel com o exerc�cio da sincera Caridade, como a praticada por Madre Teresa de Calcut�, para citar um exemplo recente.

O momento � especialmente grave. Vive-se agora no limiar do Armagedon e especula-se se ele vir� de um confronto nuclear final, se na forma de um gigantesco aster�ide colidindo com a Terra ou simplesmente se da explos�o demogr�fica: o crescimento do n�mero de seres humanos se processa em progress�o geom�trica, a expectativa de vida aumenta e a Ci�ncia j� demonstrou, h� cerca de 15 anos, que a explos�o demogr�fica poder� vir a incendiar o planeta pelo calor despreendido dos corpos, a m�dio prazo. N�o se trata aqui de exerc�cio de futurologia, do cumprimento de profecias ou de fic��o. S�o verdades concretas que come�am a tomar forma.

Neste assustador cadinho alqu�mico tudo se transforma e se a �tica n�o prevalecer estar� criado o caldo de cultura para a mais infermal degrada��o j� vista, da qual muito poucos escapar�o: a transmuta��o -ou melhor dizendo, deforma��o- da �tica em algo nefando, medonho! Esta, na verdade, seria a consuma��o da obra demon�aca, com o Anticristo impondo ao mundo suas t�buas da lei �s avessas! Seria esta uma filtragem natural da evolu��o ou um mal contra o qual se deve lutar? Uma das caracter�sticas do Movimento Rosacruz aut�ntico tem sido exatamente esta: o combate permanente �s amea�as contra a �tica. No alvorecer da civiliza��o os homens tentaram interpretar a Cria��o instituindo a figura de um Criador, Eterno, Onipotente, Omnipresente e Onisciente, mas antropomorfizado e com personalidade: um Ente bom. N�o � assim que a B�blia, Hist�ria do Povo Judeu, apresenta Jeov�, a personifica��o da Egr�gora Israelita, devendo ser agradado, capaz de rancores, machista, exigindo sacrif�cios e d�zimos? Ora, um Deus com personalidade n�o seria �nico, pois para que serve a personalidade sen�o para distinguir um ser de outro? Jesus Cristo veio exatamente para acabar com isto, com esta nojenta subvers�o da �tica! Ele expulsou os vendilh�es do Templo, pregou a justi�a social porque sem condi��es dignas de vida ningu�m pode se dedicar � evolu��o espiritual, mostrou o poder da F� e ensinou que a F� sem obras concretas � uma f� morta, que n�o serve para nada, a n�o ser como instrumento de poder nas m�os da casta sacerdotal. � dif�cil seguir Jesus e o pr�prio Nietzsche afirma, em "Der Antichrist" (1895), que "o �nico crist�o verdadeiro que j�  existiu foi o pr�prio Jesus Cristo".

Mas n�o se deixem dominar pelo pessimismo, que pode advir do ceticismo decorrente da crise econ�mica, do desamor, do ego�smo exacerbado, da paran�ia e da descren�a na bondade. Voc�s, como Rosacruzes, foram escolhidos para serem os exemplos que demonstrar�o na pr�tica as virtudes da �tica. Muitos de voc�s j� est�o preparados para dar esse exemplo e devem entrar em a��o imediatamente.

� preciso, tamb�m, que voc�s esclare�am aqueles que tateiam na escurid�o, procurando desesperadamente pela Luz no fundo de um po�o. Eles s�o presa f�cil dos vigaristas do subjetivismo e devem ser ajudados. Existem atualmente v�rias ordens inici�ticas que se dizem Rosacruzes, outras tantas que se apresentam como reposit�rios de Alta Magia, e tudo isto -de repente- ficou ao alcance praticamente de todos, em todas as partes do mundo, atrav�s da Internet. Muitas destas supostas ordens se resumem a um aventureiro com um computador: apresentam um site bem feito, dando a impressao de que se trata de uma grande organiza��o com exist�ncia f�sica real, e n�o � nada disso, tudo n�o passa de uma fraude. Imaginem se alguem se deixa levar por tal engodo e absorve certos princ�pios muito convenientes para o �xito no mundo atual! Vemos a� como se axerce de forma f�cil e pr�tica a m� utilizacao da tecnologia. Outros, ro�dos pela inveja ante o sucesso de organiza��es s�rias, usam a Internet para atacar grosseiramente seus fundadores, e ainda por cima, o fazem sob a capa do anonimato, apresentando documentos fraudados. H� not�cias de irm�os que deixaram ordens a que pertenciam ao verem na Internet p�ginas com ataques aos dirigentes destas organiza��es.

Tudo isto mostra que neste atual universo de informa��es de f�cil acesso � preciso ter muito cuidado. De onde se v� que uma quarta a��o surge como necess�ria, para resguardar aquelas tr�s: a Vigil�ncia Permamente, mesmo porque o pre�o da liberdade � a eterna vigil�ncia.

Assim, al�m de exercer continuamente aquelas tr�s a��es j� referidas -Exemplo, Ora��o e Caridade- o buscador sincero h� de tomar muito cuidado para n�o se deixar iludir por fal�cias ou se enganar por mentiras, sutis ou grosseiras. � preciso ter o discernimento advindo da certeza interior de que se est� realmente no caminho certo. Somente a Consci�ncia de cada um pode mostrar isto a cada um. O papel das Ordens Rosacruzes tem sido exatamente este, de desenvolver esta Consci�ncia, n�o fabricando-a por algum processo mas abrindo as portas da percep��o atrav�s do estudo gradativo, met�dico, persistente, sagrado. O organizador da AMORC para o presente ciclo de atividades, Dr. Harvey Spencer Lewis, de feliz mem�ria, explicou certa vez que a comprova��o da autenticidade da Ordem reside justamente no bem estar que ela propicia � alma, do que s�o testemunhas todos os sinceros membros de Sanctum.


Nota: O Frater Vicente Velado, eremita da Ordem Beneditina, integra a Hierarquia Esot�rica vital�cio. Este artigo representa opini�o pessoal sua e n�o opini�o oficial da AMORC.

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