Edith Piaf: Um mundo de glamour e tragédias

          Sei que ao ler esse tema, vocês vão achar: Caramba! Quem é essa? Não conheço nenhuma Edith Piaf... Deve ser uma velha...
          Mas como é meu dever mostrar além mais do que o mundo da música representa, vou apresentá-la.

          Esta é Edith Giovanna Gassion, mais conhecida na década de 50 como Edith Piaf.
          Ela nasceu no dia 19 de dezembro de 1915, em Paris, e seu apelido de infância era Momê Piaf, daí surge seu sobrenome artístico. Edith teve uma vida muito sofrida. A mãe, uma cantora de cabarés locais, era alcoólica e deixava Edith bebê com o pai acrobata.
          O pai, que não tinha condições, leva Edith para morar com uma tia, dona de um cabaré. Edith cresce e, aos 15 anos, abandona o pai, forma uma dupla com a amiga Simone e iniciam vida boêmia.
          Edith se apaixona, tem uma filha... A filha morre dois anos depois, de meningite. Para pagar o funeral da filha, Edith chega até a se prostituir...
          Edith teve ascensão rápida ao estrelato. Viveu, também, grandes paixões, como a com o pugilista Cerdam, que era casado e mantinha um caso com Edith em sigilo. Cerdam, entretanto, morre num trágico acidente de avião, quando Edith estava se apresentando em um clube local. Ela se sente tão culpada que manda a mulher dele e os filhos se instalarem em sua casa.
          Depois de um ano, Edith volta aos palcos, acaba se tornando amiga e companheira de palco do grande cantor Charles Aznavour.
          Mas a vida não seria um mar de rosas para Edith. Ela sofre dois acidentes de carro, em 51, no qual sobrevive milagrosamente, porém, como a dor de seus ferimentos era grande, submete-se a um tratamento com doses excessivas de morfina. A morfina e o consumo de álcool faziam com que Edith ficasse frágil.
          Nessa época faz tratamento para a desintoxicação e em 56 começa uma turnê na América Latina e vem a se tornar um mito.
          Sofre outro acidente, o que a deixa muito debilitada, fazendo com que desmaiasse em uma de suas apresentações.
          Em 60, grava a música que a lança em todo o planeta: "Non, Je Regrette Niem", e vende vários discos.
Non, Je Regrette Nien, alude a um momento de transição, de várias tragédias até a glória, na carreira e no amor. Faz referência a lembranças ruins queimadas...a mágoas, aos prazeres... Insinua que as alegrias da cantora começam mesmo depois do casamento com Theo, mais novo que ela e seu pupilo.
          Essa música, Non..., foi composta por ela em parceria com seus amigos Charles Dumont e Michel Vacaire.
          Veja abaixo a música e a tradução de "Non, Je ne Regrette Nien".

Non, Je ne Regrette Nien

Non, rien de rien,
non, je ne regrette rien!
Ni le bien qu´on m´a fait,                      
ni le mal;
tout ça m´est bien egal!

Non, rien de rien,
non, je ne regrette rien!
C´est payé,
balayé,
oublié.
Je me fous du passe!

Avec mes souvenirs
j´ai allumé le feu!
Mes chagrins, mes plaisirs,
je n´ai plus besoin d´eux!
Balayés les amours
avec leurs trémolos,
balayer pour toujours!
Je repars à zéro.

Non, rien de rien,
non, je ne regrette rien!
Ni le bien qu´on m´a fait,
ni le mal;
tout ça m´est bien egal!

Non, rien de rien,
non, je ne regrette rien!
Car ma vie,
car me joies
aujourd´hui
ça commence avec toi!

Título (Traduzido): Não, eu não lamento nada*.
Cantora: Edith Piaf
Composição: Charles Dumont & Michel Vaucaire

Não! Nada de nada...
Não! Eu não lamento nada!
Nem o bem que me fizeram
Nem o mal
Isso tudo me é igual

Não! Nada de nada...
Não! Eu não lamento nada...
Está pago,
Varrido,
Esquecido,
Não me importa o passado!*

Com minhas lembranças
Acendi o fogo*
Minhas mágoas, meus prazeres
Não preciso mais deles!
Varridos os amores
E todos os seus "tremolos"
Varridos para sempre
Recomeço do zero

Não, Nada de nada
Não! Eu não lamento nada
Nem o bem que me fizeram
Nem o mal
Isso tudo me é igual

Não! Nada de nada
Não! Eu não lamento nada
Pois minha vida
Pois minhas alegrias
Hoje começam com você

          Essa música ficou mundialmente famosa, vários artistas a regravaram, entre eles, a cantora brasileira Cássia Eller, no seu CD Acústico.
          A partir de 63, o mundo da música não seria mais o mesmo, Edith, nesse ano, sofre um coma hepático, fica entre a vida e a morte e, no dia 9 de outubro, dia do aniversário de casamento dela e de seu ultimo marido, morre deixando o mundo da música totalmente deficiente.

          Espero que gostem da Coluna!
          Abraços!

Amanda Rodrigues Catardo

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