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| Depois do fiasco de
"O Massacre da Serra Elétrica 3" ser lançado em cinema
e vídeo totalmente retalhado, desagradando a maioria dos
espectadores (a versão "uncut" só foi lançada em DVD
recentemente, em 2001, mais de 10 anos depois), uma excelente notícia
provocou grande expectativa entre os fãs da série: um quarto
"O Massacre da Serra Elétrica" seria feito, com a
participação direta de Kim Henkel, o roteirista do clássico
original. Para melhorar, Henkel não seria apenas
produtor-executivo, mas também roteirista e diretor desta nova
continuação, que, ainda por cima, seria feita de forma
independente, para não sofrer as mesmas censuras da parte 3.
Podia ser melhor? Claro que não! Por isso mesmo é estranho que
"O Massacre da Serra Elétrica - O Retorno" tenha
saído a porcaria que saiu! Henkel
ignorou as duas seqüências (inclusive a parte 2, feita por
Hooper) e declarou a quem quisesse ouvir que seu filme seria uma
continuação direta do original, ou seja, como as coisas teriam
acontecido após a fuga de Sally Hardesty no final do primeiro
filme, de 1974, só que 20 anos depois, em 1994 (ano de produção
da seqüência). Ele disse que as duas seqüências do clássico
deram mais importância a sangue e tripas, e sua seqüência
recuperaria o clima de horror e suspense do original. Entretanto,
o pseudo-diretor (trata-se de seu primeiro e aparentemente único
trabalho como cineasta) não fez nem ao menos uma continuação,
mas uma verdadeira refilmagem do original, mudando os personagens,
mas repetindo as mesmas situações (e até o final!!!). Parece
que ele pegou seu roteiro do filme original e começou a mudar o
nome dos personagens, e só! O problema é que tudo é muito ruim,
péssimo, pavoroso (no mau sentido). Acompanhem que eu vou
explicando aos poucos o porquê. "O
Retorno" inicia com os tradicionais letreiros tétricos
explicando a história, uma marca registrada de todos os filmes da
série desde o original. Ali, Henkel faz a primeira citação ao
original, quando diz que em 1973, no Texas, um grupo de jovens foi
atacado por uma família de loucos armada com uma serra elétrica.
Depois, teriam sido registrados alguns casos isolados, até que
nos últimos cinco anos só houve o silêncio. O texto é o
seguinte (novamente tratando "os crimes da motosserra do
Texas" como se fossem uma lenda urbana): "18
de agosto de 1973. Notícias de uma família louca que usa uma
serra elétrica... Relatos para atiçar a imaginação do mundo
começaram a vazar no Texas... Infelizmente, nenhum dos membros da
família foi preso e, por mais de 10 anos, não se soube mais
nada. Então, nos anos seguintes, dois incidentes menores,
aparentemente relacionados, foram relatados. Depois, de novo,
nada... Por cinco longos anos, apenas silêncio..." Só uma dúvida: será que os
"dois incidentes menores" seriam os acontecimentos das
partes 2 e 3? Mistério... Bem,
o ano é 1994 e Jenny (a hoje famosa Renée Zellwegger, então péssima
no sexto filme da sua carreira) está se preparando para o baile
de formatura. Quando chega seu namorado Sean, a mãe tira fotos
dos dois anjinhos, numa clara cópia da abertura do filme
original, quando os flashes de máquinas fotográficas iluminavam
cadáveres em um cemitério (até o som sinistro do disparo dos
flashes foi imitado!!!). O baile de formatura nem é mostrado,
pois Heather, uma amiga de Jenny, briga com o namorado Barry e os
quatro jovens caem na estrada. Os personagens são tão ridículos
que Henkel nem tenta escrever diálogos interessantes para eles
nos primeiros dez minutos de filme, quando deveríamos pelo menos
conhecer melhor os jovens. O que se apresenta é a tradicional
conversa sobre sexo, e nada mais. E
as citações ao primeiro filme não param por aí: em certo
momento Jenny é perseguida por Leatherface pelo meio do mato, com
a serra elétrica zumbindo incessantemente, até encontrar abrigo
no serviço de guincho, onde ela acha que Darla é amiga, mas ela,
na verdade, faz parte da família de psicopatas (exatamente o que
acontece no primeiro filme, quando Sally é "ajudada"
pelo "Cozinheiro" Dreyton Sawyer!!!!). Como todos nós
sabemos, nunca é bom confiar no pessoal do Texas, ainda mais em
uma filme da série "O Massacre da Serra Elétrica".
Jenny é então amarrada (como acontece com Marilyn Burns no
original), ensacada (idem) e levada de volta à casa (idem),
colocada na mesa de jantar (como no primeiro filme) para nova sessão
de gritaria e tortura... Ah
sim, quase esqueci: no caminho até a casa, dentro do carro de
Darla, Jenny grita, chora e esperneia, então a vilã a ameaça:
"Pare de gritar imediatamente!". Pois a mocinha
aprisionada não só pára de chorar e reclamar no mesmo instante,
como ainda fala, totalmente consternada: "Tudo bem, mas eu
não estou conseguindo respirar", com a maior calma do
mundo, como se fosse uma criança chorona que acabou de levar um
puxão de orelha da mãe! E não grita mais, mesmo quando Darla é
abordada por um policial - e um grito de Jenny poderia denunciar
que a mulher era uma psicopata seqüestradora! Tudo
vai indo no limite do insuportável até que o filme descamba de
vez. Leatherface não faz mais qualquer coisa no filme. Aparece
como um travesti, vestido de mulher, e é ofuscado totalmente por
Vilmer, que de repente vira o grande vilão do filme. Então,
quando pensamos que a coisa não pode ficar pior, Jenny está
amarrada a uma cadeira na mesa de jantar da família e aparece, do
nada, um homem de limusine, vestido como um executivo, com
refinado sotaque inglês. E vai entrando na casa dos psicopatas
como se fosse um membro da família. Jenny acha que ele foi salvá-la,
mas na verdade ele também é maluco; Rothman, o tal cara, começa
a agarrá-la e lambê-la, e tem o peito todo talhado de cicatrizes
e piercings!!!! O misterioso personagem aproxima-se de Vilmer e
diz: "Você sabe porque está aqui... Eu quero que estas
pessoas passem pelo mais verdadeiro horror". Entendeu?
Pois é, nem eu! Logo, após
uma cena verdadeiramente grotesca, cheia de gritos e faniquitos,
Jenny foge e corre pela estrada, sendo perseguida por Leatherface
e Vilmer. Então, em mais uma citação ao filme original, um avião
que pulverizava uma plantação próxima voa rasante e arranca o
topo da cabeça de Vilmer com a hélice!!!!!!!!! (no
primeiro filme, um motorista de caminhão faz Leatherface serrar
as próprias pernas). Jenny então corre para uma limusine e
encontra justamente o executivo que a tinha lambido momentos
antes. Mas, para sua surpresa, o homem está disposto a levá-la
até a polícia. "O que eu queria era uma experiência
espiritual, e não o que estava acontecendo", explica
ele. Entendeu? Nem eu! Alguns fãs da série têm usado os fóruns,
como o do IMDB, para lançar teorias sobre a identidade de Rothman.
Segundo alguns, ele seria membro de uma organização secreta que
chefiaria famílias de psicopatas em todo o mundo, e o
"trabalho" destas famílias era aterrorizar e matar
pessoas inocentes. Isso faz algum sentido? Para mim, não! Resultado:
fora Vilmer, toda a família de psicopatas continua viva
(especialmente Leatherface, que acaba o filme dançando com a
serra ligada, exatamente como no original). E, no hospital, Jenny
fica muda ao ver uma mulher em uma maca. A mulher não tem nenhuma
relação com o filme! Trata-se de uma participação-homenagem de
Marilyn Burns, que interpretava Sally, a única sobrevivente, no
filme original. Além dela, o policial que interroga Jenny é John
Dugan (que era o bizarro "Vovô" no primeiro filme), e o
enfermeiro que empurra a maca onde está Marilyn é Paul A.
Partain, que no filme original interpretava Franklin, o paralítico
irmão de Sally! Sacou? O final não tem lógica, é apenas um
festival de homenagens e participações especiais! (detalhe: nem
Marilyn e nem Ryan tem seus nomes citados nos créditos finais). Logo, se "O Retorno"... não
é uma verdadeira refilmagem, com todas estas semelhanças que eu
citei, não sei o que é... Pena que o filme não chegue nem perto
do primeiro que tenta, em vão, copiar. Além de não ter um mínimo
de violência e horror (ninguém é esquartejado para o jantar,
por exemplo, nem há qualquer menção a canibalismo; o que parece
é que todos são loucos, e pronto), o filme chega a ser ridículo
e cômico em diversos momentos, especialmente na péssima
caracterização de Leatherface, que passa a maior parte do filme
vestido de mulher (com vestido e maquiagem), dando gritos de
boiola e até recebendo ordens de Jenny (que, em certo momento,
grita para que ele sente e cale a boca, e é exatamente o que o
velho Leatherface faz!!!!!!!!!). Ninguém se preocupa em explicar,
também, que tipo de relação familiar tem aqueles desajustados
completamente diferentes - será que Leatherface, Vilmer e Darla têm
algum parentesco, por exemplo? E o que aconteceu com a família do
original, se "O Retorno" seria uma continuação direta
do primeiro filme? Os únicos membros da família original
presentes são Leatherface e o Vovô (claro!). Se Renée em nenhum
momento passa a imagem de uma mocinha desamparada e que corre
risco de vida, a pior interpretação, de longe, é a de
McConaughey, que faz um tipo histérico, sempre gritando e
querendo ser fodão e assustador, quando na verdade é o vilão
mais caricatural e sem graça dos últimos tempos. Quando quer
parecer assustador, ele arregala os olhos e começa a gritar, para
vocês terem uma idéia da capacidade de interpretação do moço.
Mas o pior é quando ele tem um faniquito e começa a se mutilar
com uma faca (exatamente como o "Caroneiro" faz no filme
original). Por tudo isso, eu simplesmente não consigo entender o
que Kim Henkel tinha na cabeça ao fazer esse filme (talvez drogas
pesadas), e como nenhum dos envolvidos percebeu a porcaria em que
estavam se envolvendo. Até mesmo hoje o filme é um verdadeiro
sinônimo de fracasso, e o mais criticado de toda a série - tanto
que afundou de vez a franquia! O
filme é tão ruim que foi concluído em 1994, mas só lançado
nos cinemas em 1997. Ele foi vendido à Columbia/Tri-Star, que
cortou mais de 15 minutos de bobagens e cenas que estavam
sobrando, lançando-o com o nome mudado para "The Texas
Chainsaw Massacre: The Next Generation". A produtora levava tão
pouca fé na obra que, além de lançá-la com anos de atraso (em
29 de agosto de 1997), ainda fez com que estreasse em apenas 15
cinemas... isso contando todos os Estados Unidos! O resultado: uma
bilheteria irrisória, que não passou dos 300 mil dólares, e o
filme não agüentou nem 15 dias em cartaz, sendo logo chutado
para o lançamento em vídeo. Injustiça? Bem, considerando a
ruindade do filme, acho que não. Primeiramente,
foi lançada a versão cortada, com o nome "The Next
Generation". Algum tempo depois, as duas versões começaram
a circular em VHS. A oficial, sem cortes, foi chamada "Return
Of The Texas Chainsaw Massacre". Felizmente (ou
infelizmente), a cópia lançada no Brasil é esta sem cortes. Ali
estão cenas como o padrasto de Jenny tentando abusar dela, no início
do filme (uma das seqüências cortadas pela Columbia na versão
"The Next Generation"). Mas a única versão lançada em
DVD nos States é a cortada. Na versão "The Next Generation",
também, a história se passa em 1997, não em 1994, e a trilha
sonora é totalmente diferente. Outra
história interessante dos bastidores é que o agente de Matthew
McConaughey - que em 1997 já tinha certo nome em Hollywood,
aparecendo em "superproduções" tipo "Tempo de
Matar", de Joel Schumacher - tentou oferecer dinheiro para os
produtores do filme, para que cancelassem o lançamento tardio nos
cinemas, com medo de que Matthew saísse queimado (aparentemente,
o próprio ator sabia o potencial de bomba do filme). Mas não
saiu acordo e o filme foi para os cinemas mesmo, para o horror de
todos os envolvidos, que até hoje devem ter vergonha de dizer que
participaram da quarta parte de "O Massacre da Serra Elétrica"...
Ridículo, péssimo, mal filmado e
editado, totalmente sem razão de existir, "O Massacre da
Serra Elétrica - O Retorno" é um dos piores filmes que eu já
vi, uma produção que jamais deveria ter sido realizada, nota
zero! E até hoje não encontrei uma única alma que falasse bem
dessa continuação... Nem mesmo os envolvidos nela - talvez nem o
próprio Kim Henkel. Às vezes eu gostaria que o mundo fosse um
lugar menor. Porque aí, talvez, você pudesse dar uma volta na
rua e encontrar, por exemplo, o próprio Kim Henkel passeando. E aí
poderia chegar para ele, com a maior cara-dura, e perguntar:
"Vem cá, cara, o que tu queria dizer com aquele filme?",
e ainda dar uma corneteada. Pena que o mundo é tão grande. Ia
ser realmente muito divertido cornetear o Henkel... |
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MASSACRE DA SERRA ELÉTRICA -
O RETORNO
(Return of the Texas Chainsaw Massacre ou The Texas Chainsaw
Massacre: The Next Generation, 1994, EUA)
Direção: Kim Henkel
Roteiro: Kim Henkel
Com: Renée Zellweger, Matthew McConaughey, Robert Jacks,
Tonie Perensky, Joe Stevens, Lisa-Marie Newmyer e James Gale.
Duração: 95 minutos
Lançado em VHS pela Cannes Home Vídeo. |
História completa
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