DISSECANDO A SÉRIE: O MASSACRE DA SERRA ELÉTRICA 2  - ARTIGO 2

 

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12 anos depois, "O Massacre da Serra Elétrica 2" foi feito no auge de uma época onde a moda era o "terrir", ou seja, o horror que se levava bem pouco a sério. Foi quando saíram filmes tipo "Reanimator", "A Hora do Espanto" (aquele do vampiro que era vizinho do rapaz, lembram?), "A Volta dos Mortos-Vivos" e muitos outros. Talvez por isso, Hooper tenha resolvido apostar no filão e fazer um filme bem humorado. A seqüência fazia parte de um acordo de três filmes que ele tinha fechado com a produtora americana Cannon Groups, logo depois de ter brigado com o produtor-executivo Steven Spielberg durante as filmagens de "Poltergeist - O Fenômeno", de 1982 (diz a lenda que Spielberg não só mandou e desmandou na produção, como ainda teria refeito várias cenas, enfurecendo Hooper). Mesmo tendo dirigido um episódio da série "Amazing Stories" em 1985 (produção de Spielberg, novamente), o cineasta só encontrava portas fechadas para novos projetos. Assim surgiu a Cannon em seu caminho. O contrato de Hooper com a Cannon era para três filmes de baixo orçamento, mas um, obrigatoriamente, deveria ser a seqüência do sucesso "O Massacre da Serra Elétrica" (os produtores não eram bobos). O primeiro filme de Hooper para a Cannon foi "Lifeforce", de 1985, lançado por aqui como "Força Sinistra". O roteiro aproveitava a passagem do Cometa Halley na órbita terrestre (marcada para o ano seguinte, 1986), colocando vampiras peladas, que viviam na cauda do cometa, atacando a Terra. Mesmo com um bom roteiro e efeitos especiais revolucionários para a época, o filme foi um fracasso de bilheteria - a produção custou 25 milhões de dólares e arrecadou pouco menos de 20 milhões nos cinemas. Golam e Globus foram mais exigentes com Hooper no filme seguinte, "Invaders From Mars" ("Invasores de Marte"), feito em 1986. Hooper era fã de um filme dos anos 50 que tinha este nome e não descansou até não conseguir os direitos para refilmá-lo. Entretanto, a produção deste remake foi marcada pelo orçamento irrisório, pois a Cannon tinha medo de que o filme fosse um novo fracasso de bilheteria e não queria gastar o mesmo que no ambicioso "Lifeforce". Isso explica os péssimos cenários e efeitos especiais de "Invasores de Marte". O filme também naufragou na bilheteria (custou 12 milhões de dólares e rendeu míseros 5 milhões nos cinemas americanos!). Então chegava a hora de cumprir o acordo e fazer "O Massacre da Serra Elétrica 2". A pressão da Cannon era imensa (eles queriam retirar, neste último filme, o lucro que os dois anteriores não conseguiram). Para se certificar de que Hooper faria tudo certinho, dentro da sua visão de cinema "popular", Golam e Globus vigiaram o diretor de perto, passando o maior tempo da filmagem no set, pressionando o cineasta. Meteram o bedelho em tudo, mudaram a história, forçaram a refilmagem de cenas e a retirada de outras do corte final. Não que o projeto pudesse sair alguma coisa que prestasse, pois desde o começo Hooper já queria seguir pelo rumo da comédia e do esculacho. A desculpa do diretor foi dizer que o primeiro filme, o clássico, a obra-prima do horror, também era uma comédia de humor negro, mas ninguém entendeu (realmente, achei muito engraçada a cena da mocinha pendurada no gancho de açougue, ou a do paralítico serrado para churrasco!). Assim, segundo o próprio Hooper, tudo que ele fez foi aumentar o humor negro do primeiro filme. Mas não tinha como sair boa coisa de um roteiro fraco como este que Tobe Hooper filmou. Tirando algumas referências ao primeiro filme, o que restou é uma autêntica refilmagem, que repete muitas das cenas do original (talvez por pressão dos produtores, que queriam de volta o que tinha dado certo no primeiro filme). E tudo aquilo que o clássico apenas sugeria (a violência implícita, encoberta nas sombras ou off-screen) aqui é atirado na cara do espectador de forma grosseira, com um excesso de sangueira e mutilações violentas, criadas pelo mestre Tom Savini em sua melhor forma! As filmagens de "O Massacre da Serra Elétrica 2" foram no primeiro semestre de 1986. O orçamento sofreu cortes severos: Hooper contava com apenas 4,7 milhões de dólares para fazer a seqüência de sua obra-prima. O roteiro do texano L.M. Kit Carson é enxuto e até tenta criar algumas situações diferentes, mas tudo parece esbarrar na gozação e na produção barata. Complica, também, o fato de Carson não ser um roteirista de "horror": seu roteiro anterior foi para o dramático "Paris, Texas" (de Win Wenders), em 1984. Ao invés de aproveitar o cenário de uma cidade grande, constrastando com a ferocidade dos canibais, o diretor preferiu centrar mais da metade do filme no odioso esconderijo subterrâneo da família - isso sem contar que foram filmadas cenas envolvendo os jogadores e torcedores do torneio de futebol citado no início da história, que eram perseguidos e mortos por Leatherface em plena cidade! O resultado é uma comédia sem graça, que acaba com Lefty e Leatherface saindo no braço, ou melhor, na moto serra, em um duelo sobre a mesa de jantar. Se fizermos as contas, o personagem de Leatherface foi totalmente desperdiçado no filme, matando uma única pessoa - Buzz, no início do filme - e mais ninguém. Reparem também como Leatherface nem manca, apesar de ter serrado uma das próprias pernas no final do primeiro "O Massacre da Serra Elétrica"! No livro "Making Movies", de John Russo, Hooper tentou explicar o porquê da tragédia chamada "O Massacre da Serra Elétrica 2". Segundo ele, o roteiro de Kit Carson tinha mais consistência, inclusive com uma trama paralela revelando que Lefty era um velho namorado da mãe de Stretch, e os dois teriam ligação familiar. Além disso, ele deixa claro que o Texas ranger é completamente maluco (o que fica razoavelmente evidente no final do filme, quando Lefty encarna um pregador e sai citando salmos bíblicos), e acusa a Cannon de ter mandado cortar várias cenas mostrando como o "herói" era louco. Os produtores alegavam que o público precisava torcer para o personagem de Dennis Hopper, e não odiá-lo. Hooper também disse que os dois produtores montaram uma improvisada sala de edição em pleno set de filmagens, obrigando-o a editar várias cenas e mudando-as conforme seu gosto pessoal. É o caso da cena onde Leatherface massacra um grupo de torcedores num estacionamento, serrando a cabeça de um deles no meio e decepando a mão de outro. A cena foi totalmente filmada, mas deixada de fora, apesar de exibir o talento do maquiador Tom Savini. Estes cortes deixaram o próprio Savini furioso. Em uma entrevista à revista Fangoria, naquela época, ele disse: "Não sei o que foi que fizeram com o filme! Cortaram 40% dos efeitos especiais que nós fizemos, a montagem estava incrivelmente ruim. E lançaram o filme unrated, o que significa que poderiam ter utilizado tudo o que quisessem, mas deixaram a maioria de fora. Quer dizer, se você pudesse lançar um filme unrated, não iria colocar tudo o que pudesse?". Savini vai mais além e fala também das várias cenas de violência que foram filmadas, mas cortadas: "Não usaram uma cena inteira num estacionamento subterrâneo, onde a moto serra atinge um rapaz bem no meio da cara, a mão de outro é cortada... São coisas que dariam ao filme mais personalidade. A minha opinião sobre 'Texas Chainsaw Massacre 2' é que depois dos primeiros 20 minutos, que eram assustadores, ficamos vendo um bando de malucos a falar bobagem por quase duas horas. Claro, tem excelentes maquiagens, tipo o Vovô e o maluco com a placa na cabeça, mas nós já vimos tudo isso antes. Não sei, mas tudo em relação a esse filme foi muito estranho". A verdade é que Tobe Hooper dirigiu "O Massacre da Serra Elétrica 2" como se fosse um verdadeiro adolescente fazendo o filme para seus amigos. Isso explica porque é uma verdadeira zona. O roteiro não tem a menor lógica (Lefty pede que Stretch toque a fita no ar como isca para a família de canibais, mas nem ao menos está na estúdio esperando os assassinos), nem é assustador. No fim, "O Massacre da Serra Elétrica 2" foi o mais lucrativo dos "filmes da Cannon" feitos por Hooper. Custou perto de 5 milhões de dólares (uma mixaria!) e rendeu 8 milhões de dólares só nos cinemas americanos (sem contar a bilheteria ao redor do mundo). Infelizmente, o filme não é nada mais do que uma exagerada e sangrenta sátira do clássico original, e ver tamanho desrespeito do próprio diretor com sua obra é sempre triste, e não agradável.

História: após 12 anos o tio de Sally e Franklin (MSE1) vai atrás da família de assassinos e junta forças com Strech, uma joven disk Jóquei que sofre barbaridades com a família de assassinos.

 

 

 

O Massacre da Serra Elétrica Parte 2
(The Texas Chainsaw Massacre Part 2, 1986, EUA)
Direção: Tobe Hooper
Roteiro: L.M. Kit Carson
Com: Dennis Hopper, Caroline Williams, Jim Siedow, Bill Moseley, Bill Johnson, Ken Evert, Lou Perry e Kirk Sisco.
Duração: 90 minutos (a versão lançada em laser disc nos EUA tem 111 minutos)
Lançado em VHS pela América Vídeo.

 

 

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