SOBRE O PLANETA...



GAIA é um dos nomes dados ao único planeta do Universo (por ora conhecido), cuja presença significativa de oxigênio livre na sua atmosfera o impregna de intensa cor azulada. Além de dotar o planeta de uma presença estética, essa cor possibilita a existência da Vida - assim como a concebemos. A condição de ser um exclusivo ninho que nos envolve e nos fornece o alento de vida (a satisfação de respirar e a sensação de plenitude) reveste o Planeta com uma auréola de matiz sublime, "maternal"...

Excetuando as transformações que a espécie humana produziu - e que denomina de progresso - que diferença existe entre Gaia e o Jardim do Éden, descrito como o Paraíso, segundo escrituras religiosas?

Que motivo nos leva a transformar esse paraíso (Gaia), num inferno?

O meio científico considera que a Terra evoluiu, durante bilhões de anos, a partir de uma "bola" incandescente, até se tornar a maravilha, que é, atualmente. De algum modo, um processo inteligente conduziu a transformação fantástica, que propiciou a existência da Vida. O que é esse processo, ou como o chamemos: Deus, Acaso, Natureza... ou sei lá que nome dermos a ele, ou se acreditamos sei lá no que, nada disso muda a constatação de que um processo inteligente, fabuloso, aconteceu e se manteve até agora, graças à sua condição de perfeição - ou pelo menos, é o que se conhece de mais próximo da idéia de perfeição. Enquanto humanos, não temos condição (pelo menos, não tivemos até o momento) de entendê-lo a contento. Entretanto é fácil concluirmos que a Natureza é, fantasticamente, sábia. Também que a demonstração dessa condição, da forma mais concreta, é o próprio planeta Terra ou Gaia. Portanto, o propósito de aperfeiçoarmos o que se supõe que seja aquilo que mais se aproxima da idéia de perfeição, é no mínimo, uma postura arrogante e estúpida (absurda). Se modificamos algo, devemos ter bom senso para evitar exceder os nossos limites (isto é, para não darmos o passo maior do que a perna). Quando criamos algo, isso nada mais é do que uma cópia de algo já existente, em forma mais aperfeiçoada, no Planeta. Assim é com os remédios químicos (que copiam as substâncias encontradas nas plantas), os aviões (que copiam os pássaros), etc. De certa forma, apenas descobrimos (nos damos conta), em dado momento, do que está à nossa volta. Temos o mérito de realizarmos essa façanha - se nos mantivermos em nossos limites, cujja percepção é possível através de uma postura humilde, sensata, cautelosa... e uma atitude que inclua respeito e dignidade, ou seja, se mantivermos a ética natural - a qual já trazemos interiorizada desde o nascimento. Somente a insensatez humana (nesse caso uma mistura de arrogância e de inconseqüência, com o interesse econômico) pode conceber / aceitar a idéia de aprimorarmos a Natureza, através de incursões apressadas, imprevidentes, nos códigos genéticos das espécies.

Ainda não foi suficiente explorar todas as espécies à revelia?!
Por que têm patentes - animais plantas e gente - feito mercadorias!?
A frieza que impõe a ciencia, não compensa o perigo que encerra
a incerteza das consequências do que pode ser nocivo à Terra.
(trecho do poema OCEANU)
 
 

Será necessário atingirmos o século trinta para que a humanidade considere, como sua mãe, "no mínimo, a Terra" (como previu Maiakóvski)!?
 
 

E QUANTO A VOCE?... vai fazer alguma coisa? Posso contar com a sua participação nesse meu intento ?

Por favor, não pense que voce não pode fazer nada... que não adianta só voce mudar... ou que ninguém pode mudar o mundo... ou que tudo é muito complicado... que voce é incapaz porque é um ser humano, em vez disso, pense que voce é capaz, exatamente porque está na condição de ser humano. Não me diga que voce não sabe o que é... que voce não entende a si mesmo... porque todos somos - ou fazemos parte de - um mistério! Assim como diz o poema...

...em mim cruza uma parede que se estende ao infinito,
e, a ambos, divide em duas partes.
Só numa , sempre, eu fico.
Cada uma dessas metades, às vezes, a outra vislumbra, como uma sombra furtiva,
envolta numa penumbra, que eu não sei onde fica,
mas que sempre reconheço.
Como me assombra esse misto de imaginação e realidade.
A única certeza é que existo; o resto é só possibilidade,
num vasto e enigmático universo, cujo fim eu desconheço,
e cujo mapa fantástico está impresso em cada uma das notas
duma interminável música-hino,
onde o ritmo se mostra colossal e incansável redomoinho,
no qual sou uma nave à deriva, que procura por abrigo seguro,
como uma gota, assustada e perdida, que ainda não se deu conta,
de que lhe bastaria reintegrar-se, sem desprezo, à mesma onda
da qual ela sempre foi uma pequenina parte.
Não quero uma única certeza; minhas convicções são abaladas a todo momento.
Meu cerne resiste, qual fortaleza; mas, minhas camadas exteriores, em desalento,
estão enfraquecendo, como lembranças antigas se dissolvendo no tempo.
Sou só um aglomerado de vazios, inefável, que está ficando mais leve.
Outras vezes sou apenas um fantoche que sabe que está só trocando de pele,
e segue confiante, sem saber se está sendo, ou não, manipulado.
A minha mente agora é prisioneira dum labirinto monstruoso, do qual não acha a saída,
e se debate de tal maneira, como animal encurralado que luta pela vida.
Quando acordo, sou uma cebola desgastada, de camadas supérfluas, se desfazendo.
Quando durmo, sou nuvem de pó na estrada, que se forma e se dissipa com o vento.
Será que já tive algum juízo, e agora o estou perdendo?...
Ou me confundi, penso que vivo, mas estive sempre morrendo!?...

Porém,
se vivo, é porque mereço.
Como pode, alguém querer, por isso, me cobrar algum preço?!
Viver bem é um direito que o mundo me faculta.
Nada devo além de respeito; e, se viver, inclue disputa
que exercite e aprimore,
ela terá de ser nobre, portanto, justa!
Somente tolos a confundirão com a luta entre povo e autoridades!
A sociedade é uma prisão, da qual tento estar à margem
pra não ser castrado, estratificado e impedido de exercer minha natureza!
Das elites ao povo, do povo ao gado, se fecha a corrente vil da opressão;
e o alimento de todos é contaminado pelo elo insalubre da poluição!
Tanto sangue e suór são investidos, pra pagar um direito de berço,
- que é o de habitar essa quase-esfera - a quem não aceito, nem reconheço
como sendo "donos" da Terra!
(Tal paraíso já tem seu próprio preço!)
Como filhos, ela a todos carrega;
nem aos ingratos lhes nega o carinho.
o manto-etéreo azulado que ela vestiu, distinguiu-a então, nosso único ninho,
num eterno passeio pelo imenso vazio.
Lamento por vê-la assim dividida;
insanas fronteiras a nos separar.
Da mesma família, somos seres estranhos, como forasteiros no seu próprio lar!
E tanto se briga, entre tantos rebanhos, segregados em cada retalho.
Por causa de intrigas, preconceitos e enganos agora a vestem de espantalho!
Sobre a sua carne viva, buracos no ozônio...
As entranhas, extraídas por seres medonhos,
viram supérfluos produtos de supermercados.
As feridas, cobertas de lixo, empesteiam o seu hálito.
Que restará de seu corpo inteiro, sendo assim mutilado?!

(parte do poema OCEANU)

 

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