[02/junho/2002 - 04:10]
Logo quando eu lancei o blog, eu pedi para que alguém me mandasse a tradução de Strawberry Fields Forever do Beatles. Eu já tinha até esquecido desse pedido, mas o Rafael (valeu cara) me enviou:

Strawberry Fields Forever
 
Deixa eu te levar comigo
que estou indo pra Strawberry Fields.
Não há nada real,
nada em que se amarrar.
Strawberry Fields para sempre.
A vida é fácil de olhos fechados,
quando não se entende o que se vê.
Está ficando difícil ser alguém.
Mas no fim tudo se arranja,
para mim, pouco importa.
Deixa eu te levar comigo,
que estou indo para Strawberry Fields.
Nada é real
não há nada em que se amarrar.
Strawberry Fields para sempre.
Acho que não há ninguém na minha árvore.
Acho que deve ser tudo ou nada.
(...)

John Lennon

Aproveito também para indicar o site de onde ele tirou a tradução. Muito bom.
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[02/junho/2002 - 04:07]
Divagações[30/maio/2002 - 13:15]
Dias como hoje me fazem pensar que eu não tenho motivo nenhum para não ser feliz.
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[30/maio/2002 - 13:15]

Achados e Perdidos
Achei o conto abaixo numa pasta de cartas. É um dos raros textos meus em que o original foi escrito a mão. Eu particularmente não gosto. Parece que é o personagem que apresenta o autor, quando deveria ser o contrário.


Metalinguagem


O cara que está escrevendo essa história quer que eu seja seu personagem, mas eu, sinceramente não tô muito a fim, porém, vamos ver o que ele me destina. Na verdade, ontem à noite ele já havia definido várias características pra mim, mas ele resolveu dormir e escrever hoje , mas cadê que ele lembra

Ele tá pensando que um nome pode ser um bom começo. É, talvez seja. Ele tá pensando em vários. Carlos, Marcos, Adriano, Marcelo, Fábio, Júlio, Henrique. Eu gostei de Júlio, mesmo porque os outros nomes são de parentes ou amigos dele. Ok, sou seu personagem agora. Meu nome é Júlio.

Pronto! Agora ele travou. Não sabe como continuar, vou ter que ajudá-lo. Ei! Que tal algumas peculiaridades, heim? Óculos? Não, óculos não. Vários piercings? E se eu for padre? Daltônico? Ok, daltônico. O que é um daltônico? Daltonismo – incapacidade de definir certas cores, como o vermelho e o verde. Ok, isso não vai me atrapalhar. Meu nome é Júlio, daltônico.

Porém, caro leitor, não tente me imaginar, pois o escritor ainda não definiu se sou branco ou negro, gordo ou magro, cabelo ruim ou bom, nem idade eu tenho ainda. Na verdade acho que eu preciso mesmo é de uma história.

(...tempo)

Voltou? Achei que você tinha se esquecido de mim. Lembre-se que eu ainda só tenho um nome e uma característica. Vamos! Seja criativo! Eu sei que você quer que eu tenha 17 anos, porque você tem essa idade e seria mais fácil escrever sobre a sua geração. Ok, meu nome é Júlio, daltônico, 17 anos.

Oh, caro leitor, quero que saibas que eu não sou culpado por toda essa metalinguagem. Isso é culpa do autor, que achou mais fácil escrever desse modo. Aliás, antes de mais nada, ele deveria ter esclarecido que essa história era para ser escrita por duas pessoas, e talvez ainda seja. Oh, não! Dois autores adolescentes mandando e desmandando na minha vida.

Pela cabeça dele eu poderia morar sozinho, o que seria bom para mim, mas para ele seria melhor que eu morasse com meus pais, assim haveriam os conflitos familiares. Tô começando a perceber que ele não quer que eu tenha uma vida fácil. Ele quer que eu seja tudo o que ele não é. Bom, melhor do que ser ele próprio. Meu nome é Júlio, daltônico, 17 anos, moro sozinho.

Ei, caro autor! Não ria da minha cara! Eu simplesmente esqueci que para morar sozinho eu preciso trabalhar, já que você me deu pais pobres. Tudo bem, eu deixo que você pense num emprego pra mim. Atendente de livraria? Isso existe? Já sei, você quer que eu seja um leitor voraz, não é? Ok, tá melhorando, já tenho até um emprego.

Para não o acharem preconceituoso, ele definiu que sou moreno, nem branco, nem negro. Não sou gordo nem magro. Sou alto, e que me desculpem os baixos. Agora sim, caro leitor, pode tentar me imaginar. Tenho olhos fundos decorrentes de várias noites sem dormir, pois fico lendo. Tenho um cabelo grande e desarrumado, igual ao do autor.

A única coisa que eu não estou gostando é que eu tenho que narrar a história. Eu não sou escritor, muito menos um Forest Gump. Mas eu sei porque ele está fazendo isso. Porque ele tá perdendo o fio da meada dessa história. Isso era de se esperar, já que ele é um autor jovem que se orgulha de ter publicado um único conto (péssimo, por sinal) numa revista de internet.

Tá... desculpa, eu não devia ter falado assim do seu conto.

Ei! Não desista! Você prendeu o leitor até aqui. Continue! Me dê uma personalidade. Eu sei que você quer que eu seja desinibido, porque você é tímido. Você quer que eu seja mal-educado porque você é o contrário. Ok, vou ser bonito também. Viu, como flui? Vá em frente, você tem um futuro e eu também.

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[30/maio/2002 - 10:54]

Isso tudo é ficção
Eu quero achar que isso é uma ficção. 


O que eu não faço por você?! 


- Camila, eu quero que você pinte o seu cabelo de ruivo.
- Isso é um pedido de casamento?
- Não. Porque?
- Quando nós ainda éramos somente amigos você disse que só se casaria com uma ruiva.
- É, eu disse. Mas isso não é um pedido de casamento. Eu só quero ver se você fica bem.
- Só se você cortar o cabelo e fizer aquela tatuagem.
- Isso é um pedido de casamento! Eu me lembro muito bem quando você disse que só se casaria comigo quando eu desistisse do cabelo grande e ainda fizesse uma tatuagem com o seu nome.
- Eu disse isso? Não tô lembrada. Mas se você fizer mesmo isso, eu caso com você.
- Qual? O cabelo ou a tatuagem?
- Os dois.
- Você pinta o cabelo de ruivo?
- Claro que não. Acabei de colocar uma coloração nova.
- Então nada feito. É melhor a gente terminar tudo por aqui.
- Só por causa do meu cabelo?
- Como assim "só por causa do meu cabelo"? Eu já disse que eu só caso com uma ruiva. Além do mais, você tem olhos verdes. Ia ficar lindo.
- Não sei não.
- Então é melhor a gente dar um tempo. Quinze dias pra você pensar se vale a pena fazer esse sacrifício por mim.
- Se você quer assim.

Duas semanas depois


- Camila, você tá aí?
- Carlos, é você? Eu tô aqui no banheiro.
- Desculpe eu ter vindo sem avisar. Hoje eu me lembrei que ainda tenho a chave daqui. Cadê você?
- Aqui no banheiro.
- O que você tá fazendo?
- Experimentando uma nova coloração pra cabelos. É ruivo. Vem logo aqui no banheiro.
- Oi! Nossa, você ficou ótimo de cabelos curtos. Levanta a manga da camiseta! Caaara, que show. Você tatuou mesmo Camila no seu braço?!
- Eu trouxe as alianças.

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[26/maio/2002 - 11:20]
Música e links (ou vice-versa)
Eu sei que todo bom blog tem uma "seção" com links para outros blogs, e pelo que vocês podem ver, o meu não tem. E para fazer isso eu teria que mudar todo o design do site, o que eu não estou com vontade de fazer. Então vou indicando os blogs que eu achar legal aqui mesmo, ok? 

:: Spectorama - É blog do André Takeda, autor de Clube dos Corações Solitários e o editor da TXTMAGAZINE.com. Foi um dos primeiros blogs que eu conheci.

:: Mininaflor - Ótimas imagens. 

:: Motocontínuo - Belo design e bons textos.

:: HYPER.SPEED.BLOG - "Quem olha pra fora, sonha. Quem olha pra dentro, desperta."

Vamos à música agora: Ontem meu irmão Kita me apresentou uma linda canção do Bob Dylan chamada Blowing in The Wind em duas versões. A segunda era na voz de Joan Baez. Ambas são muito lindas.
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[26/maio/2002 - 11:20]
Sem querer fugir do tema
Existe mulher mais bonita do que uma ruiva? Eu acho que não.
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[24/maio/2002 - 17:00]
Camila e Carlos 
Ainda usando os dois personagens de Palavras Cruzadas, escrevi o texto abaixo.

Tom e Jerry


A Camila resolveu mudar pro prédio onde eu moro. E isso não é tudo; ela tá no mesmo andar.

- Carlos entra.
- O que foi? Quer ajuda na decoração?
- Não. Vai na lavanderia.
- Pra que? O que você tá aprontando?
- Vai ver o que tem na lavanderia.

- Que porra é essa?
- Não fala assim. É o Shiriu, meu ratinho.
- Shiriu? Shiriu é nome de dragão, não de rato. Você nunca me disse que tinha um rato.
- Você nunca me perguntou.
- O síndico viu isso?
- É por isso que eu te chamei.
- E eu com isso?
- Então, o síndico me deu 24 horas pra "dar um jeito" no bicho. Leva ele pro seu apartamento, e amanhã você me devolve.
- Nem fodendo. Você esqueceu que meus pais voltaram de Porto de Alegre? Além do mais, eles trouxeram uma novidade.
- O que?
- O Casmurro.
- Que Casmurro?
- Um gato persa que a minha vó tinha. Minha mãe disse que foi a única coisa que sobrou de recordação.
- Não, tudo bem, o Shiriu fica na gaiola. Você coloca no seu quarto e ninguém vai ver.
- Camila, isso não vai dar certo.
- Carlos, por favor.
- Tá, mas se o Casmurro fizer alguma coisa, eu não tenho nada a ver com isso.
- Tudo bem, mas coloca o Shiriu em um lugar seguro.
- Ai meu Deus, isso não vai dar certo.

Dia seguinte:

- Mãe, você viu a gaiola que estava debaixo da minha cama?
- Tinha uma gaiola vazia lá que eu coloquei na lavanderia.
- Jura que tava vazia? (Casmurro filho-da-puta) Cadê aquele maldito gato?
- Não fala assim do Casmurro.
- Tá bom, mas cadê ele?
- Ali, no sofá. Filho, o que você tem?

- Cadê? Cadê o rato da Camila? Fala seu gato viado.
- Filho, não aperta o Casmurro assim. Me fala logo o que tá acontecendo.
- Fala logo, seu gato viado.
- Filho...

Casa da Camila:

- Não acredito! Pô Carlos, você não cuidou dele?
- Pô Camila, eu tenho mais o que fazer, do que ficar olhando um maldito...
- Não fala assim dele.
- Tá, ele costuma fugir da gaiola?
- As vezes. Já sei, procura no cesto de roupa suja.

- Mãeee!!! Cadê o maldito cesto de roupa suja?
- Seu pai levou pra lavanderia. Filho, tá acontecendo alguma coisa?
- Rato filho-da-puta.
- Filho...
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[24/maio/2002 - 17:00]

Contos sem fim
Tem alguns contos que eu nunca consigo terminar, e se eu não consigo terminar, eu acabo deixando sem título. O texto abaixo é um desses. (eu tinha pensado em chamá-lo de All Star) 

Sem Título

Elevador do prédio onde eu moro. Ontem, 17:00.

- Oi.
- Oi.

Houve um longo silêncio de uns 30 segundos.

- É Camila? O seu nome?
- Isso, como você sabe?
- O crachá.
- Droga, eu sempre esqueço de tirar.
- Não, não tira. A foto tá linda.

Acho que ela queria responder alguma coisa, mas não o fez. Pelo contrário, disfarçou o mais rápido possível.

- O seu nome é Carlos. – Ela afirmou com uma certeza que me admirou. O elevador chega ao 6º andar. Ela me olha. Os olhos dela me dizem "vem comigo", mas ela apenas diz:
- Então, eu moro aqui. Apartamento 102. Vê se aparece pra gente ouvir um pouco de música e beber vinho. – É... os olhos diziam quase a mesma coisa.
- Tudo bem – disse com cara de bobo, quando ela já ia saindo do elevador – Camila, como você sabe meu nome?
- Tá escrito no all star. Tchauzinho.
- Tchau.

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[21/maio/2002 - 21:00]
Diálogos
Um pequeno diálogo entre os personagens de Palavras  Cruzadas:

Telefonema


- Alo?
- Oi?
- Quem é?
- Como assim quem é?
- Ah, já sei quem é; fala Camila.
- Não me chama de Camila.
- Ué, qual seu nome?
- Camila, mas você só me chama assim quando está bravo.
- É você quem tá dizendo isso.
- Tá vendo como você está bravo?!
- Eu não tô bravo.
- Ah Carlos, não enche! Fala logo o que você quer comigo.
- Eu? Mas foi você que me ligou.
- Aí tá vendo como você me deixa confusa?!
- Tá bom; fala logo o que você quer.
- Credo Carlos, isso é jeito de falar.
- Me liga de novo; tchau.

- Alo? Quem fala?
- Carlos.
- Grande coisa.
- Fala logo Camila.
- O que você tá fazendo?
- Tô a meia hora tentando ler um parágrafo de um livro da facul, mas o maldito telefone não pára de tocar.
- Então é assim? Tchau.
- Camila... Camila... Eu sei que você tá aí. Esqueceu que foi você quem me ligou? Fala de uma vez por todas o que você quer.
- Esquece.
- Ah não, agora você vai falar.
- Tá bom. Mirar, fitar com 5 letras.
- Olhar. Caramba Camila, quando eu te conheci você era melhor em palavras cruzadas.
- Quando eu te conheci você não era tão estúpido.
- Era só essa?
- Rude, grosseiro.
- Com cinco letras também? Bruto.
- Tchau.
- Ih, falei alguma coisa errada?
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[21/maio/2002 - 21:00]

Final

Palavras Cruzadas
Parte 3


Tipo de flor que agrada muito as mulheres, com 5 letras.


- Rosas ?! Que lindo Carlos, obrigada.
- Quer dançar comigo?
- Oi?
- Oi, tudo bem? Quer dançar comigo?
- Aqui?

Eu e Camila estamos na frente da escola. Hoje eu passei para buscá-la. (Não, ainda não rolou nada)


- Não, vamos pra minha casa.

(Preciso fazer uma breve descrição da minha pessoa, se é que isso interessa o caro leitor. Carlos Pontes. 22 anos. Estagiário numa redação de jornal. Amante de Beatles, vinho, carros antigos e atualmente, palavras cruzadas.)

- Carlos, você mora com seus pais? – Camila gritou. Eu estou na cozinha, procurando a merda do saca-rolhas para abrir um vinho que estou guardando pra uma pessoa especial, como a Camila. Respondo:
- Mais ou menos. Meus pais estão passando um tempo na casa da minha vó em Porto Alegre. Já faz 2 meses que estão por lá, e não vão voltar tão cedo.
- Que música nós vamos dançar? – Ela disse. Agora eu já estou na sala. Servindo vinho em copo de requeijão. Onde minha mãe guarda as malditas taças? Estou indo até o aparelho cd. Coloco a música e olho pra Camila.
- I Wanna Hold Your Hand – Eu sempre achei que a tradução dessa música fosse "Me dê sua mão", mas continuo achando que devo estar errado, meu inglês sempre foi péssimo. Mas fato é que ela me deu a mão. Sei que essa não é a música mais aconselhável para se dançar abraçado. Mas quer saber?

- Eu gosto dessa música Carlos.

E nossos corpos se tocaram naquela dança totalmente descompassada, mas pouco importava o ritimo da música. O que importa é que eu estou aqui, no meu apartamento – porque agora eu posso chamá-lo assim – bebendo minha bebida favorita e com uma menina maravilhosa nos meus braços. Será que ela consegue sentir como o meu coração está disparado? Será que ela percebe minha mão suada envolvendo seu corpo? Nós estamos nervosos. Eu sei disso.

O cd continuou rolando e nós continuamos abraçados, quase não nos mexíamos mais. O silêncio foi absoluto por uns sete minutos. Até que Camila começou a falar, bem pertinho do meu ouvido.


- Carlos, já reparou como nós conseguimos ser felizes com tão pouco? O que tem de tão especial aqui? Dois adolescentes – porque eu posso te chamar assim, pois sinto seu coração disparado -, num simples apartamento, bebendo vinho de padaria – não gostei dela ter falado assim do vinho que havia guardado só para aquela ocasião – dançando, ou melhor abraços, ouvindo Beatles. Há maneira de ser mais feliz?
- Há. – Com o coração saindo pela boca – parecia que era meu primeiro beijo – enlacei minhas mãos no pescoço dela e pude sentir seu singelo cheiro e o leve gosto da sua boca.

Naquela tarde, eu e Camila descobrimos que o ponto mais alto da felicidade pode ser o amor. E o ponto mais alto do amor – vocês podem descordar de mim – é o beijo.

Estado de intensa alegria. 10 letras.


- Essa é fácil. Felicidade.

 

[21/maio/2002 - 21:00]

Parte 2
Aí vai a 2º parte de Palavras Cruzadas.

Palavras Cruzadas
Parte 2

Saudação com duas letras.

- Oi.
- Carlos, tudo bem?

Eu e Camila trocamos telefone ontem, e hoje estamos nos encontrando aqui, no mcdonald´s da Faria Lima. Eu trouxe um Coquetel, fácil (suave) caso haja falta de assunto.

- Eu trouxe um coquetel pragente.

Camila sorriu e disse "que bom" . A essa altura, já não posso mais negar. Estou apaixonado por essa menina que está sentada ao meu lado. Será que posso chamá-la de menina? Acho que sim. Afinal ela ainda está com o uniforme do colégio. Eu tento reparar na inscrição da camiseta, mas ela me interrompe.

- Ah, desculpa, não deu tempo de passar em casa para trocar de roupa.

Conversamos por quase duas horas seguidas. Comemos muitas batatas, casquinhas mistas e alguns lanches. As palavras cruzadas que eu levei não duraram muito tempo; a menina é fera mesmo. Saímos do mcdonald´s porque Camila queria ir num sebo na Pedroso.

(Se você está lendo este conto até aqui, deve estar se perguntando porque eu ainda não falei muito da Camila. Ok, deveria ter feito isso já no primeiro capítulo.

Em tempo: quando pedi para que Camila me falasse mais dela; a reposta foi a seguinte; " Sou não mais do que uma adolescente confusa de 17 anos, talvez por isso que eu goste tanto de palavras cruzadas, elas me dão a impressão de que tenho todas as respostas. Eu amo os Beatles e Fanta Uva" Fanta Uva!? Cara, como é possível alguém gostar daquele negócio doce? E Beatles? Uma garota de 17 anos que gosta de Beatles. Eu realmente estou apaixonado.)

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[17/maio/2002 - 21:00]

Conto novo
Confesso que eu realmente não sou um blogueiro muito regrado. As vezes eu fico dias e até semanas sem escrever. Peço-lhes desculpa pela falta de atenção.

O texto abaixo é a primeira parte de um conto que escrevi essa semana. São três partes; as outras duas eu vou postar ainda este final de semana. É inspirado em algumas comédias românticas que tenho lido.

Palavras Cruzadas
Parte 1 


Maior cidade do Egito com 5 letras. Eu nunca gostei de palavras cruzadas.

- Cairo
-
Oi?
- Oi, tudo bem?
- Tudo. O que foi que você disse?
- Cairo. A maior cidade do Egito.
- Obrigada.

Já repararam como é difícil de encontrar uma mulher que diga obrigada (assim com a no final)? Todas as mulheres deveriam agradecer dessa forma; é tão mais bonito e bom de se ouvir.

Nas palavras cruzadas dela existia a foto de uma atriz que eu tinha certeza que sabia o nome, mas não lembrava. Caramba, logo agora que eu precisava ajudar aquela linda garota a passar seu tempo naquela imensa fila de banco que não andava.

- Essa daí não é aquela atriz de Cidade dos Anjos?
- A Meg Rian, não. Claro que não. - Odeio quando as pessoas repetem duas vezes ou mais a mesma expressão de negação. Não, claro que não.

Dessa vez foi ela quem começou nosso 3º diálogo.

- Você assistiu Sheakespeare Apaixonado?
- Sim.
- Você lembra da atriz do filme. É ela, não é?
- Só, é ela mesma.
- Aqui, começa com g. Eu sei o nome dela, mas não lembro.

Houve um breve silêncio e pela primeira vez nos olhamos. Era aquele olhar de dúvida, pois qual era mesmo o nome da atriz? A única coisa que unia duas pessoas estranhas numa fila de banco era a merda de um nome de atriz que ainda havia ganho o Oscar por aquele mesmo filme.

- Pula pra outra. Ali, escritor pré-modernista, acho que é Lima Barreto.
- É, tem razão.

E então eu, que raramente conhecia pessoas novas em situações como aquela, resolvi estabelecer comunicação direta com a...

- Qual seu nome – Eu disse assim de forma rápida, meio com medo. Qualseunome?
- Seis letras, a segunda letra é um A e a última também.
- Karina?
- Ããm. – Enfim havia encontrado alguém ainda usava um "ããm" para responder de forma negativa.
- Pô, me dá mais um dica. Só mais uma letra.
- Não. Me fala seu nome primeiro.
- 6 letras. Segunda letra é A e última é S.
- Quer brincar de palavras cruzadas logo comigo? É claro que é Marcos.
- Ããm.
- Começa com C – nós dois dissemos ao mesmo tempo, e pela primeira vez, trocamos sorrisos. E como era lindo o sorriso da...
- Já sei. Gwinet Paltron.
- O que?
- A atriz, é Gwinet Paltron, não é? – eu disse e ela me sorriu novamente.
- É mesmo, brigada. – Mas um agradecimento dessa forma e um sorriso lindo daquele, eu estaria apaixonado pela...
- É Camila, né?
- É, o seu é Carlos, né?
- Isso.

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Mais um texto

Não sei se o texto abaixo é uma história verídica ou mais uma ficção. Escrito também nessa semana.

Amores Possíveis

Andando mais atento do que nunca havia andado, hoje eu reparei em todas as pessoas. Procurando nos rostos repostas para as minhas dúvidas, porque se eu não tenho resposta, alguém deve ter.

Entrei na lotação e, sem reparar, sentei no único lugar em que era possível observar e ser observado por todos. Mas não me fixei em ninguém, até que vi você. Qual é mesmo seu nome? Não lembro, na verdade eu nem perguntei. Me fixei em você. Eu te olhava com a curiosidade de uma criança, com o receio de um adolescente e com a madura certeza de que havia encontrado a mulher da minha vida. Você, as vezes, retribuía meus olhares; somente alguns, mas todos você notava e gostava que eu sei.

Por um instante, meu olhar se desviou e quando voltei a te olhar, você estava cochilando. Eu sei que você fez isso de propósito. Porque, se você não sabe, uma das mais belas coisas da vida é ver uma mulher dormir. De quando em quando você acordava de forma rápida, dava uma breve checada no percurso e cochilava novamente. Porque você estava tão cansada? Eu comecei a supor que, assim como o meu, o seu dia deveria ter sido cansativo. Aliás, todas as pessoas da lotação cochilavam, mas quem me interessava era você.

De repente você acordou, limpou os olhos e abraçou a mochila que estava no seu colo. Talvez aí você tenha mostrado um sinal de carência que eu já havia notado no seu olhar. E você me olhou, e por mais um instante eu tive mais certeza de que era você, a mulher da minha vida. Era como se só nós dois estivéssemos ali, naquela lotação que rodava SP, em mais um final de tarde.

Antes que eu pudesse fazer qualquer coisa, você desceu e eu parti. Ainda fiquei te olhando uns 30 metros, mas você se foi mesmo. Amores possíveis existem de monte por aí, como eu e você. Situações propícias é que nos faltam.

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[03/maio/2002 - 17:00]

Bienal
Acordei pensando se realmente iria valer a pena sair de casa para ir a Bienal - já que é um "puta trampo"- mas meu pai falou que me levava. Resolvi ir; cheguei lá as 15 pras 10 das manhã. Já estava lotado; filas enormes para comprar o bilhete. As 10 abriram as portas e entrei. Nossa!! Andei...Andei...Caramba, eu vim sozinho. É chato ir sozinho na Bienal. Passei no estande da Comix, comprei o livro do André Takeda (com o dinheiro que o meu pai tinha me dado) e fiquei enrolando e procurando um amigo meu no meio daquela imensidão de crianças gritando ao verem Harry Potter. Duas horas depois de entrar, saí; sem achar o meu amigo e com vários marca textos na mão.

Então resolvi testar se eu já tinha aprendido a usar o metrô. Não é que deu certo! Desci na estação da Av. Paulista, onde havia, no Sesi, um show de Blues e Jazz muito bom. Pra variar um pouco, comi no Bob´s e depois enfrentei dois ônibus lotados para casa. Agora estou aqui; numa pausa de leitura do Clube dos Corações Solitários.

Ah, só mais uma coisa. Uma vez eu li uma entrevista do Amyr Klink (não é assim que escreve o nome dele?) dizendo que o único lugar onde ele se sentia solitário era caminhando sozinho na av. Paulista. Concordo plenamente. Um outro texto que li dizia que o ruim de andar nessa mesma avenida é que você fica observando todas aquelas pessoas com que você gostaria de fazer sexo, mas não pode. Hoje eu vi várias.

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[02/maio/2002 - 19:00]

1º de maio
Ontem eu recebi um e.mail de uma amiga falando sobre a mania brasileira dos feriados.

"Feriado de 1 de maio. Alguma justificativa? Nenhuma. Razão? Nenhuma. Daki um tempo inventarei um feriado falando que é o dia de fazer nada. Será que iriam aceitar? creio que não; teria que ser algo que mostre alguma mensagem ou sei lá o que; ou o dia do Pleonasmo, uma palavra bonita, mas não poderia ser aceita. O governo não sabe o significado, ou sabe mas tem medo de errar e falar que vai subir a subida no dia do pleonasmo."

É isso aí.

Caramba; já é maio. Eu quase não fiz porra nenhuma nesse ano. As minhas promessas não valem nada; mas prometo que vou fazer. Juro.

Músicas novas da minha playlist:
::Ramones - Sheena is a punk rocker
::Pato Fu - Perdendo os dentes
::Creed - My Sacrifice

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[30/abril/2002 - 20:00]

Novo, de novo
Pra variar, mudei o visual do site. Mas esse vai ser definitivo, beleza? Nem coloquei aqui as mensagens postadas no visual antigo, mas para acessar é só clicar aqui.

Tardes intermináveis

Hoje, pela primeira vez na vida, estou com vontade de ter um cigarro para fumar. Tem um maço de Marlboro vazio aqui do meu lado; meu irmão fuma. Estou lembrando daquela imagem do Graciliano Ramos na contracapa de Vidas Secas, com um cigarro na boca escrevendo. Queria ter inspiração para escrever durante dias e noites, trancado num quarto, fumando como um louco e com vários garrafas daqueles vinhos de bar para beber muito. Na minha playlist do Winamp tem músicas para tocar durante 4 horas, 22 minutos e 23 segundos. É tempo suficiente para escrever o prólogo do livro que quero lançar. Mas nem uma história eu tenho. Talvez eu devesse escrever sobre cada música que está tocando. Lembrei agora da minha professora de redação dizendo que nunca se deve usar expressões como "talvez", "eu acho" e principalmente "hoje em dia". Quer saber? Hoje em dia, talvez eu ache que ela é uma chata.

Sabe qual o problema dos meu textos? Eu misturo muitos assuntos num único parágrafo. Não sei se isso é errado ou certo, mas dizem que um parágrafo nunca pode ser muito grande. Eu odeio trocar de parágrafo, mas, mesmo assim, eu acabo trocando. Uma vez eu escrevi um texto inteiro (um texto grande) sem nenhum parágrafo e com raras vírgulas. Apesar de eu simpatizar com as vírgulas; gosto de aposto. É aposto que se usa quando se coloca uma vírgula para explicar a palavra anterior? Sei lá, estudei isso esses dias com aquela mesma professora de redação.

Agora, tá tocando Strawberry Fields Forever do Beatles; eu amo essa música e traduzi-la talvez seja a maior razão pela qual eu queira aprender inglês. Mas agora já está tocando Capital Inicial, cuja versão de Wonderwall, do Oasis (isso é um aposto), ficou muito legal. Que bosta, vou atender o telefone, já volto. É foda quando você corre para atender o telefone e quando pega o fone a linha cai. Tá vendo, já tô sem assunto. Ah, meu quarto tá uma bagunça e eu ainda tenho que mudar tudo lá pra cima; pro novo quarto. Agora chega.... que falta de inspiração. Tenho até vergonha de dizer o que tá tocando nesse momento. Mudei de música. Tchau.

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