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Anexos

O Amigo - Oswaldo Dias

Pesadelos - Aline Louise
 

Eu

Ouvindo

Zeca Baleiro
Proibida pra mim
Lenine
Paciência
Lampirônicos
Pop Zen
Alanis Morissete
Hands Clean

Lendo

Triste Fim de Policarpo Quarema
Lima Barreto

Revista da mtv

Estudando

Problemas Teóricos da Teoria dos Três Setores
para apresentação de Sociologia.

De saco cheio com...

Com João Kleber. Precisa explicar?

Com saudades de...

Daniela Soares
Mônica da Silva

Eu

Lucas (Messias) Amorim
04/julho/1984 - 17 anos
Cânceriano - tímido

Arnaldo Antunes - As coisas

As coisas têm Peso,
Massa,
Volume,
Tamanho,
Tempo,
Forma,
Cor,
Posição,
Textura,
Duração,
Densidade,
Cheiro,
Valor,
Consistência,
Profundidade,
Contorno,
Temperatura,
Função,
Aparência,
Preço,
Destino,
Idade,
Sentido.
As coisas não têm paz.
As coisas.

Retratos

Alanis Morissete

Eu indico...

Atentado - Sonia Rodrigues Mota

 

 

 




 

 

 

 

 

 
















 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

[23/abril/2002 - 20:00]
Isso vai acontecer com você, se já não aconteceu.
Já há algumas semanas que procuro como um louco por uma chave que perdi. Essa é outra situação que está na lista do "isso vai acontecer com você, se já não aconteceu". E pode ter certeza; chaves perdidas não costumam aparecer. Pior ainda é não saber onde é que a bem(mal)dita chave estava a última vez que você a viu.

(Abre) Perder as coisas não é uma novidade para mim. Quando criança, eu e meus pais vivíamos indo para Assis, no interior de SP, visitar meu irmão Kita. Certa vez, quando voltávamos, paramos num posto de gasolina pois o carro estava "quebrando". Uma hora depois, quando já continuávamos a viagem, senti  falta do tênis que minha mãe tinha me dado uma semana antes. Tarde demais; ficou pro filho do dono do posto de gasolina. (Fecha)

Então, quem encontrar a minha chave me passa um e-mail. É uma única chave, dessas de cadeado, com um chaveiro meio redondinho preto. Valeu.

Anexos
O Amigo - Oswaldo Dias 
Pesadelos - Aline Louise

[22/abril/2002] - 17:30
Viva o Brasil
Quase ninguém lembra mas hoje é aniversário do Brasil. 502 anos. Viva! Viva! Viva? Viva o que? Ah, sei lá. Viva o café nacional, a música nacional, os livros nacionais. Viva a produção cultural que vem crescendo bastante. Viva a esperança do povo. Viva o brasileiro.

Pra comemorar a data (?), lanço o novo layout do site. Algo mais funcional e mais com a minha cara.

Viva!


[20/abril/2002] - 13:50

Eu quero sangue
A Alessandra, do blog Vida de Redatora, me pediu um conto com sangue. Aí vai um que escrevi o ano passado.

Sangue-Sangue 

O rapaz do necrotério abriu aquilo que para ele era apenas mais uma caixa com uma defunta dentro. Para mim, era Madalena Meireles.

Sai no necrotério sem rumo. Há outra maneira de se sair de um necrotério após ver o corpo da mulher amada? Eu não poderia fazer mais nada e isso me prendia ao meu próprio corpo, como se eu estivesse acorrentado. Os gritos “agarganteados” não saiam, os piques de corrida não corriam, ao chamar Madalena ela não responderia.

Vaguei sem rumo até sua casa. Casmurro, o cão, parecia saber o que havia acontecido; estava lá, deitado na grama, onde nunca havia deitado.

Engraçado, agora tudo parecia diferente. Casmurro, ali quieto no seu canto parecia maior. A casa parecia que se movia e parecia menor. Parecia, mas não era.

Logo ao entrar, percebi que tudo permanecia no mesmo lugar, mas não permanecia. A cama, sem Madalena, era apenas mais uma armação de madeira coberta por um colchão. Os quadros eram apenas pinturas; os livros eram letras.

No banheiro havia muito sangue. Sangue líquido, grosso, sangue-sangue mesmo. Era pouco sangue se contarmos as 17 facadas.

Porque!? Há outra pergunta que se possa fazer!? Porque!?

Liguei o chuveiro, me despi e tomei um banho. Um banho de Madalena. Um banho de despedida, mas o sangue era pouco. Da próxima vez, abrirei buracos maiores.


[19/abril/2002] - 21:44
Momentos de fúria

Estou eu aqui, em mais uma interminável tarde. Deitado num colchão, com uma luz péssima me iluminando, lendo uma revista da mtv e tendo que ler o detalhista Lima Barreto, com Policarpo Quaresma, o frustrado nacionalista. Para piorar, a minha melhor caneta (essa) tá acabando a tinta. Então eu pergunto: Porque as canetas mais gostosas de escrever duram pouco?! Agora vou demorar mais uma semana para encontrar uma caneta "do meu jeito". Porra de fabricante! Ah, vai tomar no cú. Eu sei que palavrão em fim de parágrafo estraga todo o texto, mas foda-se. Quero que o fabricante da caneta vá pra casa do caralho. Vá tomar no olho do cú.

Essa porra de caneta não acaba logo. BIC – bosta (i)scrota do caralho.

[31/março/2002] - 13:10
Strawberry Fields Forever
Ou o contador do Geocities está errado, ou ninguém acessou meu pseuso-blog ainda. Mas tudo bem, hoje eu só passei para pedir que alguém traduza Strawberry Fields Forever do Beatles para mim. Valeu?!

[29/março/2002] - 15:45
Recado ao senhor 903

Rubem Braga

Vizinho,

Quem fala aqui é o homem do 1003. Recebi outro dia, consternado, a visita do zelador, que me mostrou a carta em que o senhor reclamava contra o barulho em meu apartamento. Recebi depois a sua própria visita pessoal – devia ser meia-noite – e sua veemente reclamação verbal. Devo dizer que estou desolado com tudo isso, e lhe dou inteira razão. O regulamento do prédio é explícito e, se não fosse, o senhor ainda teria ao seu lado a Lei e a Polícia. Quem trabalha o dia inteiro tem direito ao repouso noturno e é impossível repousar no 903 quando há vozes, passos e músicas no 1003. Ou melhor: é impossível ao 903 dormir quando 1003 se agita; pois como não sei o seu nome nem o senhor sabe o meu, ficamos reduzidos a ser dois números, dois números empilhados entre dezenas de outros. Eu, 1003, me limito a Leste pelo 1005, a Oeste pelo 1001, ao Sul pelo Oceano Atlântico, ao Norte pelo 1004, ao alto pelo 1103 e embaixo pelo 903 – que é o senhor. Todos esses números são comportados e silenciosos; apenas eu e o Oceano Atlântico fazemos algum ruído e funcionamos fora dos horários civis; nós dois apenas nos agitamos e bramimos ao sabor da maré, dos ventos e da lua. Prometo sinceramente adotar, depois das 22 horas, de hoje em diante, um comportamento de manso lago azul. Prometo. Quem vier à minha casa (perdão; ao meu número) será convidado a se retirar às 21:45, e explicarei: o 903 precisa repousar das 22 às 7 pois às 8:15 deve deixar o 783 para tomar o 109 que o levará ao 527 de outra rua, onde ele trabalha na sala 305. Nossa vida, vizinho, está toda numerada; e reconheço que ela só pode ser tolerável quando um número não incomoda outro número, mas o respeita, ficando dentro dos limites de seus algarismos. Peço-lhe desculpas - e prometo silêncio.

... Mas que me seja permitido sonhar com outra vida e outro mundo, em que um homem batesse à porta do outro e dissesse: "Vizinho, são três horas da manhã e ouvi música em tua casa. Aqui estou". E o outro respondesse: "Entra, vizinho, e come de meu pão e bebe de meu vinho. Aqui estamos todos a bailar e cantar, pois descobrimos que a vida é curta e a lua é bela".

E que o homem trouxesse sua mulher, e os dois ficassem entre os amigos e amigas do vizinho entoando canções para agradecer a Deus o brilho das estrelas e o murmúrio da brisa das árvores, e o dom da vida, e a amizade entre os humanos, e o amor e a paz.

[29/março/2002] - 13:30
Grogue
No ano passado eu li um livro muito bom chamado Grogue. Ontem, eu estava procurando um site onde eu achasse a capa do livro para que eu pudesse indicá-lo para vocês, mas achei algo melhor. Um maluco digitou o livro todo e disponibilizou-o para download. Se puderem, leiam o livro; não vão ter nem o trabalho de comprá-lo. O autor é Toni Brandão. O endereço do site: http://madpage.2x.com.br/livros.htm

Estive as últimas semanas procurando pela internet um poema de Arnaldo Antunes que aparece no filme "Bicho de Sete Cabeças". Acabei achando ontem também. Segue abaixo:

O Buraco do Espelho

o buraco do espelho está fechado
agora eu tenho que ficar aqui
com um olho aberto, outro acordado
no lado de lá onde eu caí

pro lado de cá não tem acesso
mesmo que me chamem pelo nome
mesmo que admitam meu regresso
toda vez que eu vou a porta some

a janela some na parede
a palavra de água se dissolve
na palavra sede, a boca cede
antes de falar, e não se ouve

já tentei dormir a noite inteira
quatro, cinco, seis da madrugada
vou ficar ali nessa cadeira
uma orelha alerta, outra ligada

o buraco do espelho está fechado
agora eu tenho que ficar agora
fui pelo abandono abandonado
aqui dentro do lado de fora

[28/março/2002]
Blog?

O primeiro confesso que eu quero fazer é que eu nem sei direito o que é um blog (quanto "que"). Também não sei se isso que estou fazendo trata-se de um blog. A minha intenção é um site onde eu possa escrever os meu textos malucos - e mostrá-los para meia dúzia de também malucos que quiserem lê-los - ao invés de deixá-los guardados na pasta "textos" do meu computador. Opiniões, críticas, piadas, historinhas malucas, links, pedidos, fotografias e tudo o que for útil e inútil serão bem vindos.

Confesso também o meu medo das críticas, que virão a partir do momento que esse site estiver no ar. Nunca expus (é assim que se escreve?!) minhas opiniões e textos dessa forma, a não ser por um conto meu que o Andre Takeda publicou na TXT Magazine. Mas, continuando, prefiro correr esse risco de ser criticado do que manter meus textos engavetados. Que seja assim.

Para terminar, vou dar uma dica de um site que visitei hoje pela manhã. É do jovem e bom escritor Daniel Galera, que escreveu Dentes Guardados. Lá, há um conto que achei maravilhoso chamado "razão para ir a um funeral". Vale muito a pena.
::http://planeta.terra.com.br/arte/dentesguardados/index.html

Para ilustrar a estréia do site, aí vai um micro-conto meu:

Culpado emocional 

Choveu muito ontem mas, mesmo assim, eu sentei ali no banco daquela mesma praça, você lembra? As pessoas voavam calmas e os pássaros andavam apressados. Eu parei para pensar em tudo que eu havia feito. Onde será que você estaria agora? O que eu poderia fazer para que você aparecesse? Eu sou culpado?

Tudo bem, eu assumo, fui eu quem matou John Lennon. Sério, fui eu mesmo. Fui eu também quem disparou contra o papa e contra John Kennedy. Enquanto você dormia no seu quarto, trancada com suas alucinações, eu limpava o mundo para que quando você saísse, nós fossemos soberanos. Você percebeu isso? O lugar lindo que nós viveremos eu já havia imaginado desde da minha infância.

E, mesmo assim, o que você fez? Ou melhor, o que você não fez? Não sei em que lugar do mundo o seu quarto está escondido; mas, saiba, que o jardim está lindo; tem uma roseira bem no meio e uma tartaruga. A sua comida preferida também já está na mesa e o disco da Cássia está pausado na 11º música. Agora só falta você.

 

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