Eu sempre achei que não iria morrer antes dos meus 18 anos.
Não antes de tirar a minha carta de motorista e sair por aí bagunçando com
umas gostosas no banco de trás. Eu deixe de votar as 16 anos, porque tinha
certeza que estaria vivo as 18. Eu nunca havia pensando em morte. Afinal, com 17
anos quem pensa em morte pode ser considerado ansioso e até mesmo pré-maturo.
Mas, cá estou eu. Morto. Morri ontem; dois dias antes da enorme festa de
aniversário que eu estava armando para comemorar meus 18 anos. Porra, eu tinha
convidado todo o pessoal. A turma do colégio ia fazer daquela chácara uma
zona. Ninguém sabia, mas eu tinha até comprado aliança de compromisso pra
Débora. Tá... eu sei que aliança de compromisso é algo brega e piegas. Mas
eu vou fazer o que?! Só eu sei o quanto eu curtia aquela garota. Só eu sei o
quanto eu esperei por aquela maldita festa de 18 anos. E só eu sei o que
aconteceu na tarde de ontem. Eu e a Débora.
Um texto em homenagem
aos dois meses que eu "conheço" a Cris.
Quem é você?
A internet não nos permite responder formalidades como essa sem soar falso,
exagerado e mentiroso. Eu não sei quem é você. Você também não sabe quem
eu sou. E ponto.
Estamos naquele momento em já não nos basta mais ouvir o "oou" do
icq. Nem a sua voz eu conheço. Nunca te vi piscar. Nunca te vi sorrir. Eu quero
olhar nos seu olhos, e te ouvir contar histórias das quais somente nós dois
riremos. Quero ouvir você cochichando que as meninas da mesa ao lado são umas
chatas. Quero passar tardes te pedindo traduções das músicas que a gente
ouve. Quero discutir com você, e te provar por A+B que a Legião Urbana é sim,
a melhor banda nacional. E se você insistir em não concordar comigo, a gente
esquece o rock nacional e vai ouvir (enquanto você traduz pra mim) No Surprises,
do Radiohead. Brincaremos de ser personagens. Discutiremos o uso abusivo dos
pleonasmos. Seremos chatos ao olhos alheios. E mesmo assim, eu ainda não
saberia responder.
Alguém sabe onde eu encontro o conto Memento Mori de Jonathan
Nole? A história do filme Amnésia é baseada nesse conto. Eu até
achei uma versão em inglês, but i´m not speak english.
Deixando a Copa do
Mundo um pouco de lado e voltando ao tema do blog.
Um pequeno texto sobre meus pequenos textos.
C://lucas/textos/textos.doc
Surpresas. Sempre que eu sento na frente do computador, e puxo o teclado pra
perto das minhas mãos, eu espero por surpresas. É como se fosse um ritual.
Área de trabalho. Word. Editar. Selecionar tudo. Fonte verdana. Tamanho 8. Eu
só consigo começar a escrever depois desse mini-ritual.
Mas as idéias nunca foram minha amigas, e continuam não sendo. Talvez a
criatividade seja minha maior companheira nessas horas. E o enredo nunca surge
por inteiro. Não sei se os escritores fazem isso, mas comigo tudo começa com
uma pequena frase, ou um diálogo. Depois vem a escolha do nome. Eu tenho essa
mania de batizar todos os meus personagens. Depois flui. Eu não gosto de nada
muito longo. Ou eu uso frases curtas e pequenos parágrafos, ou nem mudo de
parágrafo. Eu gosto mesmo é de vírgulas. Não uma vírgula qualquer. Eu gosto
da "vírgula da explicação", aquela que poderia ser substituída por
um parênteses – como essa. Mas é nesses momentos que eu entro em
contradição. Porque eu amo usar "pontos finais". Muitos deles. A
maior quantidade possível. E os clichês?! Eu prefiro nem reparar no número de
clichês que uso, porque eu sei que são muitos.
Eu gosto de terminar meus textos com parágrafos curtos. Como esse. E com ponto
final. Sem exclamação. Sem interrogação. O texto acaba aqui. Sem nada por
aberto. Textos fechados. (ponto final)
Dias atrás eu li um editorial antigo da TXTMagazine.com,
em que o André
Takeda indagava (eu acho essa palavra horrível. Indagava) o motivo pelo
qual nós, jovens "escritores", escrevemos. As vezes eu me pego
pensando sobre isso.
Eu escrevo para fugir.
Escrevo para que os meus personagens sejam tudo o que eu não sou.
Escrevo para deixar minha timidez de lado.
Escrevo para ler depois, e, quem sabe, me orgulhar das coisas que escrevo.
Escrevo para viver. Viver a vida dos meus personagens. Viver sobre o que não me
pertence.
Escrevo porque espero que alguém vá ler; apesar de ter minhas dúvidas se isso
realmente acontece.
O conto do dia. Da série Defesa do
Consumidor. Nem revisei. Perdoem os erros ortográficos.
Sono. Fome. Cozinha. Geladeira.
Resto de Coca-Cola.
Requeijão fechado.
Dois ovos.
Salada de uma semana atrás.
Azeitonas sem caroço.
Alguns tomates.
Barras de chocolate pela metade.
Pão de forma.
Garrafas de água. Vazias.
Doce de abóbora. A vizinha que fez. Não tenho coragem de comer.
Talvez no frezeer tenha algo que preste.
Gelo.
Formas de gelo. Vazias.
Peixe congelado.
Nuggets.
Nuggets. Microondas. Descongelar.
Panela. Óleo. Fogão de acendedor automático. Porra. Acabou a luz. Microondas.
Caralho. Essa merda não descongelou. Abre frezeer. Devolve nuggets. Fecha
frezeer.
Quarto. Carteira. Relógio. 22:20 h. Rádio. CBN. Desligo. Casaco. All Star.
Hall do prédio. Luz de emergência.
A vizinha do doce de abóbora.
- A gente já ligou na companhia. Eles vão vir arrumar.
- Ãrram.
- E o doce? Você gostou do doce?
- Gostei sim.
Depois eu levo a vasilha na sua casa.
- Sem pressa.
Situações impossíveis de não mentir. A maldita
vizinha te olhando. Chega uma garota. Gostosa. Belo par de seios. Bunda pequena.
Ruiva. A garota fala com a vizinha.
- Mãe, tá sem luz aqui?
Diálogo entre mãe e filha. Narrativa dispensável. Até que...
- Filha, esse aqui é o Carlos; meu vizinho... Carlos, essa é a Miriam, minha
filha. Ela mora interior e veio passar uns dias aqui.
Outro diálogo dispensável. Mas acreditem, eu sei ser simpático quando
necessário. E sei usar clichês. A luz volta. Tchau Miriam... Apartamento.
Poltrona. Tiro o all star. Cochilo. Acordo. Fome. Geladeira. Frezeer. Nuggets.
Microondas. Microondas? Caralho. Queimou essa merda. Maldita companhia
elétrica. Raiva. Ódio. Nuggets ao frezeer. Cesta de frutas. Maçã. Campainha.
- Oi carlos.
- Oi Miriam, posso ajudar?
- É.... minha mãe falou que você tem microondas. Será que você descongelar
esse peixe pra nós?
Aproveitando a dica que o Alberto
Gambardella deu no blog dele, eu criei meu personagem (o Ernesto)
de South Park. Visitem o site
que gera esses personagens.
Tem dias que o saudosismo derruba o muro da minha casa.Quero
acreditar que o texto abaixo não é uma ficção.
Hoje eu procurei a lua
Por todas as cartas que você não me respondeu. Por todos os livros que eu te
emprestei e você não leu. Pelas palavras que eu disse e que, por algum motivo,
você não ouviu. Por todos os dias que eu estava ali pronto para ouvir os seus
poemas imaginários; mas que você não os recitou. Por todas as vezes que eu
quis desvendar alguns de seus mistérios. Pelas inúmeras vezes que eu tentei
lembrar do seu rosto. Por todas as vezes que eu perguntava se você havia
sonhado comigo. Pelas poucas músicas que a gente ouviu junto. Pelo porre que
poderia ter sido maior. Pelo choro. Sorriso. A lágrima que eu não derramei.
Pelas horas de incompreensão. Pelo seu olhar frio. Pelo medo que eu tenho de
ti. Pela paixão. Pelas estrelas que você desenha em todos os envelopes. Pelo
jeito como você me defende. Pelo respeito com que você me olha. Por todas as
inúmeras vezes que eu queria te mostrar os meus contos em que você é
protagonista. Por aquele dia em que eu disse que estava apaixonado por você.
Pelo primeiro abraço que eu te dei. Pelo primeiro "eu te adoro". Pelo
primeiro "eu te amo". Pelo beijo que eu nunca te dei. Pelo desejo que
foi se tornando carinho. Que foi se tornando amor. Por me chamar de um jeito que
só você me chama. Pelo "oi amor" no começo das cartas.
Por tudo isso, hoje eu procurei a lua. Pena que não encontrei.
Os contos que eu tinha guardados aqui no micro já foram todos
publicados. O que, por um lado, é bom, pois me incentiva a escrever mais. E
ainda tenho contos, guardados num outro computador, que eu preciso buscar.
Abaixo um texto de agora à tarde.
Esconderijos
Esse não é o lugar mais agradável para se passar um fim de tarde de domingo.
Mas não deixa de ser um lugar agradável. A insistência do Beto faz com que eu
esteja nessa casa de prostituição, as 15 para as 4 da tarde desse estranho
dia. Não estamos aqui para, digamos, usufruir dos produtos da casa, mas até
que eu tô reparando em uma garota bem interessante. Ela tá sentada no balcão,
com um copo de coca com limão na mão.
- Desencana Carlos, essa daí não faz serviço. – O Beto tem essa mania de me
assustar quando estou muito concentrado observando algo ou alguém.
- O que é ela?
- Como assim "o que é ela"?
- O que ela faz? O que ela ouve? Não tô perguntando quem é ela, só tô
querendo saber o que é ela. Do que ela é composta?
- Cara, você tá meio maluco? – Eu nem tava olhando na cara do Beto, de tão
pasmo que estava com a tal garota. – Bom, se você quer mesmo saber o que é
ela, eu vou lhe dizer. Ela é filha da dona daqui.
- E qual o nome dela?
- Ninguém sabe. Uma vez ela me falou que era Silvia, mas ela já se apresentou
como Tati, Lavínia e até Jude.
- Jude? De Hey Jude?
- Não sei, deve ser. Mas porque?
- Beto, eu vou falar com ela.
- Você que sabe. Mas não diga seu nome verdadeiro.
- Porque?
- Aqui ninguém diz.
- Beleza.
- Jude?
- Oi.
- Oi.
Jude começa o seu discurso de anfitriã do recinto.
- Tá procurando alguma garota? Se você não quiser nenhuma das que estão
aqui...
- Eu quero você.
Jude sorri. E não fala nada.
Eu continuo sério. Jude fala.
- O que é você?
- Eu sou esse cara que tá louco de vontade de você. Eu sou as músicas que eu
ouço, os filmes que eu vejo. Eu sou a redação de jornal onde eu passo 7 horas
do meu dia. Eu sou as ruas que eu ando, e as pessoas que eu conheço.
Jude sorri. E fala.
- Eu sou Renata. Qual é mesmo o seu nome?
Beto, Paulo, Samuel, Eduardo, Pedro. Pedro é um bom nome, mas nem tanto. Zé
Roberto, Célio, Sidney...
Não consigo deixar passar em branco o meu fascínio pelo futebol. O
texto abaixo é inspirado naquela propaganda do Itaú Vida (ou será
Bradesco? vocês sabem qual é, né?) e com um pouco de influência da coluna
que o José Roberto Torero escreve na Folha
de SP.
O importante na vida é ter em quem confiar.
Felipão:
- E se a gente perder o primeiro jogo?
Ronaldinho:
- Tudo bem, a gente tem outros dois pra se recuperar.
Felipão:
- E se a gente não passar da primeira fase?
Ronaldinho:
- A seleção de 66 também não passou. O importante é ter chegado aqui.
Felipão:
- E se colocarem a culpa em mim?
Ronaldinho:
- Não tem problema. A culpa é sua mesmo.
Mais um conto incompleto (e péssimo por sinal). Me desculpem mas é o que
eu achei para hoje.
Faroeste caboclo
"Deixou pra trás todo marasmo da fazenda só pra sentir o seu sangue, o
ódio que Jesus lhe deu"
A fazenda era um dos lugares de que João mais gostava. Era grande e havia
lugares para ficar sozinho, chorar, ou apenas pensar na vida e ouvir música.
Quem cuidava de João era Regina, a irmã do seu falecido pai.
- João?
- Pô tia, você acha todos os meus esconderijos. – disse isso enquanto
tentava esconder um maço de cigarro na mochila
- Se você deixasse o som um pouco mais baixo eu nunca te acharia – disse isso
apontando pra um toca fitas de pilha que João levava sempre onde ia.
Regina fitava João e por instante pensou como ele havia crescido rápido. Ela
sorriu e lembrou do irmão que com aquela mesma idade havia saído de casa.
- Tia, tô indo embora. – vendo a expressão de surpresa na cara da tia, João
explicou – Sei lá. Vou sair pelo mundo, procurar um amor que me faça
esquecer todo o resto, sabe esses amores? Eu preciso de um desses. Você sabe
que eu adoro esse lugar, mas você sabe também que isso aqui é muito pequeno
pra mim. Quer saber mesmo? Cansei; cansei de não ter medo de nada, cansei das
menininhas da cidade. Eu quero ver o mar. Tô cansado de tentar achar reposta
pra tudo.
E assim foi. Como sempre, partiu antes que sua tia pudesse tentar convencê-lo a
ficar.
Mudei o visual do site de novo. Eu tenho essa mania. Se pudesse colocaria um
design diferente todo dia. Mas espero realmente que esse fique por mais tempo
que os outros.
O arquivo tá logo ali embaixo.
Gostaram do lema do blog? É só para deixar bem claro que isso não é um
diário onde eu fico escancarando minha vida.