Por Ruth dos Anjos
Pais sabem o melhor - Parte 6
Assim que chegou em Chinatown, Miss Parker não demorou muito para encontrar o apartamento do policial Jarod Holmes. Acompanhada por Sydney e Broots, ela tentava averiguar as intenções de Jarod na cidade.
O apartamento era modesto, pouca mobília, cama bem feita. Com certeza, Jarod não dormia muito. Mas, o que mais chamou a atenção de Miss Parker foi a parede. Quase que completamente coberta por pequenos papéis com provérbios chineses. Provavelmente mensagens encontradas em biscoitos da sorte.
Broots tentava lê-las uma a uma, mas eram tantas que ele desistiu.
- Jarod realmente tem problemas... - comentou ele.
Sydney estava calado. Apenas observando e estudando o nível em que a personalidade de Jarod se encontrava no momento. O doutor encontrou alguns livros sobre TaiChi, Filosofia do Kung Fu, o Tao Te Ching, dicionário chinês e alguns recortes de jornal relativo a destruição de um templo shaolin na década de setenta, fotografias de um cão, provavelmente uma cadela, devido aos filhotes a sua volta, e um folheto com escrita chinesa.
- O que é isso, Sydney? - perguntou Miss Parker.
- Não falo chinês, senhorita.
- Isso pode ser qualquer coisa. - comentou Broots, aproximando-se. - Desde uma receita culinária ou somente mais um provérbio. - completou.
- Descubra. - disse Parker, entregando-lhe.
Sydney sorriu.
Broots demonstrou um pouco de aborrecimento, mas nem tanto. Ele já estava preparado para esse tipo de coisa. Chinatown era um bairro chinês, e ele não se aventuraria a andar por lá sem um dicionário de símbolos ou ainda melhor, um programa de computador que traduzisse.
Broots sentou-se na cadeira perto da mesa, abriu seu notebook e acessou as informações que estava procurando. Não demorou muito. Enquanto Miss Parker falava ao telefone, Broots fazia sua pesquisa.
Sydney aproximou-se.
- Você está se tornando um rapaz perigoso... - comentou.
Broots sorriu.
E instantes depois...
- É um daqueles cartazes de procura-se. Há uma criança desaparecida que é testemunha de assassinato. - disse ele.
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A noite já apontava algumas estrelas no céu. Não era uma noite enluarada, e por isso, a escuridão na reserva florestal era quase que completa. Margaret Skalany parou para pensar por quê um garotinho de 10 anos viria se esconder num lugar tão perigoso?
- Bom, temos duas lanternas e quatro pessoas. - disse Peter, já pensando na divisão da busca.
- Correção, detetive. - declarou Skalany. - Três lanternas. - disse ela, retirando uma de sua bolsa.
Caine sorriu.
- Nós, mulheres, sempre andamos preparadas. - completou Skalany.
Jarod estava bastante pensativo. Tentava avaliar as possibilidades do caminho seguido por Joseph. Se ele fosse um garoto de 10 anos, com medo que a máfia chinesa o encontrasse, para onde ele iria? Bom, para o lugar mais difícil de ser encontrado é claro... Jarod também não parava de pensar no tal do Kermit. Ele havia dito alguma coisa ao detetive Caine que o deixou desconfiado. E os agentes do Centro? Jarod sabia que não tinha muito tempo.
- Caine e eu vamos pela esquerda. - disse Skalany. - Você e o agente Holmes vão por ali. - disse ela, a Peter.
- Hei! Quem foi que votou em você como capitão do time? - perguntou Peter, brincando.
- Sou a única mulher por aqui... - respondeu.
- Então, vamos. - disse Jarod.
- Tenham cuidado! - gritou Peter, afastando-se, juntamente com Jarod. O detetive Caine estava preocupado com seu pai. Ele já tinha alguma idade. Mas, Peter sempre esquecia que Kwai Chang Caine era um sacerdote Shaolin, mestre em kung fu.
Peter também não parava de pensar no que Kermit havia lhe dito. Jarod não era um agente do FBI. Então, afinal, quem era ele e o que queria? Peter resolveu ficar de olho no agente Holmes. Decidiu não perdê-lo de vista.
O feixe de luz das lanternas iluminavam o caminho. Mato, pedras, trilhas, tudo parecia interminável. A noite estava fria e um denso nevoeiro insistia em se fazer presente.
Jarod caminhava como se soubesse para onde estava indo. Peter o seguia, reconhecendo a trilha de seu sonho. Jarod notou alguns seixos espalhados perto de uma clareira um pouco mais à frente. Um silêncio quase que absoluto assolava a floresta àquelas horas. Apenas o ruído de alguns insetos competia com as batidas de seu coração.
O detetive Peter Caine não sabia explicar como, mas uma estranha sensação lhe dizia que algo estava prestes a acontecer. Talvez seu pai estivesse certo. Talvez ele também tivesse a sensibilidade mística shaolin. Peter resolveu acreditar na sensação e lembrou de um dos conselhos de Paul Blaisdell...
Acredite em seus instintos, garoto. Peter retirou sua arma do coldre. Certificou-se de que estava realmente carregada e passou a conduzi-la juntamente com a lanterna. Não queria entrar em algum tipo de emboscada.
Jarod percebeu a ansiedade no jovem detetive. Ele estava calado, alerta, preparado para alguma surpresa.
E repentinamente, o farfalhar de folhas indicava que alguém ou alguma coisa estava por perto...
- O que foi isso? - perguntou Peter.
- Provavelmente algum animal. - respondeu Jarod.
Jarod estava certo. O barulho apareceu novamente e um coelho assustado passou entre eles.
- É apenas um coelho. - disse Jarod.
Peter sorriu e por um instante, lembrou-se de algo. Lembrou-se já ter passado pela mesma situação anos atrás. Ainda no templo, seu pai ensinava-lhe a seguir rastros. Ensinava-lhe a arte de seguir sem ser visto...
Peter ainda era um garotinho. Estava numa floresta à procura de um puma ferido, quando ouviu um barulho. Pensou ser o animal prestes a atacar, mas era um simples coelho. No entanto, Kwai Chang Caine perguntou-lhe:
- Por que um coelho assustado viria em nossa direção?
O jovem Caine pensou por um instante e respondeu:
- Talvez por se sentir seguro perto de nós.
Caine sorriu, esperando pela próxima pergunta que Peter inegavelmente faria:
- Eu não entendo, pai. - disse Peter. - Se ele está com medo, por que veio em nossa direção? Coelhos assustam-se com qualquer coisa. E, no entanto, este veio até nós...!
- Por se sentir seguro. - respondeu Caine, mansamente, relembrando a própria afirmação de seu filho.
Peter estava pensativo. O garotinho havia entendido. Algo ainda maior havia assustado o coelho...
- O que houve? - perguntou Jarod, percebendo que o rapaz estava infiltrado em pensamentos.
- Não é nada. - respondeu Peter, desconfiado, apontando o feixe de luz na direção que o coelho havia saído.
- Algo deve ter assustado o animal. - disse Jarod, percebendo a perspicácia do detetive.
Inesperadamente, os dois ouviram galhos de árvores caídos sendo quebrados. Havia mais alguém ali...
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- Você sabe para onde está indo, Caine? - perguntou Skalany.
Kwai Chang Caine parecia convicto de estar no caminho correto. De certo que estava escuro, mas o feixe de luz da lanterna da detetive Skalany iluminava o caminho. Se bem que, para um sacerdote shaolin, a escuridão não era empecilho.
- Estamos perto. Joseph está realmente por aqui. - respondeu o velho homem.
Eles caminhavam pelo outro lado em direção a clareira, quando inusitadamente, Caine parou por um instante, pensativo.
- O que foi? - perguntou Margaret.
Caine podia sentir a confusão na mente de Peter. O rapaz estava assustado, tenso e zangado. Não estava ferido, isso deixou Kwai Chang Caine um pouco mais aliviado. No entanto, a preocupação estava nítida em sua face.
- Caine? - insistiu a moça.
- Peter está em perigo. - disse por fim.
- Você tem certeza?
Caine afirmou com a cabeça, e disse:
- Há muito desequilíbrio nesta floresta hoje à noite. Mentes confusas.
Margaret demonstrou desentendimento.
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Jarod e o detetive Caine ouviram o barulho do galho quebrando, mas não conseguiram identificar a origem do som. Jarod achou que poderia ser os agentes do Centro, mas percebeu que não era do feitio deles. Miss Parker não perderia a oportunidade de aparecer repentinamente e apanhá-lo. Ela não perderia tempo espionando. Então, Jarod desconfiou dos homens de Bon Bon Hai. Provavelmente estavam também atrás do garoto.
Jarod continuou andando pela clareira por mais alguns segundos, até que passou o feixe de luz num lugar que ele utilizaria para se esconder se tivesse 10 anos de idade. Jarod encontrou o lugar ideal.
- O que você está fazendo? - perguntou Peter. - Não estamos procurando morcegos!
Jarod viu nitidamente o garotinho de olhos assustados tentando esconder-se da luz, entre as árvores.
- Não tenha medo, Joseph! - disse ele, mansamente.
Peter estava surpreso. Não é que Jarod havia encontrado o menino!
- Não queremos lhe fazer mal. Somos da polícia! - disse Peter.
- Está tudo bem. - dizia Jarod, enquanto subia na árvore, relativamente alta. - Vamos levar você para casa. - continuou, mansamente. - Sua mãe está muito preocupada, Joseph.
- Eles estão aqui. Você não entende? Vão matar todos nós...! - declarou Joseph, tremendo de medo.
Peter iluminava a escalada de Jarod com a lanterna, quando escutou um barulho. O detetive desligou-a para evitar surpresas.
Jarod entendeu. Ele apoiou-se e sacou a arma...
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Pais sabem o melhor - Parte7