Por Ruth dos Anjos
Pais sabem o melhor - Parte 2
Ainda em Chinatown, como de costume, em seu apartamento, Kwai Chang Caine separava ervas na prateleira. Caine era um homem bastante organizado. Suas habilidades com chás e ervas o tornaram um grande boticário. As portas de sua casa estavam sempre abertas. Pessoas viam de longe à procura de curas para algum mal. Mas, naquela noite, alguém que já fazia algum tempo que não o via apareceu.
- Papá! O senhor está em casa? - perguntou Peter.
- Aqui, meu filho.
Peter seguiu o som da voz e encontrou seu pai catalogando ervas medicinais. Permaneceu calado, com as mãos no bolso, tentando imaginar como iniciar uma conversa. Ele amava seu pai mais do que tudo, mas às vezes, o abismo que existia entre eles era grande demais e Peter não sabia construir uma ponte capaz de alcançá-lo.
Ainda de costas, percebendo a hesitação de seu filho, Caine perguntou:
- Alguma novidade sobre o menino desaparecido? - ele já sabia da resposta, contudo, falar sobre o trabalho deixava Peter mais à vontade.
- Nada relevante, papá. - respondeu.
Caine virou-se rapidamente e fitou-lhe com um olhar de repreensão.
- Desculpe...! Está certo, Pai! - disse Peter sorrindo.
Caine sempre deixava bastante claro que não gostava que seu filho o chamasse de papá, mas Peter insistia em chamá-lo dessa maneira. Mas, para falar a verdade, Caine já estava acostumado. Sentia até mesmo falta quando não o chamava assim. Peter sempre foi e sempre seria a sua criança. De certo que já havia crescido, tornado-se um homem forte e vigoroso, mas Caine continuava a ver o garoto curioso e travesso de antes.
- Sei que não tenho vindo visitar o senhor, mas é que tenho andado ocupado. Essa manhã mesmo fui falar com o Wong, e adivinha papá! Ops... Pai?!
- O quê?
- Lembrei de um dos golpes de Kung Fu.
Caine sorriu.
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Jarod havia alugado um apartamento pelas imediações do 101º Distrito. Era pequeno, mas limpo e aconchegante. Já passava um pouco mais da meia-noite, e ele ainda estava em frente ao terminal do computador, fazendo pesquisas. O rapaz estava bastante curioso sobre a cultura chinesa. Jarod aprendeu algo sobre religião, costumes e lendas. Ficou impressionado com as possíveis habilidades dos sacerdotes shaolins, seus ensinamentos místicos e o espírito imortal do Kung Fu. Descobriu que todo o misticismo que movimentava a cultura era proveniente de dois mundos. Shambhala e Tatoris. O bem e o mal.
Por um momento, Jarod se pôs a pensar... Como pode um policial ser filho de um sacerdote shaolin? São mundos tão diferentes! Um é violência e medo, o outro, é paz e luz.
Um arquivo que estava baixando da rede havia terminado. Jarod deixou o kung fu de lado por alguns instantes e abriu o novo arquivo.
Shoi Chiang, preso três vezes por porte ilegal de arma e suspeita de envolvimento com a máfia chinesa.
Jarod abriu outro arquivo e fez uma comparação.
Jack Wong, suspeito de envolvimento com a máfia chinesa e acusado de dois assassinatos. Respondendo aos processos em liberdade.
Ambos trabalhavam para a máfia, não se podia negar. Mas, qual a ligação de um garoto de 10 anos com esses sujeitos? Talvez Joseph estivesse apenas de passagem e viu algo acontecendo. Talvez não. Talvez o garoto também fizesse parte do crime. Pelo amor de Deus! É só um garoto! Está faltando algo... - especulava Jarod. - Por que Joseph achou apropriado se esconder? Ele deve ter visto quem matou Chiang. Mas, por que tanto medo? É apenas uma criança...
Jarod pesquisou um pouco mais os relatórios e um nome lhe chamou a atenção. Bon Bon Hai. Um homem misterioso, e suspeito de ser o poderoso chefão da máfia chinesa em Chinatown. O homem era uma sombra, quase nunca aparecia em público.
Jarod também leu o relatório da perícia sobre os seixos que encontrou na casa de Joseph. Ele havia mandado as pedras para investigação. Quem sabe não seriam capazes de dizer de onde foram retiradas. Garotos gostam de colecionar pedras e talvez Joe gostasse do lugar. Talvez algum tipo de refúgio. Mas, o relatório não ajudou. As pedras eram muito comuns em Chinatown, utilizadas como ornamentos em jardins zens.
Jarod desligou o monitor de seu computador, colocou um casaco preto por cima da camisa que vestia e se propôs a dar uma volta pela cidade. Foi ver de perto a cena do crime. Observou que naquele horário da noite, não haviam muitas pessoas no parque. Para falar a verdade, não viu nenhuma alma viva pelas redondezas. Estava completamente deserto.
Ele fez alguns cálculos mentalmente, enquanto insistia em comer biscoitos chineses. Jarod avaliou as possibilidades e deduziu o único lugar onde Joseph poderia estar sem ser notado pelo assassino. Mas, naquela posição, Chiang poderia vê-lo.
Jarod percebeu que Chiang conhecia o garoto. Mas, essa era uma das inúmeras possibilidades, e isso não era tão relevante no momento. O garoto ainda estava desaparecido. E ele tinha que encontrá-lo.
Repentinamente, Jarod percebeu alguém lhe espionando. Ele observou o rapaz franzino e de olhar curioso indo embora. Algum tipo de espião? Informante? Chinatown era mesmo uma cidade estranha.
Momentos depois, Jarod voltou para o apartamento, mas não chegou a dormir. Ficou olhando para o teto, pensando como seria seu pai. De certo que seria diferente dele. Jarod conhecia muito bem suas habilidades especiais. Mas, será que seu pai também as teria?
Durante a manhã, Jarod chegou no 101º st. Não viu o detetive Caine e foi falar direto com o capitão Blaisdell.
- Senhor, o detetive Caine já apareceu hoje por aqui? - perguntou.
- Também queria saber, agente Holmes. - respondeu, um tanto irritado.
- Aconteceu alguma coisa?
- Não, mas vai acontecer.
Jarod franziu as sobrancelhas, intrigado. Ele estava prestes a fazer uma pergunta, quando o detetive Caine entrou na sala do capitão sem bater.
- Strenlich falou que o senhor quer falar comigo. - disse Peter, ainda encostado na porta.
- Entre e feche a porta. - ordenou Blaisdell.
Jarod notou um certo tom de hostilidade entre os dois.
Peter obedeceu e suspirou aborrecido. O rapaz sabia que estava prestes a receber um sermão.
- Olá, Sherlock. - disse ele para Jarod, tentando amenizar a névoa que estava se formado no rosto de Blaisdell e quem sabe, fazê-lo esquecer da bronca.
Jarod notou sua tentativa e sorriu, mesmo por que ele havia retirado seu nome do livro "As aventuras de Sherlock Holmes", que havia lido.
- Como foi sua conversa com Wong? - perguntou o capitão, sério.
- Não foi muito vantajosa. Só descobri que há muito dinheiro desaparecido juntamente com o garoto. Wong está correndo feito doido atrás do Joseph para descobrir o paradeiro do dinheiro. - informou Peter. - Parece que quem matou Chiang levou o dinheiro.
- E com medo de sofrer represálias, o garoto fugiu. - disse Jarod.
- Elementar meu caro Watson. - replicou Peter.
Não havia outro jeito. Blaisdell sempre achava graça nos comentários de Peter. Mas, ele sempre tentava demonstrar o contrário. Continha a risada e em vez disso, mostrava seu lado autoritário.
- Detetive Caine, o que você pensa que está fazendo? - disse ele.
Detetive Caine... pensou Peter. Blaisdell só lhe chamava assim informalmente ou quando estava muito zangado.
- Meu trabalho? - retrucou Peter.
- Sem mandado, sem apoio policial, arriscando a vida desnecessariamente. - disse Blaisdell. - Quer que eu continue?
- Não, senhor. - respondeu Caine, encabulado. Peter sabia que Blaisdell estava certo. Mas, ora bolas! Alguém tinha que fazer!
Jarod entendeu de imediato. Caine havia tido problemas com Wong.
- O que você me diz disso? - insistiu Blaisdell, entregando um papel para o detetive.
Peter Caine recebeu e leu em voz alta o relatório que dizia sobre sua proeza no bar. Dois homens feridos, um deles baleado.
Peter devolveu o papel e disse:
- Estou aqui não estou? Sem problemas!
- Sem problemas? Droga, Peter! Wong pode processar você por violação de privacidade, ameaça e lesões corporais. E sem contar que você poderia estar morto se Wong fosse um pouco mais inteligente!
- Paul, mas isso não aconteceu! - retrucou o detetive.
Jarod percebeu que além de respeito e autoridade, Paul Blaisdell emanava preocupação para com o detetive. Era algo quase paternal. Por um instante, Jarod chegou a pensar que estava presenciando uma discussão familiar. Jarod estava certo.
- Peter. - disse o capitão, respirando fundo antes de falar novamente. - Se você não se preocupa com você mesmo, pense em sua mãe, pense em mim! Pense no medo que nós sentimos toda vez que você está na rua trabalhando. Anne me perturba até hoje por eu ter deixado você se tornar um policial. E diabos, Peter, você é um dos melhores. Mas, também é um dos que me dá mais trabalho. - completou.
- Desculpe, pai. Aconteceu de repente.
Pai? Pensou Jarod, confuso.
- Está tudo bem, Peter. - disse Blaisdell. - Agora vá trabalhar. Mas, por favor, não me faça ter com você essa mesma conversa essa semana.
Peter sorriu.
Momentos depois que saíram da sala do capitão, Jarod e Peter trocaram informações sobre o desaparecimento de Joseph Smith. Jarod contou ao detetive sua teoria de que Chiang provavelmente conhecia o menino e acrescentou, ainda com bases nas informações conseguidas pelo detetive Caine, que se Wong também estava atrás de Joseph, isso significava que alguém fora do circulo de conhecidos deles havia matado Chiang e fugido com o dinheiro.
Peter consentiu com as teorias de Jarod.
No entanto, o grande problema agora era encontrar Joseph antes de Wong.
- Não faço a mínima idéia onde aquele garoto pode ter se metido. - comentou Peter.
- Ele deve ser bom de esconde-esconde. - disse Jarod. - Mas, quem está fugindo, sempre deixa alguma pista. - completou, falando por si mesmo.
- Caine! - gritou a detetive Skalany. - Tem um recado para você do Donny Double D.
- Isso! Talvez o Donny tenha ouvido algo por aí. - disse Peter.
- Quem é Donny Double D. ? - perguntou Jarod.
- Um informante das ruas. - respondeu.
- Detetive Caine, desculpe a pergunta, mas não pude deixar de notar que você chamou o capitão Blaisdell de pai.
- Por mais de quinze anos.
- Conheci um Kwai Chang Caine ontem que afirmou ser seu pai.
- E é. - disse Peter, sorrindo. - Tenho duas famílias. Acho que é para descontar o tempo que não tive nenhuma. É uma longa história, agente Holmes. Mas, agora vamos falar com o Donny? - comentou Peter.
- Claro.
Do lado de fora do Distrito policial, Peter Caine pergunta a Jarod:
- Onde está seu carro?
- Estou morando aqui perto.
- Você veio andando?
- Andar faz bem a saúde.
Peter sorriu.
- Você parece o meu pai.
- Por que diz isso? - perguntou Jarod.
- Ele costuma caminhar por Chinatown, não anda de carro.
- O Sr. Caine me pareceu um bom homem.
Peter retirou as chaves de seu carro do bolso e foi em direção ao Stealth azul metálico estacionado pelas imediações.
- Seu carro é incrível! - disse Jarod. - Como você conseguiu?
- Sempre é bom ter um ex-mercenário como pai. - brincou.
- Paul Blaisdell?
Peter não respondeu. Esperou Jarod entrar no carro e comentou:
- Você que é o Sherlock aqui. - completou, assim que deu a partida.
Jarod estava realmente curioso e insistiu: - Então você foi adotado pelo Paul Blaisdell?
Peter dirigia o carro, pensativo, e deixou que um sorriso tristonho transparecesse em seus lábios.
- A vida gosta de nos pregar peças.
Jarod percebeu ter tocado num assunto delicado.
- Desculpe, não quis ser indiscreto. Apenas fiquei curioso. - disse Jarod. - Fui levado da casa de meus pais quando era criança. Não me lembro deles.
- Você nunca mais os viu?
- Não, mas acredito que vou encontrá-los algum dia.
- Meu pai costuma dizer que se você acredita em algo, não duvide.
- Qual deles?
- Caine. Não costumo chamar o Paul de pai. - disse Peter, tentando imaginar o porquê. - Quando eu era criança, morava num Templo Shaolin. Minha mãe morreu quando eu era muito pequeno, não me lembro dela. Sei apenas o que meu pai me conta. - comentou Peter, um tanto decepcionado.
Jarod sabia muito bem qual era aquela sensação. Era uma sensação de vazio.
- Um monge shaolin que foi expulso do nosso templo retornou para se vingar do meu pai. Seu nome era Tan e ficou furioso por ter perdido uma luta na frente de todos, uma vez que ele insistia em práticas violentas. - continuou Peter.
- Ele ficou humilhado. - disse Jarod.
- Tan era maluco! Ele juntou mais malucos iguais a ele e destruiu o Templo. - declarou Peter. - Pensei que meu pai tivesse morrido na explosão, e ele pensou que eu tivesse morrido também. Ficamos 15 anos cada um acreditando que o outro havia morrido. - completou, com pesar. - Fui levado para um orfanato e acabei sendo adotado pelos Blaisdell. Ganhei duas irmãs, um pai e uma mãe. - disse, voltando a sorrir novamente. - E há dois anos, encontrei meu pai. Vivo! Dá para imaginar?! Às vezes, nem acredito que é realmente ele.
- Deve ter sido emocionante quando você o encontrou.
Peter apenas afirmou com a cabeça e pisou no freio.
- Vamos, Jarod. Chega de conversa.
Segundos depois, Jarod e o detetive Caine estavam parados no meio de uma ponte, fora da cidade. Donny Double D. chegou logo em seguida.
O rapaz franzino parecia um tanto desconfiado com a presença de Jarod. Ele estava acostumado a passar informações a Peter, mas sentiu-se intimidado com a autoridade que Jarod emanava, sem contar que Jarod parecia o ter reconhecido.
- Esse é o agente Holmes do FBI, Donny. Ele está trabalhando comigo no caso do Chiang. - disse Peter.
Jarod reconheceu aquele sujeito. Era o mesmo da noite passada no parque.
- Ele é confiável? - perguntou, curioso.
- Não digo 100%, mas acho que o Donny não tem coragem de mentir, não é Donny?
- Pete. - disse Donny, sempre insistindo parecer amigo do policial e chamando por seu apelido. - Pete, posso falar um instante com você? - disse, puxando o detetive pelo braço. - Esse cara é maluco.
- Quem? Jarod?
- É! Ele estava sozinho lá no parque ontem de madrugada, agindo muito estranho.
- Como assim?
- Não sei. Estava simulando algo ou brincando de alguma coisa, sei lá, Pete!
O detetive sorriu.
- Tudo bem, Donny. Depois verifico isso. Mas, e sobre o garoto? Você tem alguma novidade? - disse ele, sinalizando para que Jarod se aproximasse.
- Tenho sim.
- Você sabe algo sobre o Joseph? - perguntou Jarod, interessado.
Donny parecia um bom sujeito, um tanto atrapalhado e medroso, mas sempre vivia nas ruas e fornecia dados importantes para Peter. Ele sabia que sempre que precisasse, podia contar com o detetive, então, nada mais justo do que ajudá-lo de vez em quando.
- Ouvi dizer que o menino estava no lugar errado e na hora errada. Ele viu quem levou o dinheiro do Wong. - disse Donny. - Parece que Chiang estava roubando dinheiro de Wong. Mas, não foi Wong quem o matou. Foi tudo acidente. Um sujeito passou na hora e roubou a maleta. Acho melhor você encontrar o garoto, antes de Wong. Bon Bon Hai vai ficar furioso quando descobrir que Wong estava deixando ser roubado. Pode até sobrar para o menino.
- Só isso? - comentou Peter. - Você não sabe onde o garoto está?
- Não. Mas, ouvi dizer que está perdido. - respondeu Donny, antes de sair, voltando rapidamente. - Desculpa, Pete, mas são ossos do ofício...
O detetive Caine entendeu. Peter retirou alguns dólares do bolso e entregou a Donny, que saiu satisfeito como se tivesse deixado uma informação valiosa.
- Eu não acredito que vim até aqui só para dar dinheiro ao Donny. - comentou Peter.
- Ele quis dizer alguma coisa com "está perdido". - comentou Jarod, pensativo.
- O Donny acha que você é maluco. Deve ter razão. - disse Peter, voltando ao carro.
Perdido...
Aquela palavra não saia da cabeça de Jarod. Ele permaneceu um pouco mais na ponte e aproveitou para admirar a paisagem. O riacho que passava por baixo era extremamente bonito. Na sua margem podia ser visto a grama fina que forrava todo o lugar, como se fosse um imenso tapete verde.
Peter Caine observou Jarod por um instante e sorriu ao lembrar das palavras de Donny. Mas, assim que virou-se, abrindo a porta de seu stealth, inesperadamente, algo muito estranho lhe aconteceu. Peter teve uma súbita vertigem, tudo ao seu redor girava e ele teve que se apoiar no carro para não cair. O rapaz colocou a mão na cabeça como se estivesse reagindo a uma sensação dolorosa e de repente, um turbilhão de imagens surgiu em sua mente. Mato, terra, um céu coberto pelas copas das árvores. Uma sensação de dor, medo e solidão apoderou-se do detetive.
Jarod percebeu que havia algo errado com seu novo amigo e foi rapidamente verificar.
- O que houve? Você está bem? - perguntou, tentando trazer-lhe de volta à realidade.
Peter parecia um tanto confuso. Aquilo havia lhe deixado completamente desorientado. Mas, tão repentinamente quanto a horrível sensação havia chegado, simplesmente desapareceu. O rapaz passou a mão entre os cabelos, jogando-os para trás, recompondo-se. Respirou fundo, tentando entender o que havia acontecido, e fez um rápido reconhecimento visual do lugar em que estava com o intuito de espairecer as idéias.
- Você está bem? - insistiu Jarod.
- Estou bem sim. Não foi nada. - respondeu, secamente.
Jarod sabia que ele estava mentindo.
- Você apresentou sintomas de fraqueza ou de início de uma síncope.
- Quem você pensa que é? Médico? - comentou Peter, tentando em vão lembrar das imagens que vira instantes atrás, elas haviam fugido de seu alcance.
- Já fui médico. - respondeu Jarod. - Mas, ainda me lembro muito bem quando alguém tem uma vertigem, ou falta de oxigênio no cérebro.
Peter sorriu com despeito, incrédulo.
- Donny está certo. Você é maluco. - comentou. - Não se preocupe agente Holmes. Estou bem. - insistiu, entrando no carro. - Só preciso falar com alguém e descobrir o que foi que eu vi.
- Como assim, o que você viu? Você teve algum tipo de visão?
Peter enrubesceu. O detetive pareceu um tanto encabulado. Ele havia acabado de chamar Jarod de maluco, e agora, com certeza, Jarod iria fazer o mesmo.
- Não é bem uma visão. - disse hesitante. - Não acontece quando eu quero. São como sonhos. Vem e vão num piscar de olhos e às vezes, não querem dizer nada. - completou. - Talvez você esteja certo. Pode ser fraqueza. Tenho trabalhado demais.
- Você acha que tem alguma relação com Joseph?
- Não sei. Por isso vou falar com meu pai. Talvez ele saiba explicar.
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Pais sabem o melhor -
Parte3