Pais Sabem o Melhor

Por Ruth dos Anjos

Atenção: Caso você não conheça os personagens do seriado Kung Fu A Lenda Continua, sugiro uma olhada na galeria de fotos antes de iniciar a ler. Obrigada. : )

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Pais sabem o melhor - Parte 1

 

Teaser

Chinatown 11:58 da noite.

As nuvens que encobriam a lua cheia eram apenas passageiras. O céu estava límpido como uma típica noite de verão, e, embora uma suave brisa soprasse constantemente, o frio não era perturbador, era até mesmo necessário. A noite no bairro chinês, perto de New York, estava realmente bela. Mas, a sensação de que algo estava prestes a acontecer era mais do que iminente. Tudo estava silencioso demais. Quieto demais...

Uma sombra passou entre as árvores do parque central, esforçando-se para passar desapercebida. O menino devia ter uns dez anos de idade, mas não parecia temeroso em andar na rua aquelas horas da noite, e sim, apreensivo que seus planos dessem errado. Ele já tinha tudo programado, avaliou os riscos e as possibilidades. Durante a semana inteira havia ficado às escondidas observando a perigosa movimentação depois da meia-noite. De vez em quando, uma ou outra viatura da polícia fazia sua ronda rotineira, mas os meliantes sabiam o horário adequado para suas negociações.

E o garoto também. Ele viu quando um dos homens de Wong atravessou o parque, logo após o carro da polícia ter se afastado o suficiente. O sujeito levava consigo uma maleta abraçando-a, sem a menor discrição.

- Você não pode continuar com isso! Não está certo! - gritou o menino.

O homem de aparência asiática virou-se para ter certeza de que não havia mais ninguém por ali. O garoto estaria sozinho?

- Está tarde para crianças andarem na rua. Vá pra casa. Isso pode ficar perigoso. - replicou.

- Eles vão matar você. - comentou o menino, decepcionado.

- Vá embora, já disse!

Joe sabia que Chiang trabalhava para Wong, um dos empregados da máfia chinesa. E o menino também sabia que Chiang estaria roubando Wong sem que ele percebesse. Aquilo significava problemas. Chiang era seu amigo, ele temia que Wong descobrisse.

Não adiantava. O homem era muito teimoso. Achava-se esperto demais, até que inesperadamente, o barulho de um galho de árvore quebrando denunciou companhia. Chiang retirou a arma de dentro de seu casaco e preparou-se para o pior. Polícia? Wong?

- Esconda-se! - disse ele para Joe, que hesitou em deixar o amigo sozinho, mas embrenhou-se entre as árvores.

- Quem está aí? - perguntou Chiang, tentando avaliar a origem do som.

Sua travessia pelo parque parecia ter chamado a atenção de mais alguém...

Chiang deparou-se com um homem caucasiano lutando com ele pela maleta. O sujeito devia saber que se tratava de dinheiro.

Joe estava assustado. Desviou o olhar por um instante, quando ouviu o tiro...

Algum tempo depois, a manhã estava quente e ensolarada. Podia-se dizer que o sol imperava no céu como soberano.

Em frente a uma cafeteria, sentado numa das mesas ao ar livre, Jarod lia a manchete do jornal de dois atrás:

"Garoto desaparecido pode ter sido testemunha de assassinato. Joseph Smith está desaparecido desde a noite de sexta-feira, na qual ocorreu o assassinato de J. Chiang, suspeito de fazer parte da gang de Wong. Polícia acredita ter sido queima de arquivo".

Jarod apanhou seu caderno vermelho de anotações e observou o recorte de outro jornal: "Mãe ainda acredita que filho esteja vivo".

- O senhor deseja mais alguma coisa? - perguntou a garçonete, deixando a bandeja com biscoitos da sorte e a xícara de café sobre a mesa.

- Não, obrigado. - respondeu mansamente.

Jarod esqueceu seu caderno por alguns instantes e se dispôs a experimentar os biscoitos que tanto ouvira falar. Ele deu uma boa mordida e surpreendeu-se com o papel dentro da massa. Sorte...? Pensou Jarod.

A moça, que ainda estava por perto, percebeu que ele não entendera o significado daquilo e aproximou-se.

- Nunca comeu um biscoito da sorte, antes? - perguntou.

- Para falar a verdade, não. Mas, dentro deste encontrei um pedaço de papel.

- Então leia sua sorte... - replicou, sorrindo. 

- Sorte?

- É sim. Esses papéis contém mensagens que dirão o seu futuro. É uma velha tradição chinesa. 

Jarod sorriu curioso.

- E vem em todos? - indagou ele.

- Apenas em alguns. - respondeu, saindo em seguida.

Jarod desembrulhou o pedaço de papel e leu : "Às vezes, para planejar o futuro é preciso voltar ao passado".

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101º Distrito Policial de Chinatown, 08:25h da manhã.

A movimentação de pessoas entrando e saindo contribuía para o caos daquele lugar. Reclamações, policiais ao telefone, outros trazendo suspeitos, outros indo atrás de suspeitos. A polícia de Chinatown realmente tinha o que fazer.

Jarod acompanhou Frank Strenlich, o chefe dos detetives, até a sala ao lado. O policial bateu duas vezes antes de entrar e disse:

- Capitão, este é o homem que os federais insistiram em mandar.

Jarod notou uma certa rivalidade em seu tom de voz, mas fingiu não ter prestado atenção. Ele observou o homem de cabelos prateados terminando de digitar algo no computador, antes de cumprimentar os recém-chegados.

- Sinto-me honrado em tê-lo conosco, Jarod. - disse o capitão Blaisdell, com a intenção de desfazer a má impressão que Frank insistia em transmitir. - Seu currículo é realmente exemplar. - completou.

- Obrigado, senhor. Mas, a honra é minha.

Frank fez um muxoxo. Além de engomadinho, era puxa-saco, pensou enquanto desviava a atenção para fora da sala. Através da persiana, ele procurou pela vítima que Blaisdell havia arranjado para ser parceiro do federal nesse caso. Ele viu o rapaz conversando com uma moça, melhor, flertando. Frank deixou que um sorriso discreto brincasse em seus lábios. O policial só queria ver a cara do outro quando descobrisse que tinha que bancar a ama-seca de um federal.

- Vou deixar com você um dos meus melhores homens. Ele lhe fornecerá todas as informações necessárias. - disse Blaisdell.

- Obrigado. - disse Jarod, ansioso em começar com as investigações.

Embora Chinatown seja uma cidade americana, era formada por imigrantes na sua maioria chineses. A cultura da cidade era bastante diversificada, mas a cultura chinesa podia ser vista em quase todos os lugares. Jarod ainda não estava a par de todos os costumes, então, quis manter-se à margem da comunidade e achou que um parceiro seria apropriado.

- Frank, vá chamar o Peter. - disse o capitão, autoritário.

- Sim senhor.

Frank Strenlich abriu a porta e gritou:

- Peter! Aqui, agora!

- Desse jeito eu também poderia ter chamado. - manifestou Paul Blaisdell.

Jarod sorriu. Apesar de ser um lugar de violência e stress, Jarod percebeu que o clima de amizade rondava todo o distrito.

- Eu adoro quando ele me chama assim... - comentou Peter com Jody, uma de suas amigas do departamento.

- É melhor você ir . - disse Jody.

Instantes depois, Peter entra na sala do capitão. O rapaz viu o homem de terno e de aparência misteriosa, olhou para o capitão que não lhe fitou nos olhos e percebeu a cara curiosa de Strenlich. E impulsivamente, antes que alguém dissesse algo, manifestou, categoricamente:

- Não.

- Não, o quê? - perguntou o capitão, instantaneamente.

Frank sabia se não saísse agora, acabaria sobrando para ele, então, saiu rapidamente.

Peter sabia que se Paul Blaisdell havia decidido alguma coisa, era melhor considerar feita. Mas, Peter sempre gostava de demonstrar sua insatisfação e quem sabe, conseguir o que queria. Isso às vezes dava certo...

- Paul, você sabe o quê.

O capitão ignorou o comentário e insistiu:

- Detetive Peter Caine, este é o investigador Jarod Holmes. Ele será seu parceiro no caso em que você está trabalhando.

- Holmes? - disse Peter, com um certo sorriso nos lábios. - Você mesmo que inventou seu nome, não foi? - perguntou, brincando.

Jarod parecia surpreso.

- Não ligue para ele, Jarod. O Peter gosta de fazer certos comentários de vez em quando. - comentou o capitão.

- Desculpe, não quis ser grosseiro. - disse o detetive Caine.

- Está tudo bem. - replicou Jarod, mansamente.

Jarod fez uma rápida avaliação no rapaz. Jovem, espírito de aventura, um tanto rebelde. Havia uma certa perspicácia em seus olhos indicando que nada lhe passava desapercebido.

- Então, vamos trabalhar? - disse Peter.

- Quanto antes encontrarmos aquela criança melhor. - replicou Jarod. - O menino deve estar assustado e sozinho em algum lugar nessa cidade. - completou.

- Você também acha que ainda esteja vivo? - perguntou Peter.

Jarod afirmou com a cabeça e disse: - E deve estar se escondendo para se manter assim.

- Tenham cuidado. - disse o capitão. - Se o menino ainda estiver vivo, alguém mais deve estar atrás dele.

Peter Caine entendeu o recado. Um dos homens de Wong havia sido morto. Wong trabalhava para Bon Bon Hai, o chefe da máfia pelas redondezas. Era incrível, a polícia sabia os nomes, conhecia as vítimas que eram ameaçadas pela máfia, mas não podia fazer nada por falta de provas. A comunidade também não se arriscava a denunciá-los.

Quando Jarod estava saindo da sala, juntamente com seu novo parceiro, o capitão lhe chamou a atenção: - Não se preocupe com o Detetive Caine, agente Holmes. Pode confiar nele. Às vezes, o Peter pode parecer um tanto instável, mas é um garoto de ouro. - completou.

- Paul, eu ouvi isso! - comentou Peter, ainda no limiar da porta. - Instável? Já fui chamado de muitas coisas, mas não me lembro de instável. - resmungou baixinho.

Jarod sorriu.

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O Centro, Blue Cover, Delaware

A Srta. Parker andava de um lado para o outro da sala, nitidamente irritada. Já faziam duas semanas que não tivera nenhuma pista de Jarod. Ele havia simplesmente sumido. Nenhuma de suas brincadeiras, nenhum contato, nada. Srta. Parker estava começando a achar que Sydney sempre esteve certo...

Se Jarod resolvesse realmente desaparecer, o Centro não seria capaz de encontrá-lo.

Mas, como se estivesse adivinhando seus pensamentos, Broots aparece com uma caixa nas mãos e com um envelope na boca. O pobre homem estava sobrecarregado de encomendas.

Parker retirou o envelope e com ele em mãos, fitou Broots com certo asco e desdém.

- Só tenho duas mãos, Srta. - comentou ele, notando o aborrecimento da moça.

Sydney chegou logo em seguida, curioso.

- O que temos aqui...? - perguntou, abrindo a caixa e retirando uma caixa menor de dentro.

Parker abriu o envelope e encontrou o bilhete que dizia:

"Saudades, Jarod".

Ela não podia acreditar, mas estava com saudades de Jarod. Sentia até mesmo falta de suas brincadeiras sem graça.

Sydney abriu a caixa menor e encontrou alguns biscoitos. O psiquiatra sorriu.

- O que é isso? Ele pensa que estamos passando fome? - perguntou a srta. Parker.

- Eu não estou reclamando... - disse Broots, pegando um e comendo. - Adoro biscoitos da sorte.

O olhar gélido que a senhorita Parker emanou em direção a Broots o fez engasgar. Ele morria de medo dela, apesar de sentir-se parte de seu seleto circulo de amizades.

- O que diabos isso significa, Freud? - perguntou Parker a Sydney, ignorando Broots. - Por quê o garoto prodígio gasta seu tempo mandando-nos biscoitos?

- Tudo para Jarod tem um significado. Às vezes, ele deixa que nós participemos de suas descobertas, outras, apenas brinca conosco. - respondeu Sydney. - São biscoitos chineses, senhorita. - comentou. - Talvez ele esteja medindo forças, e fazendo um teste para ver quem tem mais sorte.

- Ou então, quem sabe, o Jarod pode estar na China. - disse Broots.

Sydney sorriu discretamente com o comentário.

- Broots, faça um favor a si mesmo e fique calado. - manifestou Parker, autoritária.

- Sim, senhora.

- China... - comentou a Srta. Parker, aborrecida.

Por um instante, Broots pensou em algo que talvez realmente ajudasse. Quem sabe Jarod estivesse dando uma pista de onde estava? Quem sabe ele queria realmente medir forças como falou Sydney? E se ele estivesse realmente na China? Mas, não a China do outro lado do mundo, mas a China dali mesmo, no mesmo país? Broots queria falar algo a respeito de Chinatown, mas ficou intimidado com a senhorita Parker e resolveu ficar calado.

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Jarod lia os relatórios que o Detetive Caine havia lhe fornecido e repentinamente, perguntou, sondando o rapaz:

- A mãe do menino não pode estar o escondendo?

- Se você visse o estado emocional daquela mulher, não diria isso. - respondeu Peter.

- Eu gostaria de falar com ela. - insistiu Jarod.

- Claro. - disse Peter. - Chega de burocracia. Você vai falar com a senhora Smith e eu vou procurar por Wong.

A Delegacia de Polícia estava sempre cheia de pessoas. Jarod percebeu que além de algumas estarem esperando para sair e outras esperando para entrar, havia também curiosos. Jarod viu o interesse despertado na conversa entre o Detetive Caine e ele, nos olhos astutos de um asiático.

- Você tem certeza disso? - perguntou Jarod, lembrando-se do que o capitão havia dito minutos atrás. Com certeza, alguém mais além da polícia estaria procurando pelo menino.

- Ei! Não venha me perguntar sobre meu trabalho, ok?

- Desculpe.

- Está tudo bem.

Jarod não sabia explicar por quê, mas era sempre assim. Sempre havia algum tipo de rivalidade entre os federais e os outros policiais. Será porque ganham mais?

Algum tempo depois, Jarod encontrava-se em frente a residência dos Smith. Era uma casa pequena, simples. Ele aproximou-se, mas notou a porta sendo aberta, e preferiu apenas observar por alguns instantes. Jarod viu a senhora de cabelos loiros despedindo-se de um homem com trajes esquisitos. Usava um chapéu, levava uma mochila de couro nos ombros, carregava algo nas costas, talvez uma flauta e estava de sandálias.

Jarod esperou que a senhora Smith entrasse novamente e resolveu seguir o desconhecido. Talvez ele soubesse de algo.

O homem continuou andando calmamente durante algumas quadras, até que inusitadamente, sumiu da vista de Jarod. Num instante estava lá e no outro, não estava mais. Jarod ficou surpreso. Para onde ele teria ido? E como?

- Deseja algo?

Ouviu Jarod, assim que sentiu o toque em seu ombro. Ele virou-se rapidamente, o coração ao pulos, assustado. Se fosse alguém do Centro, com certeza o teria pego de surpresa.

- Por favor, me desculpe. - disse o estranho, gentilmente. - Não foi minha intenção assustá-lo. - completou.

Jarod olhou mais uma vez para o lugar onde tinha visto aquele sujeito pela última vez e tornou a olhar para o senhor de cabelos grisalhos bem na sua frente.

- Como o senhor fez isso? - perguntou Jarod, intrigado. - Como sabia que eu estava lhe seguindo?

Por um instante, o outro não respondeu. Permaneceu em silêncio, deu de ombros e sorriu enigmaticamente.

- Seu chi é bastante forte. - disse por fim.

- Meu chi? - indagou Jarod, pensativo. - Ah! Força vital, áurea, energia que o corpo emana. - completou.

- Correto.

Jarod sorriu.

- Desculpe, não devia ter seguido o senhor. - manifestou. - Meu nome é Jarod. Jarod Holmes. - completou, estendendo a mão num gesto de cortesia.

- Kwai Chang Caine. - disse, curvando-se em sinal de respeito como manda a tradição.

Jarod retribuiu o gesto e percebeu repentinamente:

- Caine?

- Eu sou Caine.

- Engraçado, conheci há poucos um Peter Caine.

- É meu filho.

- Seu filho?

Caine apenas afirmou com a cabeça.

Estranho... Jarod realmente achou aquilo muito estranho. Peter não se parecia nada com o pai. A começar pelas roupas. O rapaz andava sempre bem vestido, casaco de couro, jeans, botas. E apesar do bom humor que demonstrava, aparentava sempre estar irritado com alguma coisa. Será com o pai? Pensou Jarod. Já o seu pai era um homem gentil, extremamente calmo e apesar de não possuir traços asiáticos, havia algum tipo de ligação com a cultura chinesa. Havia até mesmo algo místico nele.

- Vi quando o senhor falou com a senhora Smith. - disse Jarod.

- Ela está muito preocupada com o filho.

- O senhor o conhece?

- Já o vi algumas vezes. É um bom menino, só não tem chances de descobrir isso.

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Quando Peter Caine entrou no bar à procura de Wong, percebeu que seria bem recepcionado. De alguma forma, Wong soubera que o detetive viria em seu encalço.

- Você não aprende mesmo, não é Caine? - disse Wong, acompanhado com dois guarda-costas que pareciam mais dois armários.

 Peter Caine não intimidou-se. - Estou sem mandado, e não estou afim de machucar você, Wong. - disse ele, sério. - Quero apenas lhe fazer algumas perguntas.

Wong divertiu-se com a coragem ou com a estupidez do policial. - Você está em meu território, detetive, caso ainda não tenha percebido.

Um dos capangas aproximou-se do policial com a cara mais carrancuda que pôde fazer, disposto a jogá-lo para fora.

- É um país livre. - comentou Peter.

Wong fez um sinal. Caine percebeu que teria problemas e tratou de certificar-se de que sua arma estaria ao seu alcance se fosse necessário.

- Entenda, Peter, você não tem mandado, está sozinho e não é bem vindo.

- Gosto de correr riscos.

Nesse instante, um dos comparsas de Wong apontou sua arma para o policial, enquanto o outro estava prestes a fazer o mesmo.

Peter não hesitou. Ágil como um gato, ele golpeou o indivíduo com um dos golpes de kung fu que aprendera com seu pai. O rapaz ficou contente por ter se lembrado, pois a arma de seu agressor caiu no chão. Peter teve tempo suficiente para usá-lo como escudo humano contra o outro, que, tentando atirar no policial, acabou acertando o joelho do seu colega.

- Idiotas! - resmungou Wong, presenciando a cena.

Peter jogou seu escudo contra o atirador, que caiu no chão.

Wong tentou sair dali, mas ouviu o barulho de uma arma sendo destravada. Ele virou-se e notou estar na mira do policial.

- Como disse, só queria conversar. - insistiu Peter.

Wong engoliu em seco. - Seria mais fácil se eu soubesse o assunto.

- Claro.

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Jarod foi conversar com a senhora Smith. Ele concluiu que a mulher não sabia onde realmente seu filho estava. Jarod fez uma rápida, mas detalhada averiguação do lugar. Observou com mais atenção o quarto do garoto em busca de alguma pista, e a única coisa que encontrou foram alguns seixos. Nada demais.

- Não se preocupe, vou fazer tudo que for possível para encontrar seu filho.

Lágrimas desciam sobre a face da mulher.

- A culpa foi minha, agente Jarod. Eu devia passar mais tempo com o Joe... - dizia ela.

- Não se culpe. Às vezes fazemos coisas que não queremos e não sabemos o porquê.

Jarod viu no rosto daquela mãe o desespero de ter um filho perdido. Por instantes, ele imaginou se sua mãe teria sofrido assim. Talvez mais?

- E o pai de Joseph? - perguntou.

Alicia Smith deu de ombros.

Mãe solteira... tem que trabalhar ao dobro para manter a família, pensou Jarod.

- Desculpe a indiscrição, mas o que a senhora falava com o Sr. Caine? - desconversou, curioso.

- Mestre Caine?

- Mestre?

- Você não sabe?

Jarod transpareceu desentendimento.

- Kwai Chang Caine é sacerdote Shaolin. É um homem bom. Toda a Chinatown tem honra em tê-lo conosco. - Se você precisar de algum tipo de ajuda, procure Caine, ele o ajudará. - continuou Alicia.

Jarod parecia intrigado.

- Ele também está procurando pelo Joseph?

- Mestre Caine sempre fica de olhos abertos. Alguns dizem que ele tem poderes sobrenaturais, pode ver e sentir coisas que nós não podemos.

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Pais sabem o melhor - Parte 2

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