Os tios da Fabienne estiveram quinze dias em Portugal, entretanto eu j� andava outra vez no circuito da hero�na. As coisas estavam cada vez piores, eu quase n�o comia, passava dias e dias fora de casa, ficando numa casa de tr�fico, onde me davam pequenas doses para me injectar a troco de ajuda a fazer os pacotes da droga. Quando estava em casa dos meus pais fechava-me no quarto e chorava desesperado com a minha situa��o, pensando que nunca me curaria. O meu pai continuava a dar-me mil e quinhentos escudos para a minha dose, mas eu queria sempre mais, e o desespero aumentava. At� que um dia resolvi escrever para o Patriarche a contar o que se passava, e a pedir ajuda. Aceitaram-me outra vez e mandaram-me para o norte de It�lia. Estive l� cerca de dois anos, depois fui trans- ferido para Espanha, para trabalhar na Direc��o Internacional. N�o me adaptei a estar fechado o dia todo num escrit�rio e pedi para me mandarem para um centro onde me pudesse ocupar dos novos que iam chegando. Fui acabar perto de Bilbao. Ao fim de algum tempo andava com uma carrinha a recolher os produtos que ofereciam � associa��o. Entretanto conheci uma italiana, casada e com um filho, que estava no mesmo centro que eu, as coisas n�o estavam bem entre ela e o marido e acab�mos por nos envolver. Posteriormente ela pediu a separa��o, mas os respons�veis do centro n�o estavam de acordo e como descobriram que era por minha causa separaram-nos e mandaram-me para um apartamento no centro de Bilbao. Eu continuei a pedir para que nos junt�ssemos, pedido esse que era sempre negado. Entretanto, mudaram-me para perto de Sarago�a. No dia de passagem de ano havia festa no centro e eu esperava que a deixassem vir � festa. A certa altura o respons�vel daquela regi�o ao ver-me, perguntou-me porque � que eu n�o estava a preparar-me para a festa, respondi-lhe que se ela n�o viesse eu n�o iria � festa. Ao ouvir a resposta o respons�vel mandou-me fazer as malas e expulsou-me, era trinta e um de Dezembro, oito horas da noite, n�o tinha jantado e n�o tinha dinheiro. Fui acompanhado at� ao port�o do centro e depois fiquei entregue a mim pr�prio. Consegui chegar � povoa��o mais pr�xima onde telefonei aos meus pais, cheg�mos � conclus�o que o melhor era irem buscar-me, sen�o metia-se o fim de semana e eu n�o tinha ningu�m que me ajudasse. Nessa noite n�o consegui dormir devido ao frio que fazia, finalmente o dia nasceu e dirigi-me ao centro da povoa��o onde depois de contar o que me tinha acontecido, um policia deu-me uma sandes. Cerca das onze horas da manh� chegou a minha irm�, a minha m�e e uma prima. Quando cheguei a Portugal entrei em contacto com a fam�lia da Lucia e expliquei o que se passava. Passado pouco tempo j� ela estava em casa no norte de It�lia, combin�mos que ela arranjaria casa e trabalho para mim e depois eu iria para o p� dela. |