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DURANTE A TOXICODEPEND�NCIA
Ao fim de um m�s fui para It�lia e comecei a trabalhar com um dos irm�os da Lucia. Tudo corria bem at� que um dia cheguei a casa e faltavam cem mil liras, perguntei onde estava o dinheiro e come�aram as mentiras, passados alguns dias confirmaram-se as minhas suspeitas: a Lucia andava a consumir. Seguiram-se v�rias discuss�es para que ela parasse, sem resultado. Um dia quando cheguei a casa a Lucia tinha-se ido embora. Continuei a trabalhar com o irm�o dela e fiquei a viver s�zinho. Passaram-se sete meses e um dia recebo a visita da Lucia - queria voltar a viver comigo. Eu n�o aceitei e disse-lhe que primeiro teria que me demonstrar que estava bem, e depois se veria. Rapidamente me apercebi que ela se drogava na mesma, conversei com ela, tentei tudo o que me foi poss�vel para que ela parasse de se drogar, mas n�o resultou. S� me restava a manipula��o, ent�o disse-lhe que tamb�m queria injectar-me e se ela gostasse de mim parava, sen�o seria a desgra�a dos dois. Injectei-me e fui imediatamente para a casa de banho chorar, tinha a perfeita consci�ncia do disparate que tinha feito. Como � �bvio, pass�mos a drogar-nos os dois. Algum tempo depois a familia obrigou-a a ir fazer uma desintoxica��o e eu fiquei s�zinho e mais uma vez "agarrado" � hero�na. Durante algum tempo consegui disfar�ar as coisas mas depois tornou-se imposs�vel e fui despedido. Ainda tinha quase um m�s de renda paga e fui ficando. Enquanto houve dinheiro a situa��o era sustent�vel mas claro que o dinheiro acabou. Troquei alguns m�veis da casa por droga, vendi os �ltimos objectos de valor que tinha e mais uma vez apanhei seringas do ch�o para me injectar. A fome levou-me a comer restos que apanhava do ch�o. Como vivia s�zinho e a casa tinha dois quartos, aluguei um quarto a um tunisino que era traficante e o aluguer era pago em droga. Como cada vez apareciam mais "primos" para ficar l� em casa e a droga deixou de ser suficiente para me tirar a ressaca, decidi dizer-lhe para sair de minha casa o que veio a acontecer. Voltaram os dias de fome e as ressacas, ao ponto de chegar a injectar-me  com Rum puro.
Mais uma vez recorri aos meus pais, pagaram-me o bilhete de regresso. No �nicio tentei dar a entender que n�o me drogava, depressa descobriram a verdade. Recome�ou tudo outra vez e mais uma vez pedi ajuda ao Patriarche, aceitaram-me com a condi��o de que eu ficasse em Portugal. Tive que aceitar, fui para Vila de Frades a sete kil�metros da Vidigueira. Como era a terceira vez que estava naquela Associa��o sabia bem como funcionava, e sempre fiz tudo como devia ser, at� que senti que poderia fazer outras actividades, e (na Vidigueira s� havia animais e actividades agr�colas), pedi para ir para outro centro onde poderia trabalhar em algo mais proveitoso para a Associa��o e onde eu me sentisse melhor. Depois de eu  pressionar os responsaveis bastante bastante, fizeram um acordo comigo: eu passaria o Natal naquele centro (faltava quase um m�s) e depois mudaria para outro, onde me iria ocupar do armaz�m de m�veis ( o meu pai tem uma oficina de restauros de m�veis antigos). Entretanto ficava respons�vel por uma actividade que se chamava "Opera��o Quilo" e deveria ir todos os dias para as portas dos supermercados para recolher alimentos.
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