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DURANTE A TOXICODEPEND�NCIA
Como era de esperar tivemos que regressar a Portugal, n�o tendo dinheiro para a viagem foram os meus pais que pagaram, mas s� com alguma manipula��o da minha parte � que eles acederam em pagar o bilhete da minha mulher. Volt�mos para casa dos meus pais. Continu�mos a drogar-nos e a criar problemas, at� que resolvemos ir para Marselha e pedir ajuda � familia da minha mulher. Mais uma vez foram os meus pais que pagaram e l� fomos n�s para Marselha.
Cheg�mos a Marselha numa quarta-feira � noite, antes de arranjar um quarto ou ir ter com a familia dela fomos procurar droga. Quando finalmente encontr�mos a droga alugamos um quarto, pois j� era tarde para irmos para casa da familia dela. Ao chegarmos ao quarto abrimos o pacote da droga e a� descobrimos que tinhamos sido enganados. No dia seguinte de manh� a minha mulher disse que ia falar com a assistente social e para eu esperar no quarto por ela. Chegando ao meio-dia, e como o quarto s� tinha sido pago para uma noite, tive que sair do hotel. Ao fim do dia como ela n�o regressava e tinha levado todo o dinheiro, deixando-me apenas doze francos que gastei comendo um cachorro, decidi telefonar aos meus pais, a pagar no destinat�rio, e contei-lhes o sucedido. Ficou combinado que no dia seguinte (sexta-feira) iam aos correios e me mandariam um vale postal. O problema era que o vale s� chegaria na segunda-feira.
Estava a dois mil e quinhentos quil�metros de casa, sem dinheiro, n�o conhecia ningu�m, n�o tinha onde dormir nem o que comer.
Depois de fazer v�rios quil�metros, tentando trocar a alian�a por uma sandes, houve uma senhora num quiosque de cachorros que me deu um cachorro e uma coca-cola n�o aceitando a alian�a (alian�a essa que acabei por atirar para um lago). Nessa noite, dormi na esta��o onde �s cinco da manh� nos meteram a todos na rua para a lavarem. A meio da manh� comecei a procurar a familia da minha mulher. Depois de algum esfor�o de mem�ria consegui descobrir a casa e assim conheci o av� e o tio da minha mulher - eram a �nica familia directa que restava. Bati � porta e apresentei-me como sendo o marido da Fabienne. Felizmente acreditaram em mim e receberam-me. Disponibilizaram-se a acolher-me enquanto n�o chegava o dinheiro para o meu regresso. Durante o per�odo que estive em casa deles e com a desculpa de ir procurar a Fabienne,pedia dinheiro emprestado e �a comprar hero�na, e como geralmente o dinheiro apenas chegava para a dose min�ma e n�o dava para a seringa, cheguei a apanhar seringas usadas do ch�o para me injectar.
Certo dia, o tio da Fabienne diz-me que se eu lhe desse cama e ao av�, eles viriam trazer-me a Portugal e aproveitavam para conhecer os meus pais. Assim que cheguei �s Caldas, fui comprar droga com dinheiro que roubei ao tio da Fabienne aproveitando quando ele se levantou para ir � casa de banho.
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