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Em 1850, a dança nacional da República Dominicana era a tumba, dança de
origem europeia na qual as mulheres ficavam de um lado e os homens de outro.
Rapidamente, os casais das ilhas introduziram alguns movimentos eróticos que
escandalizaram os europeus. No final do século XIX, a tumba foi substituída
por outra dança derivada do paseo, durante a qual os dançarinos escolhiam as
dançarinas. Era o merengue, que naquela época era formado pelo paseo, pelo
merengue propriamente dito e o jaleo, giros e coreografias muito
expressivas.
Entretanto, o merengue foi qualificado como "detestável" e "paixão cruel" e
sofreu censura oficial. Por volta de 1910, em Cibao (norte do pais), hoje
considerado o quartel general do merengue, foi desenvolvida uma dança
chamada pirico ripiao (louro depenado) em homenagem a uma taberna de
Santiago de los Caballeros, capital de Cibao, famosa pela liberdade em
questões morais e sexuais. Essa dança era tocada no acordeão, interpretada
por músicos como Fefita la Grande, Francisco Ulloa e Cieguito de Nague. Em
outras partes, formaram-se conjuntos compostos por acordeão, balsié (pequeno
tambor) e balsielito longo (maior que um guaio, transformado em raspador).
Durante a ocupação americana (1916-1924) surge o pambiche, provavelmente
derivado da palma beach (tecido estampado), uma versão mais lenta do
merengue que imitava o modo dos soldados americanos dançarem merengue.
Baseado nesta dança, o director de orquestra Rafael Solano criou um novo
gênero de merengue bastante lento: o merengue ampabichao.
Porém, o sucesso do merengue chegou pelas mão do ditador Rafael Trujillo
(1891-1961), que elevou o merengue à categoria de dança nacional. Após seu
assassinato os combos de merengue foram um grande sucesso, os instrumentos
eléctricos substituíram as grandes formações do passado. Sob a influência do
rock, o tempo da dança foi acelerado e a sessão de paseo desapareceu. O
merengue actual mantém dois géneros coexistentes: a variação popular e a
versão orquestrada ou comercial. Esta última compete com a salsa de Cuba e a
de Porto Rico, como a dança de salão mais popular da América latina e dos
Estados Unidos. Por outro lado, o merengue popular manteve sua vigência
graças ao ritmo e ao acordeão que se converteram no símbolo da identidade
nacional dominicana.
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