segunda-feira, 19 de fevereiro de 2001

 

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A Tragetória . ( DJ Marky )

 

MARKY,
O DJ paulistano da periferia que conquistou a Europa

Bom dj - O bom dj, na minha opinião, tem que fazer boas mixagens e ótimas seleções. Se você conseguir colocar tudo junto você vai ser um excelente dj. É díficil sentir a pista, ter a malícia de saber a hora de tocar aquela música.
Isso sem contar que você tem que pesquisar, ir atrás dos lançamentos, comprar revistas, acessar a internet.
Você gasta para caramba, investe uma puta grana em discos. Todo mundo acha que é fácil, mas não é nem um pouco.

Certa noite, na Escócia, depois de tocar,
veio um grupo de umas dez pessoas e começaram a beijar as minhas mãos,
meus pés, fazer reverência

Começo - Eu tive contato muito cedo com a música, na minha casa mesmo, ouvindo muito os discos do meu pai. Escutava no rádio programas de djs americanos e ficava louco. Enquanto meus amigos pediam carrinho de presente, eu pedia discos para minha mãe.
Entrei de cabeça em uns programas de rádio. No começo dos anos 80 começaram os campeonatos de djs e acabei me inscrevendo em alguns. Como não tinha pick-up em casa eu treinava na casa de amigos. Perdi os dois primeiros campeonatos dos quais participei. Depois ganhei sete seguidos, e a partir daí ganhei todos. Era comum darem mixer de prêmio, imagina o monte de mixer que eu tinha em casa.


Caminho
- Uma das últimas casas onde participei de campeonato se chamava Show Bussiness, na Penha, zona Leste de São Paulo. Ganhei o campeonato, o mixer, e mais dez singles importados, que por sinal eram um lixo, tipo ponta de estoque de loja. Fui convidado para ficar na casa. Depois de uns meses mudei de casa e comecei a tocar com o dj Julião. Vinha um monte de gente pra me ver tocar, foi quando estourei na periferia Zona Leste.
A partir daí recebi várias propostas para trabalhar em casas como a Overnight e a Toco. Fui para a Toco, onde toquei 4 anos, e de lá para o Columbia.
Certo dia a Erika Palomino me chamou para tocar na festa dela, dentro de um trem. O povo gostou pra caramba do meu som. Toquei junto com o Ângelo Leuzzi, que estava para abrir uma casa e me convidou para trabalhar lá.
Eu estava passando por um período difícil. Não conseguia tocar em outros lugares e estava pensando em parar. Foi quando o Ângelo me ligou: A Lov.e vai inaugurar quinta-feira e eu quero que você toque. Estou lá até hoje.

DRUM’N BASS - Em 90 trabalhava em uma loja de disco quando descobri o hardcore, um estilo de música que estava se formando lá fora. Era o início das raves na Inglaterra.
O Prodigy, no começo, era um som totalmente esperto e eu comecei a apostar neste tipo de música. A evolução desse estilo virou jungle, que é mais rápido.
A Bjork batizou o jungle de drum’n bass na época que namorava o Goldie. Ela disse: Essa música é bateria e baixo, então porque não chamar de drum’n bass? Tem muita gente que fala que jungle é uma coisa e drum’n bass é outra. Besteira, é a mesma coisa.

Passaporte - Teve um evento que vieram vários djs internacionais, entre eles estavam o Bryan Gee (dono da V Recordings) e o Edo Van Duyn. Eles me viram tocar e ficaram loucos: "você tem futuro, vai ter que tocar na Inglaterra".
Foi o Bryan Gee quem me levou para a Inglaterra, mas hoje sou empresariado pelo Edo Van Duyn, promoter da festa Movement do Bar Rumba.

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