BPM -
Quando você imaginou que iria dançar uma música a 175
batidas por minuto? Nunca. Eu não sei o futuro da música.
Se você acelerar mais a batida vira Gabba, um
estilo que chega a 200 batidas por minuto, que só os
malucos de Rotterdam dançam.
O drum’n bass é a música do futuro, uma coisa
muito nova, um estilo amplo de música. Dá para trabalhar
bem, colocar elementos de jazz, rock, tecno, bossa nova,
percussão e fazer várias coisas. Muita gente está
trabalhando em cima do drum‘n bass. Tem até uma
galera fazendo drum‘n bass acústico.
Evolução
- Já toquei punk no começo dos anos 80, new-wave,
hip-house, house, depois toquei tecno, acid house em 88.
Gosto muito de new-wave. Eu tinha todos os discos do B-52,
Devo. O Devo é rápido e é mais ou menos a mesma batida
do drum‘n bass, tem tudo a ver. É estranho como
tudo no final acaba se encontrando, acaba num ponto em
comum.
Não
faz muito tempo, comecei a gostar de rock, Doors, Jimi
Hendrix. Já os Beatles eu adoro, sempre gostei e ouço
direto. Gosto também de música brasileira, do Otto, Max,
Jorge Ben e bossa nova.
Aprendi
a escutar as coisas boas, que têm musicalidade. Acho que
antes eu não era maduro para esse tipo de música.
Atualmente faço uma noite na semana onde toco só músicas
dos anos 60, 70 e 80.
Mundo
- Vou bastante para a Europa. Em fevereiro vou tocar pela
primeira vez no Canadá e nos Estados Unidos.
Já pensei em morar fora do Brasil, mas meu empresário lá
de fora não quer que eu saia daqui. Faz parte da estratégia
de marketing dele. Isso sem contar os meus compromissos no
Brasil.
Tem dois lugares que são muito especiais para tocar, um
deles é o Manga, em Edimburg, na Escócia. Uma vez saí
do som muito suado, cansado e fui para a porta tomar um
ar. Vieram umas dez pessoas, e começaram a beijar minhas
mãos, meus pés, fazer reverência: "porra você é
demais, quando você vem de novo?", perguntam. Fiquei
meio besta.
Outro lugar que eu adoro tocar é na Irlanda, em Dublin. Lá
é um absurdo, o povo me ama. Mixei um cd que encartaram
em uma revista local especializada em dj chamada Knowledge
Maganize. Vieram umas 300 pessoas pedindo para autografar
a revista. Diziam que nunca escutaram um set tão
bom quanto aquele. E olha que não ficou tão perfeito...
Axé
- Os brasileiros que moram em Londres não conhecem drum´n
bass, nem quem sou eu. Não tem muito brasileiro que
vai me ver tocar. Tem umas festas de brasileiros que os
caras tocam Roberto Carlos, axé e o caramba. Eu toco
mesmo é para inglês.
Toca aquela - Recentemente eu estava tocando em Brasília
para umas três mil pessoas e subiu na cabine uma mulher
muito bonita, cheirosa. Eu comecei a suar. Pensei: É hoje
né... ela chegou para mim e disse:
- Oi, tudo bem? Puta, seu som é demais, sabia?
- Pô, obrigado, né meu?
- Deixa eu te falar uma coisa...
Ela chegou bem perto e encostou em mim. Eu fiquei doido,
nossa!
- Sua namorada não tá aqui não, né?
- Nãããão, eu não tenho namorada.
- Então você pode fazer um favor para mim.
- Eu faço. O que?
- Não dá pra você tocar um axé para mim?
- Ahhhhhh... porra, eu não sou dj de axé, estou aqui
contratado para tocar na casa. Imagina se eu tocar um axé...
essa galera vai embora e não volta mais aqui. Ela
insistiu, porque achava que eu hipnotizava as pessoas e
mesmo tocando axé a galera iria ficar na casa. Imagina,
eu ia ser linchado!