segunda-feira, 19 de fevereiro de 2001

 

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A Tragetória . ( DJ Marky )

 

MARKY,
O DJ paulistano da periferia que conquistou a Europa

Ebulição - Saiu mais um CD mixado, agora pela Trama. Reuni as músicas que eu mais toco nas pistas, no Brasil e em Londres. Fiz a escolha das músicas e coloquei tudo num CD piração. A primeira prensagem esgotou em dois dias. Estamos a um mês e meio do lançamento e já estamos chegando a 25 mil copias.
Comparando com o primeiro acho que nesse segundo CD eu consegui fazer melhor. Comecei ele meio down aí eu fui subindo, subindo, subindo, até chegar no topo, numa ebulição.

Acham que estou milionário. Teve um jornal que publicou que eu ganhava 20 mil dólares por noite


BPM -
Quando você imaginou que iria dançar uma música a 175 batidas por minuto? Nunca. Eu não sei o futuro da música. Se você acelerar mais a batida vira Gabba, um estilo que chega a 200 batidas por minuto, que só os malucos de Rotterdam dançam.
O drum’n bass é a música do futuro, uma coisa muito nova, um estilo amplo de música. Dá para trabalhar bem, colocar elementos de jazz, rock, tecno, bossa nova, percussão e fazer várias coisas. Muita gente está trabalhando em cima do drum‘n bass. Tem até uma galera fazendo drum‘n bass acústico.

Evolução - Já toquei punk no começo dos anos 80, new-wave, hip-house, house, depois toquei tecno, acid house em 88.
Gosto muito de new-wave. Eu tinha todos os discos do B-52, Devo. O Devo é rápido e é mais ou menos a mesma batida do drum‘n bass, tem tudo a ver. É estranho como tudo no final acaba se encontrando, acaba num ponto em comum.

Não faz muito tempo, comecei a gostar de rock, Doors, Jimi Hendrix. Já os Beatles eu adoro, sempre gostei e ouço direto. Gosto também de música brasileira, do Otto, Max, Jorge Ben e bossa nova.
Aprendi a escutar as coisas boas, que têm musicalidade. Acho que antes eu não era maduro para esse tipo de música. Atualmente faço uma noite na semana onde toco só músicas dos anos 60, 70 e 80.

Mundo - Vou bastante para a Europa. Em fevereiro vou tocar pela primeira vez no Canadá e nos Estados Unidos.
Já pensei em morar fora do Brasil, mas meu empresário lá de fora não quer que eu saia daqui. Faz parte da estratégia de marketing dele. Isso sem contar os meus compromissos no Brasil.
Tem dois lugares que são muito especiais para tocar, um deles é o Manga, em Edimburg, na Escócia. Uma vez saí do som muito suado, cansado e fui para a porta tomar um ar. Vieram umas dez pessoas, e começaram a beijar minhas mãos, meus pés, fazer reverência: "porra você é demais, quando você vem de novo?", perguntam. Fiquei meio besta.
Outro lugar que eu adoro tocar é na Irlanda, em Dublin. Lá é um absurdo, o povo me ama. Mixei um cd que encartaram em uma revista local especializada em dj chamada Knowledge Maganize. Vieram umas 300 pessoas pedindo para autografar a revista. Diziam que nunca escutaram um set tão bom quanto aquele. E olha que não ficou tão perfeito...

Axé - Os brasileiros que moram em Londres não conhecem drum´n bass, nem quem sou eu. Não tem muito brasileiro que vai me ver tocar. Tem umas festas de brasileiros que os caras tocam Roberto Carlos, axé e o caramba. Eu toco mesmo é para inglês.
Toca aquela - Recentemente eu estava tocando em Brasília para umas três mil pessoas e subiu na cabine uma mulher muito bonita, cheirosa. Eu comecei a suar. Pensei: É hoje né... ela chegou para mim e disse:
- Oi, tudo bem? Puta, seu som é demais, sabia?
- Pô, obrigado, né meu?
- Deixa eu te falar uma coisa...
Ela chegou bem perto e encostou em mim. Eu fiquei doido, nossa!
- Sua namorada não tá aqui não, né?
- Nãããão, eu não tenho namorada.
- Então você pode fazer um favor para mim.
- Eu faço. O que?
- Não dá pra você tocar um axé para mim?
- Ahhhhhh... porra, eu não sou dj de axé, estou aqui contratado para tocar na casa. Imagina se eu tocar um axé... essa galera vai embora e não volta mais aqui. Ela insistiu, porque achava que eu hipnotizava as pessoas e mesmo tocando axé a galera iria ficar na casa. Imagina, eu ia ser linchado!

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