Ao som das pedras do moinho
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“Hoje
gosto e estou cá por amor à arte” disse Júlio Ferreira, um homem
criado em Serpins, com uma longa história de vida, desde pequeno
habituado a trabalhar no moinho com o seu pai, |
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Após
o seu regresso da guerra e não tendo onde trabalhar, foi informado de que na altura a Câmara
Municipal da Lousã estava com inscrições abertas, para ocupar o lugar
de cantoneiro, trabalho que conseguiu e efectuou durante seis anos.
Passado esse tempo, optou por ir trabalhar para a Alemanha uma vez que
estavam a aceitar portugueses para efectuar trabalhos na construção civil. |
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A
partir desse momento, Júlio começou a pensar no que iria fazer daí para
diante. Uma hipótese que ponderou foi passar a ser ele a tratar do
moinho. Após uma longa conversa com o seu pai, concluíram que sendo este
o trabalho que sempre gostou Júlio de fazer, ficou, assim, a trabalhar
por conta própria, pagando um aluguer de dois contos por mês ao pai, mas
confessou que era muito difícil porque o dinheiro era pouco e tinha três
filhos para criar.
Por intermédio do filho mais
velho conseguiu ir para o Canadá, tendo de imediato surgido uma proposta
de trabalho que aceitou, e aproveitou para levar os seus dois filhos,
ficando sete anos por lá.
De regresso a Portugal
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“Nós somos quatro irmãos e
todos temos uma arte. O mais velho era carpinteiro, o segundo alfaiate e o
outro electricista. A mim foi-me prometida a arte do moinho.” |
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Relembrou que “antigamente, o
meio de transporte que utilizava para vender os taleigos da farinha era
uma carroça puxada por uma burra. O percurso que fazia era muito longo
para a velocidade que o animal tinha e foi então que resolvi usar um
tractor”. Para realizar este trabalho nos tempos que decorrem usufrui de
uma carrinha. Hélia e. Sandra
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