Coimbra, 26 de Julho de 1959
Avenida Dias da Silva 158
Exm.o Senhor Doutor Mascarenhas de Lemos,
Em resposta á amável carta de V. Exª venho comunicar que a grafia que me parece dever-se adoptar é precisamente aquela de que V. Exª se serve e que, se não estou em erro, se generalizou nos últimos tempos:quer dizer Lousã
Na minha opinião o nome de Lousã não tem nada que ver com o nome comum lousa, mas deriva dum nome de pessoa latino Lausus, com o sufixo -ana, forma feminina do sufixo adjetivado -anus que se empregava para indicar a propriedade. A palavra que deve subentender é villa, Villa Lausana significaria “vila (no sentido latino de grande propriedade rural) dum indivíduo chamado Lausus”, nome aliás que se encontra na Eneida de Virgílio.
A mesma terminação -ã -ana encontra-se em Cordinha, Samardã, Campanha, Anca que todos são tirados de nomes de proprietárlos-colonizadores romanos. Nos documentos da idade média aparece primeiro a grafia com s e mais tarde a com z.
Eis as formas antigas que conheço:Lousam 1160 (PMH, Leges 387), Lauzana 1220 (PMH Inquisitiones 130), Louzaa I258 (PMH Inquisitiones 347) e finalmente Lousaa no séc. XV.
Em resumo: A gráfica Lousã impôe-se segundo o mesmo critério que manda escrever lã, do lat. Lana. O s é exigido pelo provável étimo: Lausana.
Com os protestos da minha mais alta consideração subscrevo-me