Lousam... Louzaa... Louzan... Lousã
Lousã lembra, de imediato, lousa. Terá sentido esta associação? Sabendo-se ser a região rica em xistos, de que se extrai a lousa, virá daí o nome da formosa e antiga vila serrana?
Durante muito tempo, pensou-se que sim, que Lousã, que se escrevia Louzã, provinha de lousa, que também se escrevia com "z". A verdade é, porém, muito outra. Segundo um estudioso, o Dr. Joseph Maria Piels, o nome de Lousa remonta, nem mais nem menos ao tempo da ocupação romana da Península. Então, ter-se-ia estabelecido naquelas terras um romano de nome Lausus, que desenvolveria uma grande herdade. Passado o nome do proprietário para a herdade, Lausus daria origem a Terra Lausana ou Lousã.
Ao dar, ainda como príncipe, foral a Miranda (1136), Afonso Henriques cita, no documento, um "castelo de Arouzi" (hoje, Arouce). O "Conquistador", noutro documento marcando uns limites (foral dado a Celeirós, em 1160), refere-se a "Lousam e Villarino». O que, no dizer dos entendidos, significa que o castelo de Arouce e a velha vila Lausana dos romanos existiam, em conjunto, sendo coisas diferentes (diz-se isto porque, até muito tarde, em pleno século XVI, ainda havia confusões a tal respeito, no foral manuelino). Em 1151 (foral henriquino), falava-se de Arouzi, Arouce Aroczi, grafias que deram vez a Arouce. Com o tempo, deixou de haver referências a Arouce, em termos de localidade o nome permaneceria ligado à ribeira, também conhecida como de S. João e ao Castelo , passando a falar-se com insistência, da Lousã. Lousã que, naturalmente, atravessou várias grafias, a saber: Lousam em 1160, Lauzana em 1220, Louzaa em 1258, Lousaã em 1343, Lousã em 1404, Lousaa em 1428, Lousã em 1470. Esta variedade foi-se mantendo até aos tempos modernos, para se fixar em três formas: Louzan, Louzã e Lousã. Na opinião das autoridades linguísticas, é a última a que deve prevalecer.
Carta de Joseph Maria Piel