Casal de Ermio
Situada na margem direita do rio Ceira, Casal de Ermio é a mais pequena freguesia do concelho, cerca de 12 quilómetros a Norte da vila da Lousã. Primeiramente denominava-se Casal de Ermijo ou Ermígio, passando depois a chamar-se Casal de Ermo, até definitivamente ter estabilizado no topónimo oficial Casal de Ermio.
Ao longo do último século, a evolução de Casal de Ermio não foi significativa mas o responsável pela autarquia tem esperança que, em breve, esta situação se inverta. É, que o Plano Director Municipal em vigor não tem facilitado a construção, já que contempla uma grande área de zona florestal. No entanto, os habitantes de Casal de Ermio esperam que o novo PDM, em elaboração, venha resolver este problema.
A população sofreu aumentos ligeiros, e havendo vontade das pessoas ali se fixarem e procura de terrenos para construção e venda de habitações, ficaria então a faltar uma mini-zona industrial, adaptada à dimensão e necessidades da freguesia.
É que apesar de pequena, Casal de Ermio não é das freguesias mais envelhecidas do concelho, já que ali habitam muitos jovens que trabalham em Coimbra ou na Lousã.
As actividades económicas continuam a ser a agricultura e o pequeno comércio, apesar de no início do século ali ter funcionado uma fábrica de papel, posteriormente transformada em central eléctrica pela Companhia do Prado para abastecimento da Fábrica de Papel do Penedo, na Lousã.
Razoavelmente bem servida em termos de água, luz pública e saneamento, em Casal de Ermio a preocupação actual é o bem estar dos residentes. Alcatrão à porta dos poucos que ainda não o têm e valetas cimentadas são algumas das prioridades para manter a freguesia limpa e agradável à vista.
No plano social, existe na freguesia o Centro de Dia, com actividades culturais e recreativas, Jardim de Infância e ATL que irá ser complementado com um novo edifício para alargamento destas actividades. Também o Clube Recreativo Ermiense vai ter "cara lavada". A nova direcção recentemente formada vai pôr mãos à obra e apetrechar condignamente o edifício de forma a que a população usufrua de alguns momentos de lazer.
Para ocupar a juventude local, a direcção do clube está a pensar em formar uma equipa de futebol de cinco que poderá utilizar um pequeno campo de jogos existente na freguesia.
Mais recentemente, a autarquia de Casal de Ermio aproveitou a sua belíssima beira-rio e criou uma praia fluvial, que já funcionou este ano e teve muitos visitantes. Um pouco a montante da praia a beleza natural das margens ribeirinhas foi igualmente aproveitada com a construção de um parque de merendas, onde foram instaladas mesas de madeira tratada, dotado com instalações sanitárias, um parque de jogos e um parque infantil.
Simultaneamente, a população deseja preservar as suas raízes mais tradicionais e vai recuperar um regadio centenário que poderá vir a servir 60 a 70% dos terrenos agrícolas locais.
Do património edificado de Casal de Ermio merece destaque a igreja paroquial, cujo orago é Santo António. O actual edifício não é contudo o original, mas sim o resultado, de profundas obras de remodelação realizadas no século XVIII e posteriormente. O exterior da igreja é simples, de linhas direitas, com dois painéis de azulejos junto à janela da frontaria. O interior, amplo, tem apenas uma nave e a capela-mor com um belíssimo altar barroco da época de transição do século XVII para o século XVIII. Das esculturas expostas destacam-se as de Santo António, padroeiro, e de S. Caetano, também de estilo barroco do século XVIII.
No largo principal da freguesia pode ver-se um busto de António Pires de Carvalho, figura de destaque na história da povoação, pessoa muito querida e conceituada em Casal de Ermio, onde nasceu, e na Lousã.
Formou-se em medicina em Coimbra, e esteve alguns anos nas ex-colónias portuguesas, em África. Instalada a República, ideal que Pires Carvalho defendera desde estudante, tornou-se senador, desempenhando com competência e isenção os cargos públicos que lhe foram atribuídos, tanto em Portugal como nas ex-colónias.
Nos últimos anos da sua vida isolou-se completamente no Sobral, em Casal de Ermio, não deixando contudo de intervir e de se interessar pelo progresso da freguesia, onde facilitou e apoiou a construção da escola.[Sinais do Século, "As Beiras", 3 Fev. 2000].