SHEEVAS

Os bárbaros de quatro braços

Também conhecidos como “okans”, os sheevas são maiores e mais musculosos que os homens, e imensamente mais fortes, donos de dois pares de braços ao invés de um. Têm pele dura, coriácea ou escamosa, de coloração azulada, e os olhos possuem pupilas verticais – como os gatos e cobras – que retém a capacidade de enxergar no escuro. Seus narizes, largos e apurados, permitem-lhes seguir com precisão uma trilha de odor.

O sangue é negro e os punhos são fortes como clavas. Possuem grande resistência e são capazes de percorrer longas distancias com rapidez, se for preciso. Mas, a maioria deles é preguiçosa, preferindo sempre o método mais fácil de se completar uma tarefa. O cabelo é grosso e negro, e geralmente conservam apenas uma única longa trança, mas não apresentam pelos faciais. Vestem-se de maneira clássica, com peles ou lã, e tanto homens quanto mulheres fazem uso de uma variante de saia.

A maioria dessa espécie pertence ao sexo masculino, e existe praticamente apenas uma sheeva para cada dois sheevas. A escassez das mulheres dessa raça aliada ao longo período de gravidez das gestantes, contribui para que os okans sejam poucos numerosos em Ephyrea, havendo não mais do que alguns milhares em Infinder e poucas dezenas nos demais planetas.

Todos os sheevas têm um período de vida relativamente menor que o dos homens, vivendo em média 55 anos, portanto, atingem a maturidade logo aos 11 anos de idade. Poucos ultrapassam esta faixa, e os mais velhos são vistos de modo indiferente.

Não são muito inteligentes, mas também não se mostram completamente estúpidos, foram rotulados “selvagens” pelos infinderianos, e de fato fazem jus ao termo. Ignorantes, brutais e inconseqüentes, os sheevas vivem rudemente na natureza, com costumes estranhos e idiomas igualmente singulares, distantes de qualquer tecnologia avançada e carentes de alianças pacificas. Não obstante, possuem uma certa nobreza e alguns talentos próprios. Adoram o combate e a provação física, e se divertem por dias inteiros realizando competições de força e torneios de batalhas corporais, existindo inclusive modalidades exclusivas para mulheres, mas jamais permitem disputas de vida ou morte nesses certames.

Os bárbaros são os guerreiros do povo sheeva, defensores ferozes de suas terras e suas vilas. Embora careçam muitas vezes da armadura brilhante e das espadas resplendentes dos cavaleiros de Eruna, e dos cavalos velozes dos galdêses, fabricam a partir das coisas de suas próprias terras as armas e ferramentas que sua sobrevivência exige, dando preferência aos machados e martelos como arma. Se necessário, podem usar a peçonha das serpentes – ou venenos preparados por eles mesmos – para fazer com que suas armas matem ao primeiro arranhão, mas sua capacidade de permanecer invisíveis e atacar seus adversários em emboscadas é ainda mais letal, no entanto, alguns consideram isso covardia, e não apelam para tais atitudes.

Outrora viveram nos vales das Montanhas Rubras e nas planícies de Calenthorn, dali emigraram quando os homens chegaram do leste e fundaram seus reinos. A maioria se estabeleceu na Terra da Savana, embora alguns deles tenham prosseguido até o oeste e mais tarde se transformado em mortos-vivos, vitimas da formação das Terras-Mortas. São extremamente competentes na arte da alvenaria, e ergueram magníficas cidades com edificações de pedra, rivalizando até mesmo com a obra dos anões, mas poucas são as de tamanho considerável. Não costumam negociar ou manter relações com comunidades de outras raças, e quando encontram uma cidade pequena ou vilarejo, a atacam, pilham e destroem, deixando a barbárie apoderar-se de seus atos. Forasteiros jamais serão bem vindos em suas moradas, exceto por sheevas de outros povoados.

O governo de cada vila fica nas mãos de um único líder – o guerreiro mais forte e habilidoso. Sucessores são escolhidos através de um torneio de combates, realizado a cada 4 anos infinderianos, quando o triangulo lunar completa uma volta e inverte sua posição. Antigamente, apenas membros masculinos desse povo tinham liberdade para tomar parte de tal torneio, mas já há algum tempo as mulheres conquistaram seu direito de lutar por essa ditadura – embora nenhuma tenha conseguido vencer ainda.

O vicio pelo combate os faz querer resolver quaisquer situações ou desavenças em duelos, e dentre essas situações encaixasse a busca por uma esposa. Devido à falta de muitas mulheres nessa raça, somente os homens mais fortes têm direito ao casamento, e da mesma forma, apenas senhoritas de valor poderão se matrimoniar. Funciona da seguinte maneira: uma sheeva solteira deve conquistar o coração de dois ou mais sheevas para se tornar digna de casar, e esses, deverão lutar entre si para apenas o vencedor unir-se com a noiva em questão. Depois de unidos solenemente, os sheevas jamais poderão se separar ou casar repetidas vezes. Não são permitidos casórios com indivíduos de outras raças.

Odeiam a magia, essa coisa complicada e difícil de se manipular, e a única magia a que possuem acesso é a divina, utilizada por seus clérigos e xamãs. Veneram Orkan, o grande deus-sheeva, em uma religião monoteísta recheada de lendas e historias, e todo mês realizam sacrifícios em sua homenagem. Existe uma grande caverna, chamada de “A Caverna do Grande Guerreiro”, na qual eles acreditam que seu deus repousa tranqüilo. Todo ano, o mais valente e poderoso sheeva, dentre todas as vilas, entra nessa caverna em busca do deus guerreiro, mas ninguém jamais retornou. Diz a lenda que esses bravos homens encontraram Orkan no fundo caverna, e decidiram ficar pra sempre ao seu lado. Todo sheeva que se preze, deve orar em frente a este local sagrado ao menos uma vez na vida.

Todos os sheevas falam consagre, o idioma padrão da galáxia, com algumas palavras sheevas especificas para eles mesmos. Sua própria língua, o Líris, a muito deixou de ser utilizada.

Os nomes sheevas são compostos de um primeiro nome seguido do nome de sua vila natal, assim podem revelar entre eles de onde são originados. São nomes fortes, e dentre alguns masculinos temos Górlon, Zoro, Kaowagan, Ór, Tarres, Tauron, Fortale e Calistu, e exemplos de femininos são Ena, Diana, Jurla, Sasmin e Deeva. As cinco principais e maiores vilas são Saint Orkan, Gover, Palacis, Brutara e Kumbaud.

Apesar do pouco envolvimento entre os sheevas e membros de outras raças, os aventureiros não são tão incomuns entre esse povo, que busca por oportunidades de combate e provação física longe do cerceamento de suas terras. Devido ao seu primitivismo racial, os bárbaros e berserkers são os tipos mais comuns, e muitos também optam pela glória do combate nas arenas de gladiadores, mas também existem os okans rangers, guerreiros e matadores especializados.

Também é possível encontrar alguns que se uniram a piratas e piratas aéreos, em busca de ouro fácil, e boas oportunidades de ação. Entre os conjuradores, o único da lista é o Clérigo de Orkan, sendo que paladinos desse deus são inexistentes e os xamãs devem ficar nas vilas. Não existem relatos de sheevas cavaleiros, mas talvez eles existam em algum lugar (possivelmente com montarias maiores e mais fortes). Ladrões, arqueiros, lanceiros, assassinos e outros tipos furtivos e de combate a distancia são raros, e bardos e swashbucklers simplesmente não existem. Conseguem trabalhar com membros de qualquer outra raça de Ephyrea, mas dão-se melhor com os argashes, carnags, orcs, minotauros e outras raças bárbaras, e menosprezam os elfos, emonunters, klervans e outras raças “mesquinhas”.

Mas nem sempre os sheevas foram o povo bárbaro que são. Antigamente, até meados da Nova Era de Infinder, eles eram uma raça sabia, com pessoas inteligentes e comportadas, e afeição pelo conhecimento, magia, e sede de novas descobertas, mas, por causa de uma antiga intriga entre Turilla, deusa que originou essa espécie, e Mirotéss, eles deixaram de ser assim.

Durante uma discussão entre esses dois deuses, Mirotéss se zangou e disse a Turilla que o conhecimento que ela tanto zela, nada mais é do que a forma de poder mais fácil de ser manipulada e apagada, e ameaçou destruir seu império entre os devotos. Tão logo quanto ouviu isso, a deusa do conhecimento discordou, e afirmou que faria o mesmo contra Mirotéss.

Começava assim o episodio ephyreano que mais tarde ficou conhecido como “A Retirada dos Fieis”. Nessa disputa pela tomada de mais devotos, o deus da trapaça se infiltrou entre os sábios de quatro braços, encoberto por uma forma avatar, e os fez sonhar com poder, riquezas, terras e soberania, e através de suas palavras, os sábios okans esqueceram o bom senso e cederam às suas forças físicas. Sob comando da mágica manipuladora de Mirotéss, eles ergueram um grandioso exercito e combateram as demais raças de Infinder, visando obter poderio sobre o Novo Mundo, e com isso, deixaram o culto e a atenção pela sabedoria de lado, e passaram a priorizar mais os seus extintos selvagens.

Começaram então a venerar Orkan, o deus-sheeva, avatar de Mirotéss na terra. Turilla, percebendo que havia perdido essa parcela de devotos, lançou uma maldição nos agora bárbaros de quatro braços, que fez com que metade de sua população feminina caísse morta, vitimas de uma terrível praga, e assim a raça jamais seria numerosa outra vez, e Mirotéss não ganharia muito. O tempo passou, e com o avanço da tecnologia, os sheevas não mais são uma ameaça considerável, nem mesmo possuem o poder que lhes foi prometido, mas todo o conhecimento que antes os pertencia, agora está enterrado fundo no passado.

O choque das essências de Chacallister e Turilla foi o que deu origem a este povo sábio, agora primitivo.




Cataclisma


 

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